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Mensagem por Milo Rowan Chandler em Qua Dez 23, 2015 1:08 am



Hopeless Place
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✖ Usuários: Madeleine Skye Underwood & Milo Rowan Chandler.
✖ Status: Em andamento, restrita aos usuários.
✖ Local: Corredor.
✖ Conteúdo: Livre para todos os públicos.
✖ Dia: Uma semana após a ida à enfermaria.
✖ Clima: Céu limpo, sem nuvem alguma no céu para tapar as estrelas.
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Re: Ø Hopeless Place

Mensagem por Milo Rowan Chandler em Qua Dez 23, 2015 1:09 am



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Prison
Corredores
(Post #1)
  Essa noite encostei minha cabeça no travesseiro mal cheiroso de sempre e me permiti fechar os olhos, diferente das diversas vezes em que só deitava e fitava o teto imundo da cela. Eu estava dormindo, verdadeiramente dormindo, após anos apenas cochilando e acordando assustado, em posição de ataque, pensando que estava sendo arrastado para o inferno novamente. Minha tristeza era acordar, ofegante, naquele cubículo escuro e fedorento e perceber que eu não estava sendo arrastado para inferno algum, eu já estava nele e sem possibilidade alguma de escapar. Minhas mãos, erguidas e com os punhos cerrados como se eu fosse participar de alguma luta de boxe, desabavam; minha respiração, até então ofegante, diminuía até chegar a parecer que eu não respirava mais; e minha mente? Essa ficava à mil querendo arrumar um jeito, uma maneira de escapar daquele inferno, todos os dias, todos os malditos dias. Eu também estava tomando medicamento para curar a ferida que o maldito detento fizera em minha barriga, aqueles remédios davam sono e isso também ajudou. Mas não era esse o ponto. O que eu queria dizer é que nessa noite atípica, em que eu caí no sono, eu tive um pesadelo. Pode parecer algo comum, pois num lugar horrível como este não há um ser sequer que não tenha tido os sonhos invadidos por horrendas lembranças do passado, por mais durão que fosse. Mas acontece que eu não sou o tipo de pessoa que tem pesadelos, não, meus pesadelos eram com os olhos abertos, meu pesadelo era viver, dormir era o único momento de paz que eu tinha, momento este que me foi arrancado junto com minha liberdade ao ser arremessado aqui. Esse pesadelo fora tão real, tão intenso que ao invés de levantar e me "armar" para contra atacar como sempre faço, eu apenas abri os olhos e fiquei estático em cima da cama, a boca aberta num perfeito "O". "O que vocês estão fazendo comigo?", perguntei-me ao perceber que aos poucos meus sentidos iam retornando e o choque ia passando. – Estão me mudando, eles conseguiram, estão me transformando em algo que eu não sou. – Comecei a pronunciar para mim mesmo, baixinho, enquanto continuava deitado olhando para o teto. A luz da lua clareava um pouco a cela, até porque a janela que havia ali era minúscula. Ergui meu tronco, sentando naquele projeto de cama. Olhei janela à fora, vi o céu noturno cheio de estrelas e logo após olhei para o lado, bem para a parede ao lado da minha cama aonde eu marcava os dias e aonde eu escrevi a frase que servia-me de gás todas as vezes em que eu pensava em desistir. Dessa vez, ao olhar para todas aquelas barras riscadas e aquela frase também rabiscada na parede, senti um embrulho no estômago como se algo vivo estivesse revirando-se dentro de mim. O que estava acontecendo? Será que era algo daquele lugar? Será que todos sofriam do que eu estava sofrendo? No mesmo momento eu levantei e saí daquela cela. Eu não suportaria ficar ali dentro por mais um segundo sequer, era como se algo dentro daquele cubículo fosse engolir-me vivo e eu não quero morrer aqui, não posso. – Você realmente está com medo, Milo. O que fizeram com você? – Indaguei a mim mesmo enquanto andava pelos corredores, afastando-me da boca voraz da cela. Ela queria devorar-me, tinha certeza.

  Andava de cabeça baixa, balançando-a de um lado para o outro. Eu deveria estar aqui essa hora? Aliás, que horas são? Pouco importa, o que importa é que eu não estou disposto a voltar à minha cela tão cedo, eu estava experimentando um sentimento inédito. Eu estava com medo. Milo Rowan Chandler com medo, tremendo-se todo feito uma criancinha pré escolar. – Que droga! – Resmunguei alto o suficiente para parar no meio do corredor e ver se não havia chamado a atenção de ninguém. Infelizmente haviam sons, estava tão absorto em meu mais novo sentimento que nem reparei. De início pensei em esconder-me em algum lugar, como um rato, porém me esconder de quê ou quem? E pra quê? Eu estava numa prisão, ser pego perambulando pelos corredores tarde da noite é a última coisa que iria encrencar-me, até porque isso já ocorreu-me diversas vezes. Parei na metade do corredor. Comecei a enxergar uma silhueta aproximando-se na extremidade esquerda. Olhei fixamente para quem quer que estivesse aproximando-se e ergui o queixo. Assim que a figura saiu da penumbra, eu a vi. Cabelo preto, pele negra, olhar forte e fixo nos meus. Continuei fixando-a sem sair do meio do corredor enquanto a figura enigmática que também caminhava à noite aproximava-se. Mil coisas passarem pela minha cabeça, mas o que mais me incomodou foram aqueles olhos embaraçando-me. Já os vi antes. No refeitório enquanto comida. Meus olhos cruzaram com os dela e jamais esqueci-me, porém jamais a procurei. Conforme ela ia aproximando-se, comecei a andar também em sua direção. Talvez passássemos direto um pelo outro, apenas dois detentos sem sono ou com medo o suficiente para não querer retornar às suas celas. Mas não, eu senti que deveria provocá-la, deveria dizer algo, sim, era o certo e era o que eu queria, e eu sempre faço o que quero, mesmo em cárcere. – Coelhinhos não deveriam sair da toca tão tarde da noite... – Provoquei-a quando estávamos quase perto um do outro. Ela era uma coelha, há grupos nas prisão e o grupo ao qual ela pertence é aquele onde os membros escondem-se nas sombras e são extremamente taciturnos. Os odeio, não, os invejo, e simplesmente não sei o porquê. Talvez seja por eles poderem manter a calma mesmo estando enfiados nesse local sufocante e gigante. Sabe claustrofobia? É parecido, só que retire o fato de que é necessário estar num local pequeno ou abafado, pois essa prisão é gigantesca, mas à qualquer lugar que eu vá a sensação será a mesma,  – ...é quando as cobras saem pra caçar. – Fui abrindo um sorriso meio doentio para tentar intimidá-la, mas se a intimidou ela não demonstrou. Ela sabia que eu era uma cobra. Eu era, a única coisa que eu era naquela prisão era isso, tirando os dígitos que substituíram meu nome, eu era um snake, um ambicioso, maldoso, sangue frio, "medroso" (acrescentei mentalmente).

  Ia passar direto por ela quando a vi parar, ao meu lado. Talvez fosse responder algo, talvez não, mas sem saber o motivo eu estava explodindo de alegria que ela havia parado ali. Valia tudo para não retornar para aquela cela, valia até mesmo devorar o coelho, em todos os sentidos.

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