[FP] Rosi Kostopoulos, Páris [Completa]

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[FP] Rosi Kostopoulos, Páris [Completa]

Mensagem por Páris Rosi Kostopoulos em Qui Dez 24, 2015 9:43 pm



19PárisKostopoulos

Nome completo /////////////Páris Alexandros Rosi Kostopoulos

Nascimento /////////////30 de Agosto de 1996

Nacionalidade /////////////Grego

Sexualidade /////////////Heterossexual

Super-Poder /////////////Invulnerabilidade.

Medo /////////////
Ferir-se.

Faceclaim /////////////
Alexander David Turner (Alex Turner)


"Existem dois pecados capitais, dos quais todos os outros derivam: impaciência e indolência. Por causa da impaciência os homens foram expulsos do paraíso, por causa da indolência eles não voltam."

PERSONALIDADE



Páris é um garoto pacato, sensível, poético, introspectivo, um tanto confuso e distraído, vive num mundo próprio, fora da realidade que o cerca. Costuma ser tímido à beça no primeiro momento, mas basta darem corda a ele e pronto, fala sem freio e sem pausas. Ele é um garoto pacífico, sim, mas antes disso fora um garoto bruto e impaciente, com o tempo aprendera a controlar tudo isso, pois sua impaciência machucava as pessoas ao seu redor e a si mesmo. Sua tática era contar até cinco mentalmente, sua mãe o ensinara, toda vez que perdesse a paciência bastava fazer isso, mas ele contou com a ajuda de cigarros também. Não suporta ver ninguém fraco sofrendo algo, mas quando é ele a vítima controla-se, pois sabe que se perder sua paciência pode transformar-se em um outro Páris que não conhece os limites. É fumante e costuma dizer que a maior parte de sua tranquilidade vem do cigarro, porém deixá-lo sem cigarro é pedir para vê-lo explodir a qualquer instante. É sincero com todos e espera reciprocidade nesse quesito.


HISTÓRIA




"Há peculiaridades em você, pequeno Páris, que o torna uma criança atípica. Com certeza é uma criança abençoada e toda as bençãos irão cair em cima de quem cruzar seu caminho. Confesso que no começo não o queria pois não sabia cuidar de um bebê, a verdade é que eu não sabia cuidar sequer de mim. Achei que aquela pessoa que o deixara na minha porta não tinha noção, pois com tantos lares fora escolher justo o da pessoa mais imprópria para tal tarefa. Pensei em colocá-lo na adoção, mas desisti e ainda bem que o fiz. Fiz festas de aniversário, te coloquei na escola, fui em suas formaturas, te dei carinho, atenção, afeto e aos poucos fui aprendendo a ser mãe e gostando daquilo. Lembro-me de quando você era bem pequeno e sua pele era tão sensível que eu mal podia te ninar, ás vezes te colocava em uma bacia com água, pois o contato com o berço irritava sua pele, e água da bacia que você dormia tinha que ser morna, água quente ou fria demais fazia sua pele ficar vermelha como um pimentão, e você chorava tanto! Você ficava sempre nu porque chorava sempre que eu tentava te colocar uma roupa e sua pele ficava vermelha com qualquer toque. Com o tempo isso fora amenizando, mas não deixava de ser incômodo para ti, pelo menos assim o foi até o dia da explosão. Fora na França, fomos ao país e fizemos uma visita por algumas cidades, tomei todos os cuidados para que sua pele não sofresse muitos danos, queria protegê-lo e queria que aproveitasse. Houve uma explosão de gás, tivemos todos que sair de lá as pressas. Felizmente ficamos bem, mas você não era mais o mesmo. Sua pele que era tão frágil ficou resistente e qualquer movimento seu, por mais sútil que fosse, causava estragos enormes. Não sei o motivo, mas você tornara-se tão impaciente e agressivo repentinamente, não houvesse uma escola em que eu te colocasse que você não arrumasse algum tipo de confusão. Talvez fosse esse seu estilo bad boy que atraía isso, sabe, jaqueta de couro, cabelo com topete, óculos escuros e pose de malvado como aqueles garotos americanos. Só Deus e eu sabíamos que por trás do bad boy tinha o garoto sensível que gostava de escrever e compor. Te ajudei a controlar-se, porque sua pele resistente estava trazendo problemas diariamente para casa. Passamos por cima disso, mas sua pele continuou ficando cada vez mais resistente. Você nunca tomou uma vacina porque sua pele não deixava a agulha penetrá-la, e eu pensei que isso fosse te prejudicar futuramente, mas você nunca pegou doença alguma. Eu não sei o que ocorrera, mas sou grata a isso, e embora você ache que não passa de uma aberração, eu o prefiro assim, pois ao menos sei que permanecerá intacto para sempre. Feliz Aniversário, querido. Com amor, sua mãe." - Carta recebida em seu aniversário de dezoito anos, mesmo dia em que Páris soube que era adotado. 
 

Os olhinhos castanhos do garoto percorriam do relógio para a porta da sala da direção, estava ansioso e desesperado e seu comportamento denunciava isso, balançava freneticamente o pé esquerdo para cima e para baixo com rapidez. Continuava olhando para a porta, esperando, clamando para que alguém irrompesse dela e o tirasse daquela salinha mal decorada com cheiro de hortelã. Olhou ao redor e viu duas moças cochichando e lançando olhares maldosos em sua direção. “Elas sabem” Pensou abaixando a cabeça, fitando o chão. Fechou os olhos e tentou contar mentalmente até cinco. Antes de chegar no três ouviu um ranger de porta, abriu os olhos e ouviu aquela foz familiar.

— Vamos, Páris. — Ergueu o rosto e fitou uma mulher de rosto redondo, com o cabelo preso em um coque tão severo que parecia puxar seu rosto para trás, os olhos dela estavam estreitos olhando Páris com certa reprovação. Ele levantou seguindo uma outra mulher que já estava muito a frente saindo da sala. Ao sair respirou, sentia-se como se estivesse debaixo d’água e agora havia voltado finalmente à superfície, recuperando o ar. Ele continuou seguindo a outra mulher, ela percorria o corredor da escola com passos largos e ligeiros, eles cruzaram o corredor sem dizer nada um ao outro, Páris olhava as costas da mulher, seu cabelo castanho esvoaçava com a velocidade que andava. Antes que pudesse notar Páris estava fora da escola. A mulher finalmente parou.  — Você  esta bem?  — Ela perguntou ainda de costas, mas ele percebeu uma alteração bem sutil em sua voz, parecia meio embargada, chorosa. “Não, não está.” Ele pensou. Houve alguns minutos de silêncio.
— Sim. — Respondeu quebrando o silêncio, não era a resposta sincera, mas foi a melhor resposta que ele pensou no momento. — Eu fui expulso? — Indagou com indiferença, embora a resposta pudesse fazer bastante diferença para ele, preferiu não demonstrar, fazia muito isso.
 —Foi. — A resposta veio de imediato. Páris cerrou o punho. “Culpa deles”. Pensou com selvageria enquanto materializava mentalmente Joseph e Carl. — Mas não se preocupe, nós vamos achar outra escola e...
— Não. — O garoto a interrompeu enfiando as mãos no bolso, queria esconder os punhos pois sabia que ela saberia que ele estava com raiva, e ela odiava quando  seu Páris sentia isso, pois dos poucos defeitos que tinha, a impaciência nele era o que mais a preocupava.
— Páris, a culpa não foi sua. — O garoto não deu ouvidos apenas caminhou com as mãos no bolso fitando o nada, agora ele é quem estava de costas para ela. — Você não tem culpa de ser...
— Ser o que mãe? — Ele perguntou virando–se para encará–la. Agora ele conseguia ver seu rosto, seus olhos castanhos estavam marejados e vermelhos, sua pele era alva, seu cabelo castanho combinava com seus olhos e sua boca bem definida que ficava linda quando ela sorria, mas ela não estava sorrindo. — Estranho? Anormal?...
— Especial. — Ela o cortou.
— Especial? — Páris indagou com zombaria. Ele tirou um canivete do bolso, a lâmina estava polida e bem afiada, ele arregaçou a manga da sua blusa e tentou fazer um corte no pulso, mas nada ocorreu. Ele então levantou a blusa, exibindo músculos bem definidos e tentou fincar o canivete em si, mas a lâmina amassou. Ele forçou um sorriso. — Ser especial tem me custado muita coisa, eu sinto muito mas preferia ser normal. — Virouse e continuou andando.
— Páris Alexandros, volte aqui, por que você está andando com um canivete? — O garoto balançou a cabeça negativamente e continuou andando. Uma lágrima escapou de seu olho e percorreu por seu rosto, fazendo uma curva bem em sua covinha na bochecha e por fim chegando ao queixo.
— Droga. — Murmurou limpando a lágrima com raiva, odiava chorar, odiava sorrir, odiava demonstrar qualquer sentimento, chorava pra dentro, ria pra dentro, se sentia fraco sempre quando alguém observava momentos como esse. Pegou seu celular e fone, plugou o fone no celular e começou a ouvir Titanium, essa música o reconfortava tanto, ele se identificava , pois era assim que ele era, querendo ou não ele era como um titânio.
You shut me down, but I not fall, I’m Titanium. Cantou baixinho um verso enquanto caminhava. Parou lembrando do que lhe ocorrera a poucas horas.

 “Corria em direção a nova escola, estava atrasado e desde o dia em que chegou jamais conseguiu chegar cedo, os dias de neve sempre o fizeram sentir – se estranho e por isso acordava demasiado tarde. Corria com dificuldade por causa da neve que cobria todo o seu pé e por justamente não ver aonde estava pisando acabou caindo. Caiu de rosto na neve e sentiu um frio insuportável nas bochechas, ficou de joelhos enquanto tirava o pouco de neve que restara no rosto.


— Olha se não é o otário do ano, Páris Alexandros, ou melhor dizendo o otário do século. — Ergueu os olhos e viu Andreas Katsouranis e sua gangue de valentões, revirou os olhos levantando lentamente.
— Dá um tempo, Katsouranis. Ele ia passar pelos garotos, mas foi puxado para trás por Dimitris e Nikolaus que sempre acompanhavam Andreas aonde quer que ele fosse. Páris respirou fundo, sabia que não poderia perder a linha com eles.
- Você tá muito marrentinho hoje rainha, o que houve? – Andreas tentou empurrá-lo, mas ele sequer saiu do lugar. O valentão encarou-o surpreso dando um passo para trás. Anda malhando, rainha? Páris sorriu.
— Não, você que deve estar ficando fraco. — Páris ia passar por eles, mas Nikolaus agarrou seu capuz e o impediu de continuar andando, Páris fechou os olhos contando até cinco mentalmente. Virou-se e antes que pudesse assimilar o que estava acontecendo viu um punho fechado vindo em sua direção, o soco atingiu sua testa e seu nariz, Páris continuava com os olhos fechados, a única coisa que pôde ouvir foi um barulho como se algo estivesse quebrado e os gritos de Andreas Katsouranis.
 Ah, minha mão! — Abriu os olhos e viu o garoto agonizando de dor no chão, sua mão estava dobrada e quebrada, ele gritava enquanto todos olhavam com pavor a cena.
— O que você fez, Kostopoulos? — Nikolaus disse indo para cima de Páris, mas Dimitris o segurou antes que ele cometesse o mesmo erro de Andreas. — Seu esquisito.  Niko cuspiu no rosto de Páris que simplesmente limitou-se a fechar os olhos sentindo o cuspe escorregar pelo rosto, limpando com a manga da blusa logo em seguida. Virou–se, saiu dali e naquele mesmo dia foi chamado à direção, a diretora Samaras o arrastou e o jogou em um canto da secretária.
 Eu não vou mais aturar seu modo violento Páris! — Ela apontava o dedo para o rosto dele, falava alto e descontroladamente, quando pareceu finalmente acalmar de sua cólera ela se recompôs e voltou a agir como uma diretora respeitável. — Fique aqui que eu vou ligar para sua mãe. — Ela foi para a diretoria batendo a porta com violência, Páris ficou sentado fitando a umidade na gola de sua blusa, era o cuspe de Nikolaus Gekas.”

 Haviam-se passado várias dias, Páris havia programado uma ida à Acrópole, pois a paisagem do local o acalmava, as árvores cercavam tudo, a paisagem com construções em ruínas, as colinas rochosas e tudo aquilo coberto por uma frágil camada de gelo ficava ainda mais belo. Foi para o local e acabou ficando lá, sentado, vendo o dia acabar e a noite vir à tona, deveria voltar para casa em breve. — Voltar.  — Disse baixinho, fechando os olhos e abraçando-se por causa do frio. Ouviu algumas vozes e risos, olhou para trás e viu um grupo aproximando-se.  — Merda.  — Ele disse levantando-se rapidamente.
— O que você está fazendo aqui? — Nikolaus perguntou olhando Páris com ódio.
— Aqui é algum lugar privado? Que eu saiba qualquer um pode vir aqui. — Páris avistou Efi no meio do grupo e percebeu que a garota olhava para ele com certo interesse, Páris ruborizou, mas fitou o chão para esconder. — Eu já estava de saída mesmo. — Ele disse descendo da pedra e indo rumo ao jardim.
— Se quiser pode ficar. — Uma voz familiar o fez parar e perder por alguns segundos o ar. Por um instante ele teve vontade de ficar só porque ela pedira.
— Ficou louca Efi, é do Páris estranho que estamos falando. — Uma outra menina falou, Páris a conhecia, era Chara, ela nunca gostou realmente dele, embora estivesse presente em todas suas festas de aniversário obrigada por sua mãe.
— Eu concordo com Chara, deixa ele ir. — Niko apoiou a ideia da garota. Páris sorriu forçado.
— Se eu realmente quisesse eu ficava, o lugar não é de vocês, mas eu tenho amor próprio. — Ele desmanchou o sorriso, virou-se para florestava e começou a caminhar, precisava sair daquele local, estava começando a anoitecer.
— Ele não ficaria depois do que ele fez com o Andreas, monstro. — Páris ouviu essas palavras e contou até cinco mentalmente, sua vontade de voltar até lá e amassar o rosto de Nikolaus era enorme, mas ele aprendeu a controlar seu ódio. Começou a caminhar pelo jardim, os topos das árvores estavam cobertos de neve, ele ficou observando por alguns minutos.
— You shut me down, but I’m not fall, I’m Titanium. You shut me down, but I’m not fall, I’m Titanium. — Ele começou a cantar o verso de seu hino. Isso era um grito de liberdade, o jardim estava vazio, ele poderia cantar o mais alto que pudesse e assim ele fez, cantou seu hino para as árvores, para os insetos e talvez até para o grupinho que abandonara perto das ruínas que estava agora há pouco.
— Fire away, fire away... — Páris abriu os olhos e virou assustado. Efi estava atrás dele, cantando com sua doce voz, seu hino, cantando junto com ele. “Deve ser algum delírio”. Ele pensou enquanto recuava ainda meio confuso. — Você estava cantando Titanium não é mesmo? — Ela sorriu deixando Páris todo desconcertado, seu sorriso tinha sempre o mesmo efeito. — Eu adoro David Guetta. — Aproximou-se do garoto, mas a cada passo ele recuava ainda mais, ela ergueu uma sobrancelha mirando seus olhos castanhos nele. Páris ficou rubro, fitou o chão e continuou de cabeça baixa sem dizer nada. — Qual foi? Eu sei que eu não sou a garota mais bonita do mundo, mas não precisava desviar o olhar. — Efi riu aproximando-se novamente dele, ela ergueu a mão para apoiá-la no ombro dele, mas por algum motivo ele afastou sua mão com um empurrão nada delicado. — Tudo bem se não quiser conversar não precisa ser rude. Eu só quis ajudar. — Páris olhou de relance para Efi, sua cabeleira loira se afastava voltando pelo caminho que ele havia passado antes. Engoliu em seco, abriu a boca, mas não emitiu som algum, ficou assim observando Efi afastando-se.
— Eu também gosto de David Guetta. — Ele praticamente gritou, Efi parou virando lentamente e ficou observando o rapaz por alguns instantes de longe. — Principalmente dessa música. — Aos poucos ela vinha caminhando em sua direção, lentamente, parecia alguém que tentava ter alguma interação com um animal bastante selvagem, era preciso cuidado, qualquer movimento brusco e pronto, é abocanhado. — Essa música é meu hino sabe, as pessoas vivem tentando me colocar pra baixo por se isolado, vivem me atirando pedras, mas eu não caio, sou resistente, sou de titânio. — Ele sorriu, um sorriso meio torto, espontâneo, há séculos não sorria dessa maneira, tinha que reaprender aos poucos. Efi sentou perto de uma árvore não muito distante dele, o observava com o mesmo olhar que ele notara receber nas ruínas quando ela chegara com o grupo de amigos da escola, com um interesse, uma curiosidade.

— Eu sempre tive um interesse enorme pela sua figura. — Ela disse, como se tivesse lido sua mente, jogando seu cabelo platinado para trás. — Páris Alexandros Kostopoulos, tão calado, tão misterioso...
— Tão estranho. — Ele completou assentando-se também um pouco distante.
— Tão interessante. — Ela disse com um tom de correção. — É sempre bom conhecer pessoas novas, mas conhecer de verdade sabe, bem a fundo mesmo, eu achei que poderia fazer isso com você, eu tentei na quarta série, lembra? — “Claro que lembro”. Páris pensou lembrando-se da primeira vez que avistara a menina, nunca havia visto uma figura tão viva, tão alegre em toda sua vida, se apaixonara desde a primeira vez que a viu e essa paixão durou até os dias atuais.
— Sério? Não lembro. — Franziu a testa fingindo estar tentando se recordar, a verdade era que ele lembrava de exatamente tudo, lembrava até a cor do vestidinho que Efi usava, lembrava da sua mania de mastigar a língua quando ficava nervosa, lembrava de absolutamente tudo.
— Mas eu me lembro. — Ela disse desenhando algo na neve. — Você sentava bem lá no fundão, e eu fui lá trás tentar amizade, mas você praticamente me expulsou de lá. — A loira sorriu continuando seu desenho, Páris a observava atentamente, como se fosse possível seu interesse romântico por ela tornar-se ainda maior após esse depoimento, ele nunca pensou que aquela garota soubesse da existência dele após disso, e muito menos que carregasse alguma memória dele consigo. — Eu passei minha quarta série toda tentando arrumar um jeito de te conhecer, mas eu desisti, você afastava as pessoas com uma barreira invisível. — Ela terminou o desenho e o encarou. Mais uma vez Páris sentiu suas bochechas queimarem, mas não desviou o olhar. — Eu sempre me perguntei porque você fazia isso, porque afastava as pessoas. Até o dia em que eu descobri. — Ela levantou aproximando-se dele. — No dia em que você sofreu um acidente de bicicleta, eu estava passando com o meu cachorro e vi você caindo, você voou e bateu na lateral da caminhonete do senhor Georgios. Eu fiquei preocupada, ia correr para te ajudar, mas você levantou assustado olhando de um lado para o outro, pegou a sua bicicleta e pedalou o mais rápido que pôde, sem nenhum arranhão, sem nenhum machucado. Já a caminhonete do senhor Georgios, bem, ele teve que trocar a porta do lado esquerdo pois estava completamente amassada, como se algum carro tivesse batido nela. Páris respirou fundo, Efi continuava encarando ele, seus olhos castanhos tinham um brilho que ele jamais vira antes, ela sorria, um sorriso de vencedora.  Páris ergueu-se chegando mais perto dela.
Você contou para alguém? Ele perguntou com a voz alterada, parecia irritado, mas por dentro se sentia aliviado de não ter que esconder nada para ela.
— Não Páris, eu não contei e jamais contaria, até porque ninguém iria acreditar. — Ela o empurrou de leve, sorrindo, mas ele continuou olhando ela de uma maneira séria. — Agora que eu já quebrei seu escudo, que tal você me mostrar quem você realmente é? — Páris desmontou sua postura séria e deu um sorriso, o melhor de todos, balançando a cabeça negativamente.
— Você não gostaria de me conhecer realmente. — Ele começou a rodear a garota, ela permanecia imóvel sorrindo desafiadora, por alguns minutos os olhos de ambos cruzaram-se e ele parou preso ao olhar caramelado de Efi.
— Me mostra e eu descubro se eu gosto. — Ela aproximava seu rosto ao rosto de Páris lentamente, os olhos dela estavam fixos nos dela e vice e versa. Ele sentia seu rosto queimando mais uma vez, mas não conseguia mais resistir a vontade de ficar cara a cara com Efi. Por mais que tentasse lutar contra essa vontade, mais preso ficava ao seu olhar. “Como uma teia de aranha”. Pensou sorrindo apenas observando os lábios dela ficando cada vez mais próximos dos seus. Conseguia sentir sua respiração, fechou os olhos pois sabia bem o que iria ocorrer.
— Efi! — Todo o encanto foi quebrado, uma voz interrompeu todo o clima que se instalara no local, aquela voz grave e que soava como uma chicotada acabou com o momento que Jon tanto sonhara em toda sua vida. — Você só pode ter perdido o juízo. — Niko aproximou-se puxando Efi pelo braço, a afastando de Páris.
— Niko, o que que você está fazendo aqui? — Ela encarou o garoto que a puxara com raiva, a interrupção pareceu ter afetado mais ela do que Páris.
Eu é que te pergunto, o que você faz aqui com esse anormal? Nikolaus lançou um olhar desdenhoso a Páris, Efi o fitou, ele estava sorrindo de braços cruzados, ela sorriu também e livrou-se do aperto de Nikolaus. Efi, vamos.
Se quiser ir tudo bem. “Mentira, não está”. Pensou enquanto observava Efi entre ele e Nikolaus. Afinal eles são seus amigos, eu sou só um estranho que você acabou de conhecer, é mais lógico que você vá com eles. – “Fica aqui, corre comigo”. Seus pensamentos quase escaparam por sua boca, mas nunca foi de dizer o que pensa, guardava tudo para si e isso não era uma mania que estava disposto a largar.
Efi estava entre Nikolaus Gekas e Páris Kostopoulos, olhava de um para outro confusa. Niko estava com a mão estendida em sua direção e com um olhar de censura. E embora Páris estivesse com os braços cruzados, seu olhar falava por si só, praticamente implorava pela presença dela, suplicava que ela permanecesse ali com ele e isso era bem nítido.
Eu vou ficar. Ela decidiu indo na direção de Páris. Niko balançou a cabeça negativamente.
— Mary, você não vê que ele pode te machucar? Você viu o que ele fez com a mão do Andreas, ele é violento. — Nikolaus cerrou o punho, soltava fumaça pelas ventas só de imaginar Efi e Páris a sós.
— Eu sou violento? — Páris indagou em um tom irônico, sorrindo e olhando para o alto. — Ele tentou me dar um soco e eu sou violento?  — Continuou zombando. Niko estalou o pescoço aproximando-se lentamente, Efi se colocou diante dele impedindo que avançasse.
— Eu odeio esses seus deboches Kostopoulos, mas vai ter troco. Páris ficou sério encarando o garoto que apontava um dedo em sua direção. Você vai se arrepender, pode aguardar. — Ele olhou para Efi que estava parada em sua frente. — Quando você voltar a si, sabe onde me encontrar. — Nikolaus virou-se e saiu a passos largos. Após essa cena ambos ficaram calados até que Efi decidira quebrar o silêncio.
— Vamos sair daqui? — Ela perguntou e Páris assentiu lentamente concordando com a ideia. Ambos seguiram para fora do jardim, conversando e trocando ideias. Efi tinha mais em comum com Páris do que ele imaginara, ambos gostavam do mesmo estilo musical, tinham paixão por instrumentos musicais, curtiam os mesmo filmes, gostavam dos mesmo livros, enfim, a quantidade de coisas que os dois tinham em comum eram tão absurda que o papo acabou rendendo. Páris nunca  havia se soltado tanto em um conversa como havia se soltado naquela com Efi, ele ria, interagia, cantarolava versos de músicas que gostava, fazia coisas que nunca fez com ser humano algum, exceto com sua mãe. Os dois acabaram indo ao Cine Paris, um cinema ao céu aberto que ambos gostavam de frequentar. Páris sentia-se abençoado toda vez que Efi sorria com alguma cena engraçada do filme, era com certeza um presente o sorriso dela. O filme acabou e agora os dois iam correndo para o ponto de táxi mais próximo. — Tenho que ir, está tarde. — Ele olhou para o alto e viu às horas em um relógio numa torre.
— Eu também tenho que ir, bem até mais. — Efi foi beijá-lo e Páris sem querer virou o rosto, os lábios dos dois tocaram-se. Ele arregalou os olhos enquanto Efi afastou-se meio embaraçada. — Me desculpe, Páris. Eu ia te dar um beijo na bochecha, mas você virou.. — Páris percebeu Efi ficando vermelha a cada vez que tentava se explicar, ele sorriu de maneira amistosa.
— Tudo bem, afinal a culpa foi minha, foi eu quem virou e tal. — Ela sorriu respirando fundo, parecia aliviada.
— Ok, então até mais. — Efi virou-se e saiu andando com seu cabelo platinado esvoaçando por causa da fria corrente de ar. Páris ficou parado por um momento observando-a afastar-se e entrar em um táxi. Roçou os dedos nos lábios, normalmente estariam frios e ressecados, mas não agora, agora estavam bem quentes e um pouco úmidos. Virou-se e foi para casa com a mão ainda na boca e resolveu ir andando um pouco, estava agitado.

No meio do caminho encontrou uma silhueta com capuz, não estava muito tarde, porém ainda assim tinha medo de se meter em alguma encrenca. Resolveu que passaria direto, sem olhar para os lados. Mas, ao aproximar-se de figura encapuzada e com luvas na mão (ele pôde perceber agora), notou que quem estava por trás daquela máscara não era alguém totalmente desconhecido, era Nikolaus. Ele removeu o capuz olhando friamente para Páris e sacou uma arma quadrada e cromada que reluzia sobre a luz do luar, sem dizer absolutamente nada.

— O que você tá fazendo, Nikolaus? Abaixa isso! — Páris engoliu em seco recuando dois passos para trás.
— Você acha que eu não vi os dois pombinhos? Eu os segui, segui os dois, logo após que voltei para casa pra buscar isso aqui. — Ele balançou a arma ameaçadoramente. — Busquei pois tinha medo de que você a machucasse. — Seus olhos tinham um brilho sinistro e Páris estava ficando realmente assustado. — Você não vai ficar com ela, Páris, jamais, ela nunca ficaria com alguém como você e você sabe que não pode tê-la, você a machucaria se tentasse. — Por mais que aquelas palavras doessem, não passavam de pura verdade e Páris sabia disso.
—  Não precisa me dizer isso, eu já sei, eu não tentei nada com ela, se era essa a sua preocupação pode ficar tranquilo. Agora posso ir? — Mesmo após dizer isso, a arma continuava apontada em sua direção.
— Não, ainda não acabou. Você merece levar um prejuízo por conta do que fizera ao Andreas. — O dedo de Nikolaus já estava no gatilho.
— Nikolaus, calma...
— Cala a boca, não pronuncie o meu nome! — Ele estava histérico e realmente não havia como controlá-lo. Os barulhos dos dois tiros vieram preenchendo o ar e quebrando o silêncio daquela pacata noite. Páris apenas tapara os ouvidos e fechara os olhos não sentindo absolutamente nada perfurar sua pele. Tirou as mãos dos ouvidos, abriu os olhos e viu um Nikolaus trêmulo diante de si. A arma escorregara de sua mão e ele estava em choque. Páris foi em sua direção e pegou a arma, arremessando-a para algum canto ao lado. — O que é você? Um alien? — Páris não respondeu, apenas deu as costas a ele e saiu andando. Estava tenso, nervoso e queria chorar, explodir, mas antes que a onda de sentimentos que o invadia pudessem tomá-lo por completo ele ouviu outro barulho de tiro. Olhou para trás e viu Nikolaus caído no chão. Ele correra em direção ao garoto que segurava uma das pernas. Havia sangue ali, bastante sangue que vazava de um furo no jeans. Páris o olhou horrorizado.
— O que foi que você fez?
— Eu não Páris, você. — Páris balançou a cabeça negativamente, afastando-se. — Você atirou-me, você, você! — O barulho da viatura já estava próximo. Páris olhou para o rosto de Nikolaus que apesar de estar contorcido de dor, ainda exibia um sorriso demonstrando sentir um pouco de prazer naquilo tudo. A policia chegara rápido, Páris fora algemado e afundado para dentro da viatura sem sequer protestar, pois não conseguia acreditar na perversidade do plano que Nikolaus aprontara a ele. Dentro da viatura mesmo um policial pressionou um pano com álcool sobre seu nariz. Ele debateu-se, mas foi em vão, estava apagado.

A ENTREVISTA



Abriu os olhos e estava algemado num maca, pés e pernas. Sentia-se tonto, não conseguia erguer sequer a cabeça para saber aonde estava, mas sabia que aquele não era um bom lugar. Jogou a cabeça para o lado e viu um frasco com soro, estavam dando-lhe soro, então estava em um hospital? Sim, provavelmente, e as algemas era porque agora era um detento, atirara em Nikolaus, ou pelo menos fora o que ele fizera que todos acreditassem. Fechou os olhos, mas os abriu novamente dando-se conta de algo. Estava tomando soro, havia uma agulha perfurando sua pele, nada perfurava sua pele. Naquele mesmo instante sentiu-se amedrontado e fraco. Gritou por ajuda, mas ninguém apareceu. Ficou ali observando aquela agulha em sua pele  até que finalmente surgira alguém. Um homem de capuz e vestido como um médico surgiu com uma prancheta em mãos. Páris o observou, ele carregava uma bandeja com uma pilha de seringas, mas uma em especial, com líquido cinza chamou a atenção de Páris. — Eu estou doente? — O homem não respondeu, apenas continuou mexendo em seus instrumentos, ignorando-o. — Como enfiaram isso no meu braço? — Novamente não obteve resposta. O médico enfiara suas mãos em luvas de borracha e logo após sentou-se numa cadeira ao lado da maca com a prancheta em mãos. O médico começara a fazer perguntas, mas ao invés de ouvir uma voz comum, era uma voz mecânica que soara nos ouvidos do jovem grego. 


O que você tem de único? Qual sua melhor qualidade e seu pior defeito?
Páris ficou confuso, sentiu-se incomodado. Olhou para o médico e para a prancheta. — Isso é um hospital? Que tipo de pergunta é essa? — Não obtivera resposta, teve enfim a certeza de que não obteria nada daquele ser diante dele. Olhou para o quarto ao redor, era todo branco como se fosse de fato um hospital, mas também poderia ser... uma clínica psiquiátrica, isso justificava as perguntas. Engoliu em seco, fechou os olhos e enfim respondeu a pergunta que por pouco quase esquecera. — Eu, meu ser, todos nós somos únicos a nossa maneira. Meu defeito é impaciência, minha qualidade é sinceridade.

Por quais motivos acha que veio para cá? O que vai fazer se eu te contar que nunca mais vai poder voltar para casa?
— Eu também não sei, talvez porque eu tenha atirado em meu colega de escola ou talvez porque esteja louco? — A pergunta seguinte o fez gelar, ele ergueu a cabeça puxando o braço para tentar livrar-se das algemas. — O que você quer dizer com nunca? Quanto tempo dura o seu nunca?

Qual era a coisa mais importante na sua antiga vida e por que era isso?
Antiga vida? Nunca mais? Aquelas coisas estavam realmente preocupando Páris, afinal aonde realmente estava? — Eu não irei responde mais nada, eu quero respostas! Que lugar é esse? Que perguntas são essas? Alguém me tira daqui, socorro! — Começou a debater-se e preocupou-se quando sentiu as algemas machucando seu corpo, não eram para machucá-lo, jamais fora machucado. O homem de capuz percebeu sua agitação e inserira algo no frasco de soro que ia para o seu organismo. Páris debateu-se ainda mais, algumas lágrimas caindo do rosto. Foi acalmando-se gradativamente. — Não tenho nada de importante, nada. — Pelo menos era o que achava, mas sua mãe era a coisa mais importante que tinha e Efi, à partir daquela noite também o era.

Se defina em três palavras. 
— Impaciente, introspectivo, sincero. — Respondeu com os olhos semicerrados. 

Qual seu maior medo e o que você faz para combate-lo?
— Machucar-me, ferir-me. — Tanto fisicamente quanto sentimentalmente. Embora os danos físicos não pudessem atingi-lo devido à sua habilidade (exceto por hoje, o que o deixara apavorado), não havia nada que pudesse blindar seus sentimentos, então ele o fazia tornando-se introspectivo. Após responde isso ele apagou de vez e só acordou algumas horas depois num lugar totalmente diferente, uma cela. A porta estava aberta, mas ele não saiu, apenas sentou no chão, abraçou a própria perna e contou até cinco mentalmente.


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Alexandros
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Páris Rosi Kostopoulos
the calm before
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