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Mensagem por Willem Wërtz Hoffmeister em Sab Dez 19, 2015 11:35 pm



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Última edição por Willem Wërtz Hoffmeister em Dom Dez 20, 2015 1:27 am, editado 1 vez(es)

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Willem Bërk-Wërtz Hoffmeister


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Re: — Lose your m i n d [RP]

Mensagem por Willem Wërtz Hoffmeister em Dom Dez 20, 2015 12:02 am

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Willem se sentia, acima de tudo, preso.

Nunca gostou de ficar muito tempo no mesmo lugar, mesmo quando bem criança. Estava sempre mudando de cômodo em casa, saindo de um lado para o outro. Quando começou a invadir casas e a roubar para se ver livre do tédio que ficava em casa sem sua irmã, a sensação foi melhor ainda. Mas aquele lugar? O cheiro de maldade circulava em cada corredor e se não estivesse enganado, sangue seco era visto e cheirado em alguns cantos do limitado lugar.

Tais coisas lhe faziam sentir falta do lado de fora. Sentia falta do cheiro do inverno, do frio e da neve. Sentia falta dos poucos dias que teve em liberdade logo após descobrir seus poderes. Sentia falta da liberdade, em um grande resumo, coisa que sabia que não teria. Não mais. Fungou. Estava ficando resfriado, mesmo com as roupas grandes e largas que haviam lhe entregado. Odiava-as. Ficava mais baixinho do que já era e odiava tal coisa.

Também sentia falta de sua irmã. Não sabia onde ela estava. Pelos boatos dos outros detentos, quem não sobreviveu à radiação — também ficou confuso, sequer estava sabendo de bomba ou radiação alguma — acabou morto. Aparentemente, havia sido um dos sobreviventes, mas se sentia sozinho, preso e entediado. Na maior parte do tempo estava preso na sua cela, sem contato com ninguém no mundo exterior, sem poder pregar nenhuma peça.

Outra coisa que preocupava Willem era seu pai. Se ele não havia sido atingido pela radiação, como ficou vivo para entregar o próprio filho? Ou será que havia trocado a vida e liberdade de Will pela própria? Pela primeira vez em muito tempo, o menino percebeu que não, o dinheiro não pode comprar tudo porque há pessoas com interesses maiores. Bocejou. O que poderia ser feito de divertido naquele inferno gelado?

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Re: — Lose your m i n d [RP]

Mensagem por Tessa Wërtz Hoffmeister em Dom Dez 20, 2015 10:46 pm

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Olá, dizia para si mesma, nas mesmas tentativas de tentar parecer insana, para que pudesse, então, acreditar que estava insana. Você continua aí?, perguntava-se para si mesma, como uma espécie de teste. Se pudesse responder com algum sentido, era porque não perdera a cabeça, ainda. Continua sentindo?, prosseguia, porque era a única forma de manter a humanidade. Todavia, aquilo não lhe era suficiente. Dormir lhe parecia a medida mais apropriada, porém o insônia a acometia, impossibilitando-a de fechar as pálpebras e ter um sono tranquilo. Ela tentava, porém, quanto mais tentava, mais se perdia. Resolveu que andar seria a melhor opção depois de tudo isso. Caminhar, vagar à esmo, sem um norte específico. Visitar os lugares da prisão aos quais ainda não fora.

Os pés da loira fizeram-na sair da cela na qual estava sozinha, já que seu companheiro também decidira que vagar pela prisão era uma ideia melhor. Caminhou lentamente pelos corredores, ignorando alguns homens que mexiam com ela por causa da aparência. De boas intenções a prisão estava cheia, muito mais do que o inferno, até. Não demorou muito para que ela chegasse até o pátio, sua mente vagando igualmente o seu corpo físico. Não queria mais pensar na família, ou em qualquer que fosse a coisa que lhe lembrasse da vida anterior. Porque não podia mais tê-la, e remoer lembranças não era nada saudável. Até que estancou no caminho.

Seus olhos verdes fraquejaram brevemente, um piscar manso que relatava a inocência de seu cérebro em ligar exatamente a visão a ele. Piscou mais algumas vezes, estreitando os olhos. Os cabelos claros, lisos, e a silhueta pequena que conhecia tão bem. Estava de costas, mas não havia como confundir ao passar tantos anos de sua vida convivendo. Não fora uma armadilha do seu cérebro, afinal de contas. Em seu interior, algo explodiu. Uma amálgama de sentimentos que nunca havia relacionado a ele antes. Saudade. Medo. Preocupação. Proteção. Ela tentou gritar por seu nome uma primeira vez, mas a voz falhou. Ela tentou outra vez, mas o resultado foi o mesmo.

Tessa passou a andar na direção do irmão. O que diabos fazia ali? Passou a correr, até que chegou a ele. Silenciosa, Willem não percebeu a sua presença até que ela o abraçou, um aperto forte e reconfortante, como nunca havia feito na vida. Sentiu o nariz arder, e os olhos também. Não. Chore.Ah, Will — ela disse, num tom de voz rouco de quem usa muito pouco as cordas vocais. — Ah, meu Deus... — ela sussurrou, enquanto ainda o abraçava. Sentiu uma lágrima escapar-lhe dos olhos, mas os cabelos do menino enxugaram-na facilmente.
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Re: — Lose your m i n d [RP]

Mensagem por Willem Wërtz Hoffmeister em Dom Dez 20, 2015 11:12 pm

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Aquele lugar era entediante. Por mais talentoso que fosse em pregar peças e dar sustos em pessoas, aqueles detentos pareciam não se surpreender com nenhum dos truques de Willem. Sempre que tentava se aproximar de mansinho, dar um grito alto ou bater o pé no chão, somente olhavam para trás, lhe faziam uma expressão de nojo e desprezo, e voltavam à atividade que estavam fazendo — chata, entediante, deveras rotineira. Aquilo, acima de qualquer coisa, estava matando a sanidade de Willem. Ou ele arrumava alguma coisa para fazer — algo divertido, caótico — ou ficava maluco de vez.

Até que olhou para frente. A poucos metros de distância, havia uma figura que parecia promissora: um rapaz franzino que nunca havia visto, mas estava sozinho, de costas, mexendo em alguma coisa que o menino não conseguiu ver direito. O sorriso malicioso foi quase automático nos seus lábios; rapidamente, contudo, de forma discreta, começou a andar na direção do indivíduo. A ansiedade fazia seu coração bater mais rápido do que qualquer outra vez que tenha dado um susto em alguém, e até aquele momento, não havia percebido o quanto sentiu falta de dar umas risadas. O mundo da prisão era frio, cinzento. Sem vida.

Estava inspirando o máximo de ar possível, preparando seu maior grito, quando sentiu braços ao redor da sua caixa torácica e um nariz contra sua cabeça, esfregando seu couro cabelo de um lado para o outro. Todo o ar que havia guardado nos pulmões foi embora em um suspiro, e o menino estava pronto para começar a se debater quando ouviu a figura falar alguma coisa que não entendeu muito bem da primeira vez. Mas a voz lhe parecia familiar, de alguma forma. Então, ela falou de novo. "Ah, meu Deus...".

Uma voz feminina. E que conhecia muito bem. Passou seus 12 anos de vida convivendo com a dona daquela voz. Estava rouca, sim, mas reconhecível. Teresa.

Sentiu os olhos arderem em lágrimas quando as lembranças vagas da entrevista lhe invadiram a mente: ele, numa camisola hospitalar, perguntando pela irmã; ele, algemado a uma maca, num quarto escuro, gritando, pensando no que havia acontecido com Tessa. Talvez seus densos cabelos pudessem secar as lágrimas da Hoffmeister, sempre durona, não podendo demonstrar fraqueza. Mas ele? Era uma criança, não tinha esse controle. Então, quando sentiu os olhos arderem e o nariz escorrer, deixou que as lágrimas caíssem e, quando o abraço se afrouxou, virou, agora de frente para a irmã — mesmo sem os saltos, ainda muito mais alta que Willem — e abraçou os lados da irmã, com força enterrando o rosto nas roupas listradas que Tessa vestia.

Chorava baixinho, apesar de tudo.

— Eu tava procurando você. — Confessou, ainda chorando, soluçando, se afastando apenas o suficiente para que a irmã compreendesse o que estava falando. — Ninguém me contou que você tava aqui. — Soluçou, e olhou para cima, o rosto inchado e vermelho, lágrimas constantes molhando-lhe as bochechas. — Eu... Tava p-preocupado. — E soluçou, antes de apertar o rosto, mais uma vez, contra o corpo da irmã.

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Re: — Lose your m i n d [RP]

Mensagem por Tessa Wërtz Hoffmeister em Seg Dez 21, 2015 8:23 pm

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Ouviu-o dizer-lhe aquelas palavras sem sentido algum enquanto ainda o apertava contra si, num arrombo de felicidade por ter um rosto conhecido para o qual olhar, uma voz conhecida para ser escutada, uma alma conhecida para ser sentida. Sabia que a procura do seu irmão por si era em decorrência de seu desaparecimento quando foi pega pelos agentes de Hunted e foi levada embora, mas não entendeu se aquele foi o motivo de sua prisão. Estavam prendendo familiares daqueles cujo DNA fora alterado, provocando mutações genéticas das quais provinham seus super-poderes? Ela soltou um suspiro, sentindo o nariz descongestionar, e, só então, ela afastou-se do menino para poder olhá-lo no rosto.

A primeira coisa que seus olhos procuraram no físico de Willem foram marcas de possíveis espancamentos e torturas. Conhecia aquele lugar depois de três semanas, sabia quão violento poderia ser, principalmente com aqueles que não tinham como se defender. Willem sempre fora um pestinha na casa de ambos, mas nunca fizera verdadeiro mal a ninguém. Não havia motivos quaisquer que sejam para ter parado ali. Não achou nenhum arranhão sequer nos lugares visíveis, a não ser o roxo no qual a agulha entrara, no pescoço, e Teresa sabia exatamente o porquê daquilo. Todos passavam pela mesma coisa. As mesmas perguntas.

Como veio parar aqui, Will? — perguntou, passando as mãos pelos próprios olhos que, certamente, estariam vermelhos. Os olhos verdes encararam os do irmão menor, e não se desviaram nem por um segundo. — Por que veio parar aqui? — voltou a perguntar com a mesma rapidez, sublinhando as duas primeiras palavras com toda a força que tinha. Se isso fosse obra de Thorfinn, ah, ele estaria morto quando ela conseguisse sair dali. Fosse ou não seu pai.
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Re: — Lose your m i n d [RP]

Mensagem por Willem Wërtz Hoffmeister em Seg Dez 21, 2015 9:13 pm

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Ainda estava em choque, pela primeira vez em dias sem se importar com o que pensariam os grandalhões e esquisitos que habitavam o pátio. Os olhos ainda estavam inchados e precisava lutar contra a vontade de berrar bem alto enquanto chorava, abafando o som nas roupas de Tessa. Se afastou alguns passos, limpando o rosto com as costas da mão — coisa que só serviu para espalhar as lágrimas pelas suas bochechas. Não sabia se sentia triste ou feliz, e não tinha certeza qual emoção havia lhe feito chorar. Amava Teresa e se sentia grato de poder vê-la depois de dias de tédio e principalmente depois da sua captura, mas não gostava de ter achado-a ali, naquele lugar.

Procurou no rosto de Tessa qualquer mudança: uma ruga, um machucado, algo de diferente. Se sentia burro, de alguma forma. Qualquer detento ali poderia ser um transmorfo — e não pôde deixar de lembrar das suas amadas HQs, mesmo com todas as emoções do momento — e ter se transformado na Hoffmeister mais velha. Não havia nada de diferente, mas percebeu o olhar da irmã sobre o seu pescoço e soube, na hora, o que ela encarava: a marca roxa em seu pescoço. Levou a mão direita ao local machucado, instintivamente, enquanto sentia mais lágrimas escorrerem involuntariamente pelo seu rosto.

— Longa história. — Tentou forçar um riso, mas logo sua expressão voltou a forma chorosa de antes. Não conseguiria pensar, nem formar, nenhuma gracinha naquele estado. Aceitou sua condição de criança chorona que precisa da irmã mais velha. — É que... — Franziu as sobrancelhas, a memória quase lhe escapando. — Tem uns dias, acho que foi naquele seu aniversário, 'cê tava no cruzeiro. Eu comecei a sentir dor de cabeça e tontura. Acabei desmaiando. — Mordeu o lábio, olhando para baixo e mexendo os pés, inquieto. — Acordei umas semanas depois lá em casa, mas nosso pai tava falando com um cara do exército que entrou no quarto dando ordens para que me pegassem. Só que eu fugi. Uns dias depois eles me acharam e me trouxeram para cá.

Escondeu a parte da entrevista. Escondeu como se sentiu assustado e perdido sem a irmã mais velha, como gritou por qualquer informação sobre ela. Escondeu como não passava de uma criança — uma criança crescida, mas ainda uma criança. Não estava acostumado com essa personalidade preocupada de Tessa — e parando para pensar estava surpreso com todo esse carinho por parte dela —, mas.... Talvez a Hoffmeister gostasse dele, de alguma forma, e por isso o abraço desesperado e as lágrimas nos olhos.

Mas teve uma coisa que Willem não conseguiu esconder.

— E depois que eu acordei, umas coisas... estranhas começaram a acontecer comigo. — Falou, baixo, num fôlego só, meio esperando que Tessa não tivesse ouvido e meio esperando que ela soubesse o que diabos estava acontecendo.

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Re: — Lose your m i n d [RP]

Mensagem por Tessa Wërtz Hoffmeister em Ter Dez 22, 2015 5:35 pm

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Enquanto o irmão falava, contando-lhe o que acontecera enquanto estavam distantes um do outro, flashes de memórias passaram-se pela cabeça da loira. No dia de seu aniversário, no cruzeiro, fora o que ele dissera. No mesmo dia que a notícia do vazamento tóximo foi solta pelo mundo. No mesmo dia que Aleph morrera por não aguentar as dores a que fora acometido, preferindo jogar-se ao mar e ser comido por tubarões ou morrer afogado. Como um click a resposta lhe veio. Tudo aquilo fora causado pelo tal vazamento. Deveria ser radioativo ou algo do tipo, mas o suficiente para não apenas matar, mas desenvolver anomalias genéticas? Tudo era confuso para ela, que não fora dotada de muitas informações depois que chegara ali.

Mas então sentiu um sentimento de fúria. As suspeitas de que Thorfinn o havia mandado para aquele lugar eram verídicas. Ela franziu o semblante, demonstrando raiva para com o progenitor, enquanto desviava os olhos da criança à sua frente para perscrutar algum ponto inexistente no ar, imaginando ali o rosto do Hoffmeister pai. Desejava poder socá-lo com toda a força de seu punho dotado de maestria com luta corporal. Mas não podia, não ali. Muito provavelmente, ele também mandara aqueles guardas levarem-na, no dia em que fora presa. Estavam ali, ambos, por culpa de Thorfinn.

Aquele maldito! — ela levantou-se, cerrando os punhos, com fúria. Seus cabelos dourados se agitaram com a estática, e seus olhos queimaram com a eletricidade que percorria em suas veias. Bufou. — É tudo culpa dele, Will! Tudo culpa de todos eles! — seu tom, embora sua voz fosse geralmente mansa e doce, era alto e cheio de uma raiva reprimida de muitos anos. Sentiu os olhos arderem mais um vez. — Ele vai pagar, vai sim — sussurrou nesse momento, voltando para perto do irmão menor. Olhou no fundo dos olhos dele e segurou as mãos de Willem. — Vamos dar um jeito de sair daqui. E vamos pegá-lo, Will. Eu e você. — Tessa prometeu, por mais que fosse uma atitude falha quando não sabia como fazer para livrar-se dali.

Depois, ouviu o sussurro do irmão sobre coisas estranhas. Ela escrutou seu rosto com cuidado. É claro, pensou. Ele deveria ter sofrido alguma mutação. Mas não sabia quão periculosa era, afinal. Todo aquele tempo confinada ali lhe dera tempo de conhecer seus próprios dons, mas e o irmão? Ele precisava de sua ajuda, e ela não iria negar-se, como fizera durante os doze anos da vida do pequeno.

Olha — ela começou, a voz adocicada mansa outra vez para acalmá-lo. Vira diversas vezes mães nas praças fazendo isso com seus próprios filhos, enquanto que Narcisa somente dirigia-lhes palavras de rancor. — Coisas estranhas acontecem aqui, Will. É inevitável. O que está acontecendo com você é algo... — fez uma pausa, franzindo o cenho para alcançar um modo de explicar. Não chegou a nenhuma conclusão, entretanto. Resolveu mostrar. — Veja. Aconteceu comigo também — ela pegou as mãos no irmão como um condutor, fornecendo a ele uma pequena parcela de eletricidade, fraca demais para causar dor, apenas um choque que causa cócegas. O que queria era vê-lo rir. — Viu? São dons. O que está acontecendo com você?
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Re: — Lose your m i n d [RP]

Mensagem por Willem Wërtz Hoffmeister em Ter Dez 22, 2015 7:38 pm

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Se Willem não tivesse vivido sob o mesmo teto que Teresa durante seus doze anos de vida, teria se assustado com o súbito ataque de raiva da irmã. Mas já era rotina. A raiva da mais velha pelo pai dos dois era uma velha conhecida de Will, tendo presenciado mais do que o suficiente das brigas de Tessa e do pai — talvez por isso tenha mantido certa inexpressão perante a fúria da garota. No fundo, sabia que aquilo não faria bem; não desejava mal algum ao pai. Só estava... Triste, decepcionado talvez, por não ter atingido as expectativas de pelo menos um de seus pais, de novo. Não queria vingança. Só queria ter liberdade, mais uma vez, e voltar a vida de roubos e invasões.

Mas ficou quieto, vendo os olhos de Tessa se encherem de lágrimas raivosas e mudarem rápido quando voltou a olhar para Will. O menino queria dizer "Não, não é culpa deles", mas mesmo sendo uma criança, não poderia se enganar: seu pai teve uma parcela de culpa na situação. Só que o menino não via razão em atacar o Hoffmeister mais velho. Ou mesmo razão em sentir raiva, porque tinha noção de que seu pai não era o único culpado.

— Olha — começou, agora tentando organizar os pensamentos, sempre caóticos —, não tem muito motivo em ficar com raiva do nosso pai. — Sentiu a garganta ficar seca, e olhou para o chão enquanto falava. — Ele pode ter me entregado, mas não foi culpa dele eu ter ganhado um superpoder ou sei lá. — No fim, havia levantado a cabeça e olhava Tessa nos olhos, dando de ombros quando acabou de falar.

Assim que fechou a boca, sua irmã pegou suas mãos e começou a tentar explicar o que estava acontecendo. Não é como se o menino tivesse zero noção dos seus poderes, mas se sentiu bem porque, pela primeira vez em toda sua vida, Tessa estava sendo gentil com ele. Nunca havia tido carinho por parte da irmã, então não é como se sentisse falta disso; mas foi bom para uma primeira vez, principalmente porque riu quando sentiu a onda elétrica pelo corpo. Um arrepio bom subiu pela sua coluna, e soltou as mãos de Teresa para por no pescoço, sentindo cócegas.

Levantou a cabeça, o brilho travesso nos olhos e um sorriso trapaceiro. Sem aviso, desapareceu diante dos olhos da irmã, reaparecendo logo atrás dela.

— Eu tô aqui. — Cutucou as costelas dela antes de desaparecer de novo, se teleportando para a frente da irmã e ainda sustentando o mesmo sorriso malicioso nos lábios. — Agora eu tô aqui. — Falou, esperando que a irmã virasse para frente, sua voz quase musical.

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Re: — Lose your m i n d [RP]

Mensagem por Tessa Wërtz Hoffmeister em Seg Dez 28, 2015 11:16 pm

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Se havia algo que Tessa não entendia, por mais que tentasse alguma maneira de entender, era o motivo pelo qual o irmão ainda protegia tanto os progenitores. Como se já não bastasse a crianção despótica que ambos haviam recebido de Narcisa e Thorfinn, o fato de terem-nos mandado para aquele lugar, aquele inferno, fora o estopim para o transbordar de ressentimento e raiva que a loira guardava dentro de si em relação aos pais. Sentiu vontade de abrir a cabeça de Willem apenas para enfiar lá dentro a ideia que tinha dos Hoffmeister mais velhos: que eram monstros, muito mais monstros do que eles, que tinham poderes especiais. Ela suspirou, o encarando, antes de voltar a falar.

Willem, escuta bem — falou, em um tom duro, mas não despojado de maciez ou carinho. Só queria que ele entendesse seus motivos, e aceitasse de uma vez que ambos não eram e nunca foram amados, nem por Thorfinn, e nem por Narcisa. Os únicos que detinham tais sentimentos perante os irmãos eram os avós paternos, que eram muito mais pais do que os biológicos. Era por esse motivo que Tessa sempre preferiu permanecer na casa de campo da avó. — Ele não merece a sua defesa. Poupe a sua advocacia para quem realmente é inocente — murmurou.

A mais velha umedeceu os lábios enquanto se afastava um pouco. De súbito, Willem desapareceu de sua frente após a sua própria demonstração de poder. Fora bom ouvir a risada dele, mas agora não o via em nenhum lugar por conta de sua surpresa. Até que sentiu uma cutucada em suas costelas, por trás, e virou-se. Lá estava o pequeno, sorrindo de maneira travessa que sempre fora tão sua. E, num piscar de olhos, desapareceu novamente, fazendo Tessa virar-se novamente para dar de cara com o irmão de volta ao lugar de origem. Ela o encarou por breves momentos, enquanto processava que aquele não era mais o garotinho que recebia reprovação dos pais, que eram sozinho. É que nem sinal da Tim. Some e reaparece sabe-se lá onde.

Então, começou a rir. Uma gargalhada espontânea que não dava havia dias, ou meses, ou anos. Os olhos abriram-se o quanto podiam, tentando captar cada traço da feição do menor, enquanto recompunha-se e se aproximava para sentar-se em um dos bancos onde Willem estava.

Cara, isso é muito legal — falou, olhando ao redor. Perguntou-se se ele poderia sair dali e reaparecer em outro lugar, distante, porque se fosse esse o caso, talvez ambos pudessem ter uma chance de escapar daquele lugar. Porém sabia que todos tinham limitações, e, sem treinar o poder recém-recebido, poderia ser uma jogada perigosa, na qual abusariam por demais da sorte. Suspirou, o pensamento de liberdade doendo no peito. Não queria transparecer tristeza novamente, então forçou-se a puxar um assunto que poderia ser divertido para o pequeno. — Sabe do que a gente precisa? De codinomes. Codinomes de super-heróis.
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Re: — Lose your m i n d [RP]

Mensagem por Willem Wërtz Hoffmeister em Ter Dez 29, 2015 9:01 pm

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Willem não se deu o trabalho de responder a Tessa sobre seu pai. Não se sentia defendendo Thorfinn, mas não sentia, também, desejo de vingança ou ressentimento pelo homem. Foi apenas uma pessoa... Normal? Comum? Um fantasma em sua vida, nada com o que gastar energias ou emoções. Ao pai, desejava um grande e maciço e daí?, suas lembranças com o homem já vagas e borradas, a faixa censurando os olhos do tal conde maior a cada vez que a imagem dele vinha a sua memória.

Por algum motivo, esperava que a irmã fizesse a pergunta óbvia quando mostrou seu poder: você pode se teleportar para longe daqui? Mas ela não fez, para o grande alívio do menino. Estava cansado de passar noites em claro pensando no seu antigo bairro, na sua antiga casa, até mesmo no quarto dos pais, tentando sair dali, mas sempre aparecendo em locais aleatórios da prisão ou em algum ponto dos corredores. Será que ele estava tão longe de casa? Será que havia perdido a vida antiga para sempre?

Claro que sim, agora você tem teleporte. Sua vida é muito mais legal. Exceto a parte da prisão e das torturas. Abriu um sorriso fraco, logo o mascarando com um dos seus famosos sorrisos travessos, vendo que a irmã sentou num dos bancos e acompanhando-a, sumindo no ar e reaparecendo ao lado dela. Precisava treinar mais seu poder, conseguiu atestar naquele momento. Somente aqueles poucos teleportes de curta distância havia deixado sua respiração mais pesada — nada muito grave ou perceptível ao mundo exterior. Mas, ainda sim, uma pontinha de cansaço.

Eu sei! — Respondeu a irmã, as mãos batucando o banco em hiperatividade. Algo que não tinha antes do teleporte. — Eu já pensei em nomes para algumas pessoas. — Comentou, ansioso. — Tipo, tem o Max. Acho que você não conhece ele. Ele é muito legal. — Falou, em um fôlego só, lembrando do amigo. — Ele pode ser o Flash, que nem o dos quadrinhos. Ele é muuuuito rápido. — Se teleportou de novo, do banco para a frente da irmã. — Uma hora ele tá aqui. — Deu um pisão no chão, para confirmar a sua frase. — E depois ele tá — se teleportou para alguns centímetros ao lado — aqui. Só que você consegue ver ele correndo, é que nem um vulto.

"Quando a gente tava conversando, o Max me chamou de Jumper. Bem legal, né? Ainda estou trabalhando em outro nome, mas ele já é super maneiro." Parou para pensar, olhando a irmã de cima a baixo pensando em um codinome para ela. "Como eu estou evitando ao máximo repetir os nomes das HQs, você pode ser a Silver Lighting. Pela eletricidade e tal. Que que cê acha?"

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