[FP] Pavlovitch Vogt, Morgana

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[FP] Pavlovitch Vogt, Morgana

Mensagem por Morgana Vogt Pavlovitch em Ter Dez 29, 2015 7:52 am




42MorganaPavlovitch

Nome completo /////////////Morgana Vogt Pavlovitch

Nascimento /////////////02/04/1973

Nacionalidade /////////////Russa

Sexualidade /////////////Heterossexual

Super-Poder /////////////Magmocinese

Medo /////////////
Diga alguns.

Faceclaim /////////////
Angelina Jolie


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PERSONALIDADE


Calculista pode ser a primeira palavra que define Morgana. Nada é feito por ela sem ser muito bem pensado e planejado antes, não se recorda da última vez em que fora pega de surpresa, sempre pensa nas mil e uma possibilidades do que possa vir a acontecer. A ironia também está presente em sua vida, com ela a mulher não fica desgastada e cai na gargalhada ao ver o outro lado se revoltado devido a sua indiferença e tranquilidade, mesmo que por dentro ela possa estar querendo matar alguém se ela não quiser que você saiba, você não irá saber. Talvez mereça um prêmio Nobel de melhor atriz da década.

Sempre gostou de algo que lhe proporcionasse desafios e muita adrenalina, por isso foge de pessoas grudentas e controladoras, pessoas que tentam saber o que faz 24h por dia, até por que seu trabalho exige sigilo. Se quiser sua atenção comece uma conversa sobre algo construtivo, não o que você comeu no café da manhã ou como está o tempo e muito menos dizendo seu nome, se ela quisesse saber iria perguntar. Odeia pessoas que não vão direto ao ponto, ficam enrolando ao invés de dizerem logo o que querem, com certeza quando chegar ao ponto ela já não estará mais ao seu lado, o tédio fará com que ela se mande rapidamente.

Raramente pede para que alguém faça alguma coisa para ela, as pessoas tem o péssimo hábito de cobrar por tudo que fazem, inclusive ela. Extremamente perfeccionista, não suporta erros. As pessoas vivem reclamando de que não suportam mentiras e traições, bobas elas que se permitem acreditar no que outros falam. Morgana não tem esse problema, pois já perdeu a crença na sociedade, só confia em si mesma. E caso demonstre alguma fagulha de confiança e acabar sendo desapontada, é melhor essa pessoa correr, pois ela não perderá seu tempo reclamando, agirá com suas próprias mãos. As únicas pessoas que ainda conseguem mexer com suas emoções sem esforços são as crianças, ainda acredita na inocência delas. Ela sente e não sente, talvez seja uma grande incógnita.

HISTÓRIA


Meus saltos ecoavam um som agradável para os meus ouvidos quando entravam em contato com o assoalho. Meus passos eram lentos, me permitindo analisar cada detalhe do corredor, inclusive as câmeras que se moviam quando passava por elas. Albert com certeza já sabia que eu estava ali. Abri um leve sorriso mostrando parte dos meus dentes para as mesmas e acenei com uma das mãos. Ah, quem é Albert? Bom, ele é só mais um que se recusa a fazer o trabalho sujo, deixa isso para as mãos de mercenários, no caso eu.

Ao chegar em frente a uma porta de vidro meio fosco me deparei com dois guardas. Assim que a voz permitiu minha entrada na escuta que ambos tinham nos ouvidos cada um segurou em uma das maçanetas e abriram a porta. - Quanta gentileza, muito obrigada. - O som agradável que vinha dos meus saltos cessou assim que  os mesmos entraram em contato com um tapete q cobria quase 100% do lugar. O homem meio fora de forma virou a cadeira, permitindo que eu o analisasse melhor. Haviam algumas olheiras em seu rosto, com certeza eram das noites sem dormir preocupado. A calvície havia lhe tirado boa parte dos cabelos grisalhos. A única coisa que podia se admirar naquele homem era o par de olhos verdes que carregava, que desperdício.

Finalmente ele se levantou e indicou com uma das mãos a cadeira a minha frente. Passei pela mesma e me sentei de uma forma calma, cruzando minha perna direita por cima da esquerda. - Ainda bem que não demorou e aqui está o seu primeiro pagamento. Me disseram que você é bem eficiente e é isso que procuro.- Ele colocou uma maleta de couro por cima da mesa. A virei para encontrar os botões de acesso e assim que os encontrei abri. Havia algo equivalente a seiscentos milhões de reais ali dentro. O sorriso brotou nos meus lábios automaticamente e a fechei, me deparando com a face do homem. - Seja direto, por favor. - Ele fez um movimento positivo com a cabeça e um gesto permitindo algo para o homem atrás de mim.

As luzes foram se ausentando um pouco e meu olhar se fixou na tela acima da cabeça dele. - Príncipe Charles, reconhece? Para ser direto e bem claro, quero que se infiltre na vida dele, faça com que ele fique caído aos seus pés. - Não desviei meu olhar da tela, poupei-me de ver a cara dele enquanto elaborava seu plano maléfico, quase bocejei. - Preciso que ele confie em você a ponto de lhe contar alguns segredos de estado. Assim que meu interesse por ele for nulo, mate-o e me encontre para receber a segunda parcela de seu pagamento. - Agora sim eu o observava. Provavelmente era mais um amigo que fora deixado para trás ou não passava de pura ambição por poder. - Peça ao seu primo para que sesse as buscas por uma esposa, por hora serei a dele, depois irei sumir do mapa. Assim me infiltrarei melhor. - Pesquisei a vida dele por completo antes de chegar ali e descobri que tinha um primo inglês que era duque. O mesmo primo que era muito amigo de Charles. Nada melhor do que já ter um passaporte direto para a casa dele.
******
Esse era meu trabalho, chegar, encantar e matar. Simples não é? Mas acabou se transformando em uma história meio clichê de dois amantes.

O Duque, primo de Albert, tinha o vício de dar festas, então não foi uma coisa difícil de convencê-lo a fazer. Após a missa de casamento que eles insistiam em fazer todos foram para um casa de festas não muito distante dali. Ao chegarmos lá centenas de rostos que nunca havia visto antes vieram me cumprimentar e com a boa educação que tinha que encenar tratei todos muito bem. Meus olhos vasculhavam, sorrateiros para que ninguém percebesse, o príncipe que muito provavelmente estaria ao lado de sua esposa.

O tédio estava quase me atingindo, se não fosse pela variedade de bebidas alcoólicas eu já teria dormido, mas ainda não haviam surtido muito efeito. - Maldita resistência. - Praguejei e me virei, apoiando as costas no balcão. Coloquei o pé esquerdo no apoio que havia em baixo do mesmo e cruzei a perna direita por cima dela, coloquei cuidadosamente algumas mechas do meu cabelo que estavam moldadas em leves cachos e as joguei por cima de meu ombro. - Boa noite senhorita Kargarov. - A voz um tanto sedutora inundou meus ouvidos. Balancei levemente a taça que tinha em mãos, fazendo com que o vinho se misturasse e beberiquei um pouco do mesmo. Retirei a taça de uma forma lenta de meus lábios e me virei aos poucos me deparando com o homem moreno.

Ele segurou calmamente em minha mão livre e a levou até seus lábios, depositando um beijo na mesma. - Boa noite. - Fiz uma leve reverência com a cabeça, mas não inclinei meu corpo, não me curvaria diante dele, meu orgulho não permitia. - Parabéns pelo casamento. - Ele enfim largou minha mão. Coloquei a taça por cima do balcão e tornei a observa-lo. - Obrigada. - Um sorriso se desenhou em meus lábios e o Duque apareceu por trás de mim, envolvendo seus braços em minha cintura, me contive para não revirar os olhos me mantive sorrindo. Levei minhas mãos até as dele que pousaram em minha cintura e entrelacei nossos dedos. - Posso rouba-la para uma dança, Alexander? - Alex pegou minha mão e levou até a de Charles que estava estendida. - Não abuse da minha garota. - Ele selou nossos lábios antes de me deixar com Charles. Que tipo de homem entrega de bandeja sua mulher? Talvez seja por isso que se divorciou 6 vezes, mas também não iria imaginar que seu amigo tem segundas intenções. Ai está mais um motivo que sustenta minha desconfiança em tudo e todos.

Enquanto a mão esquerda de Charles segurava a minha esquerda, me deixando um pouco a sua frente, a mão direita deslizou pelas minhas costas até parar um pouco acima da minha bunda. Ao chegarmos na pista todos os olhares se fixaram em nós, inclusive o de Diana que parecia querer me fuzilar com os dela. Charles me rodopiou e por fim me puxou pela cintura, tornando a distância entre nossos corpos nula. Tocou algo um pouco mais rápido que uma valsa e então ele começou a me conduzir. Eu podia sentir a respiração dele em meu pescoço quando a música chegou em uma parte mais lenta.

E foi assim que começou. Quase que semanalmente convidava o Duque(Alexander) para um jantar, sabendo que eu iria junto, arrumava passeios, pretestos para nos encontrarmos. Lembro-me de uma noite em especial, foi depois dali que minha vida mudou mais ainda. Alexander havia me pedido para levar uma caixa para ele, chegando na mansão o encontrei arremessando tacos de golfe contra a as árvores, alguns já estavam partidos. Havia brigado com Diana e o pilar da discussão era eu. Depois eu banquei a amiga e ele começou a falar sobre o drama de sua relação e problemas políticos. Depois de tudo terminou com a frase ''agora ela terá direito de falar que eu a trai''. Eu já esperava por isso, mas não tão cedo. Eu não iria ceder, mas quando seus dedos percorreram toda a linha dos meus ombros até chegarem em meu pescoço, fazendo com que eu me virasse para olha-lo. Nossos lábios se tocaram ''acidentalmente''. Com certeza já sabem o que aconteceu depois disso e umas quatro ou cinco vezes mais. Eu não estava perdidamente apaixonada por ele ou algo do tipo, mas havia muita atração física. Podia lidar  perfeitamente com isso e continuar com meu trabalho se não fosse o que aconteceu logo depois...

_wednesday::13:12::four weeks after

Com licença. - Me retirei de uma forma educada da mesa de jantar. Assim que virei o corredor e os olhos deles já não podiam me enxergar corri o mais rápido possível em busca do banheiro mais próximo. Só deu tempo de abrir a tampa do vaso e colocar todo o me almoço para fora. - Era o que me faltava. - Fechei a tampa do vaso e me sentei no chão. Puxei um pedaço de papel higiênico e limpei minha boca. Eu era nova, mas não era ingênua, sabia exatamente o que aquelas náuseas e vômitos repentinos podiam ser, mas Charles não poderia saber disso. Não agora. Abri a parte de baixo em busca de alguns remédios, eu sabia exatamente como aborta-lo. A gestação ainda estava no começo, qualquer remédio forte que eu tomasse poderia causar um aborto espontâneo. Peguei alguns e cheguei a levar até meus lábios, mas meu senso de humanidade decidiu bater justamente na hora errada. Arremessei os comprimidos longe e respirei fundo, apoiando minha cabeça na parede novamente.

Levei ambas as mãos até minha barriga e respirei fundo, acho que nunca fui pega de surpresa desse jeito, mas a criança não tinha culpa. Me coloquei de pé e fitei meu reflexo no espelho, abri a torneira e molhei minha mão, em seguida levei a mesma ainda úmida até minha nuca. Repeti o gesto duas vezes e depois fiz o mesmo, mas colocando a mão úmida em minha testa. Não queria um drama com o Duque, até por que o que eu tinha por ele era pura encenação e muito menos que Charles ficasse inventando desculpas para não assumir o filho. Sei que não sou um exemplo de pessoa e muito menos de mãe, mas eles não iriam crescer assim, sendo conhecidos como bastardos e jogados pelos cantos. Capaz de eu matar com minhas próprias mãos quem fizesse isso.

Depois de passar o resto do dia analisando os fatos e pensando no que fazer decidi deixar o que Albert havia me pedido para trás e fugir. Se eu ficasse iriam me pressionar por estar demorando para mata-lo e se eu contasse que iria embora era só Albert estalar os dedos que me achava. Estava disposta a fazer de tudo para proteger a criança em meu ventre. Fugi para a África. Haviam algumas pessoas em que eu confiava, eram pessoas tão humildes e simples, afastadas de toda a ganância que o dinheiro trazia, isso as tornavam tão puras. Pretendia ficar lá durante os nove meses e depois deixar que eles criassem a criança, mas certa noite me fez mudar de ideia.

*******

A lua brilhava lá no céu, minha barriga já havia crescido metade de um palmo. Estava no sexto mês. Haviam dez pessoas sentadas a mesa, inclusive um velho que é considerado um sábio para eles. Ele não parou de me olhar durante o jantar e de tanto que estava inquieto se levantou. Andou calmamente em minha direção. - Podemos conversar? - Ele indicou o lado de fora da casa humilde com a cabeça. Concordei e me levantei da cadeira.

Chegando ao lado de fora ele pediu para que eu me sentasse em um lençol que estava estendido pela terra e ele fez questão de sentar no chão. Pediu com um gesto para que eu levantasse parte da minha blusa, o suficiente para deixar a barriga amostra. Ele pegou uma tigela pequena de barro, pediu que com minhas próprias mãos pegasse um pouco da terra e colocasse na tigela e assim eu fiz. Em seguida pediu para que eu retirasse um fio de cabelo e colocasse junto, ele acrescentou um pouco da água que coletou da chuva da noite passada. Com dois dedos ele pegou um pouco da mistura e passou parte dela em minha barriga. Acendeu um cotoco de vela e passou bem rente a minha barriga, pude sentir o calor. Ele gargalhou, mas assim que seus olhos se encontraram com os meus algo o fez ficar sério.

Acha mesmo que só carrega uma criança no ventre? - Ele acendeu um cigarro, mas era diferente do que se vendiam nos centros de comércio e balançou a cabeça. - Seu trabalho vai impedir que fique com elas, você sabe, não é? Chegada a hora vai ter que escolher se morre com eles ou morre sozinha. A escolha é sua, moça. - Ele nunca me chamou pelo meu nome, talvez "as vozes" tivessem dito que aquele não era o verdadeiro. Achei uma tremenda baboseira o que ele disse, sempre consegui me esconder super bem de qualquer um, se eu não quisesse não iriam me achar.

Eu fui dormir, mas por algum motivo meu cérebro insistia em me recordar do que o velho havia dito, precisava tirar aquela dúvida. Assim que amanheceu fui para o centro, duas horas de carro de onde eu estava. Dei uma quantia de dinheiro razoável ao médico para que ele me passasse a frente dos outros e fizesse uma ultra sonografia.

Quando ouvi o som de dois corações batendo ao invés de um uma lágrima escapuliu do meu olho esquerdo automaticamente, mas logo tratei de limpa-la e impedir que outras viessem em seguida. Meu orgulho não me dava a escolha de chorar de alegria e ao mesmo tempo tristeza, não me lembro a última vez que havia feito isso.

Os nove meses passaram tão rápido, foi como em um piscar de olhos. Os gêmeos nasceram de parto normal na casa em que eu estava, a esposa do velho era parteira e foi ela que tratou de fazer todos os procedimentos. Quando pude enfim segura-los uma sensação estranha percorreu meu corpo, sentimentos esquisitos que nunca havia sentido antes. Era uma espécie de amor assassino, eu mataria sem dó e piedade qualquer um que entrasse em meu caminho para retira-los de meus braços. Depois de dois dias de nascido fui com eles para a Inglaterra. Ninguém sabia que haviam nascido na África, inclusive suas identidades. Nos instalamos em uma vila no interior e lá permanecemos durante quinze anos. Eles me reconheciam como Juliet Kargarov, era assim que Charles e todos os demais me conheciam, assim não criaria suspeitas.

Quando atingiram seus quinze anos e eu os meus trinta e sete a angustia começou a aparecer, estava tudo calma para ser verdade, aquilo não poderia ser real e não era. Voltei para a realidade quando me deparei com Albert a caminho da casa de uma das amigas de Victória, havia uma festa e os dois estavam lá. Mudei meu rumo cautelosamente ao notar que estava sendo perseguida, para que não notassem para onde estava indo e muito menos soubessem sobre meus filhos, mas pelas palavras dele havia me espionado o dia inteiro. Albert disse que se não me visse em um caixão ele mataria meus filhos bem a minha frente. Minha vontade naquele exato momento era de mata-lo e eu o faria, mas ele sabia disso. Parei de andar ao ver mais de dez laser's em minhas roupas. Covarde. Ele queria fazer com que eu ficasse 24h por dia angustiada, pensando no que poderia acontecer aos meus filhos, mas eu seria mais esperta.

Na manhã seguinte apareci morta. O velho da África havia me dado uma droga que ajudaria a diminuir meus batimentos cardíacos o suficiente para que pudesse ser dada como morta e depois ele mesmo me retiraria daquela cova. Ainda bem que não dava para ver os rostos de Victória e Oliver. Ambos deveriam estar acabados e se questionando o motivo daquela morte repentina, pois minha saúde sempre foi ótimo. Com certeza minha morte que seria real para eles mudaria algo em ambas as personalidades. Talvez Victória se tornasse mais dura e seu senso rebelde falaria mais alto, assim como Oliver que acresceria sua mania de fumar. Ele havia parado, mas com certeza retornaria para aliviar a tensão. Não os deixaria sozinhos, enviei horas antes uma carta para Charles. Nela descrevia parte do que eu era e algo superficial sobre meu trabalho, mas estava escrito claramente o que aconteceria se ele deixasse faltar algo para meus filhos. O fiz acreditar que seria espionado 24h por dia por mandantes meus, para caso dele descumprir com algo escrito ali ele fosse morte. Na verdade não seria uma morte fácil, começaria por sua família, matariam um a um e no final ele já imploraria, estaria agoniado a espera de sua morte.

Quando sai daquela cova tratei de me esconder, pedi ao velho que não me falasse mais sobre o que poderia vir a acontecer, não queria me prender a crenças. Mudei parte da minha aparência. Meus cabelos agora não era mais loiros e sim castanhos escuros, meus olhos não eram escuros e sim com tonalidades bem claras e agora haviam tatuagens que representavam parte de minha história por todo o corpo. Para todos eu estava morta, inclusive Albert, o homem que eu teria mais prazer de ver o sangue sendo derramado de forma lenta, para que pudesse sofrer por cada palavra dita naquela noite. Não havia um dia em que eu ficasse sem ter notícia de Victória e Oliver e seria sempre assim, apesar de estar longe fisicamente para eles eu sempre me mantive ''perto''.


*******
2015

Não deu para saber que meu dna havia sofrido geneticamente com a droga que lançaram de imediato, no começo tudo se manteve na normalidade. Agora eu era Madeleine, uma médica. Trabalhava no interior da Inglaterra, tentava manter uma distância física de meus filhos e longe o suficiente para que meus olhos pudessem analisar melhor a situação e os passos das pessoas que me tinham interesse. Havia retornado a dois dias do enterro do velho da África, ele foi a única pessoa em que teve minha vida nas mãos, ele poderia ter feito com ela o que quisesse e decidiu me ajudar. Merecia nada mais, nada menos do que meu respeito e presença em seu velório.

Não tinha diploma e muito menos faculdade de medicina, mas pessoas que vivem em um estado precário tanto de saúde quanto de higiene não ligavam para isso, só queriam que a dor parasse. Sabia o suficiente para manter as pessoas vivas, me mantive por 42 anos, acho que darei conta. Já havia se passado uma semana do ocorrido e foi quando notei algo diferente em mim.


Terminava de inserir o medicamento na veia de uma criança, quando notei que o material plástico de que era feito começou a derreter lentamente em minha mão. Retirei com calma a agulha do braço da menina e encarei o material que continuava a derreter. - Aqui não pode estar tão quente assim. - Na verdade fazia até um pouco de frio, mas a menina a minha frente estava soando e começando a reclamar de um calor incessante. - Tulio, termine de injetar 3ml da pequena nela, por favor.- Escondi calmamente a mão que segurava a siringa em minhas costas e fui me retirando do lugar aos poucos. Conforme eu passava pelas pessoas, as mais próximas reclamavam de um calor repentino, mas qual era o motivo daquilo?

Ao chegar em minha casa observei a siringa que tinha em mãos, parte de seu material já havia derretido. Abri a torneira, jogando um pouco de água gelada em minha mão e senti que o choque com a água fria causou uma queimadura em minha mão, fazendo barulho similar ao de uma panela quente entrando em contato com um local úmido.

Isso continuou se repetindo umas milhares de vezes, mas só quando meu organismo queria. Quando eu tentava fazer sozinha, ordenando meu corpo que fizesse derreter algo, não acontecia. Mas da onde vinha essa fonte de calor? Como minhas mãos podiam fazer isso? Não me lembrava de ter sido nenhuma cobaia para nenhum desses cientistas loucos e de muito menos ter contado o que acontecia para alguém, mas mesmo assim descobriram.

Já havia me afastado dos pacientes, sempre que alguém vinha bater em minha porta inventada uma doença diferente. Sabe-se lá o que minhas mãos poderiam causar em contato com suas peles? Mas hoje não bateram em minha porta para saber se eu retornaria a casa que nomeamos como hospital. - Morgana, eu sei que está ai dentro. Abra. Agora. - Morgana? Quanto tempo que eu não escutava alguém me chamar por esse nome. Quem batia na porta sabia sobre mim, sabia até demais para falar a verdade. Devido a minha demora a porta foi arrombada, e homens de terno encapuzados começaram a entrar na sala. - Droga. - Peguei minha arma, prendendo a mesma entre minhas costas e minha calça e corri até minha cama. Peguei as únicas pistas que diziam algo sobre mim e meus filhos e as joguei no fogo, tranquei a porta do quarto, dando tempo suficiente para que os documentos ficassem destruídos. Corri até a janela do quarto. Haviam mais homens do lado de fora, mas estes estava fixados na porta da frente, não me veriam saindo. Segurei nas barras de ferro da parte de cima da janela e impulsionei meu corpo para ao lado de fora.

Rolei ao entrar em contato com o chão e rapidamente me coloquei de pé. Eles começaram a berrar meu nome e correram em minha direção e eu fiz o mesmo na direção contrária a deles. Desviava de algumas árvores que encontrava pelo caminho e dos postes de luz, até mesmo carroças. Quanto tempo eu havia ficado sem essa adrenalina, um sorriso conseguiu até mesmo escapar de meus lábios, porém sumiu ao me questionar mentalmente o que queriam comigo. Usei meu pé direito para apoiar no muro de uma das casas e com o pé esquerdo me impulsionei para cima. As mãos ajudaram a suspender meu corpo para cima assim que atingiram a parte de cima do muro, passei as penas para o outro lado e pulei na grama. Andei sorrateira e ao passar pela casa tornei a correr. Pude escutar o estrondo do carro que derrubou o muro.

Mais a frente fui cercada por um outro carro preto e ao me virar me lembrei das cenas clichês dos filmes. Os homens estavam me cercando. - Que a brincadeira comece. - Ameacei ir para cima de um deles e um de terno veio por trás tentando me impedir. Fechei minha mão direita em punho, deixando meu braço rígido. Em seguida e com um gesto rápido joguei bruscamente meu cotovelo para trás, atingindo a barriga do indivíduo, repeti o gesto, mas desta vez atingi o rosto dele. Me virei rapidamente e dei um murro no lado direito de seu rosto, o fazendo cair no chão. - Quem é o próximo? - Os outros dois que vieram para cima de mim em questão de minutos já estavam no chão. Suspirei aliviada, mas meu coração voltou a bater rápido ao ver mais deles saírem do carro. Saquei minha arma, dei um disparo, esse atingiu em cheio a cabeça de um deles. Já o segundo bateu contra a porta blindada e não atingiu o outro homem, ele sacou uma arma em minha direção e disparou. Algo diferente de uma bala atingiu minha perna, era uma espécie de dardo. - Ah, droga. - Minha perna ficou dormente e a dormência começou a se espalhar por todo o corpo.

Foi então que um cara de jaleco branco em perfeito estado saiu do carro, acompanho de dois homens de preto. Ele se abaixou, não se incomodando com a calça branca que ficava cada vez mais suja. Tirou uma siringa do bolso interno do jaleco e perfurou com a agulha meu pescoço. Eu queria falar, mas minha língua e meus lábios também estavam dormentes. Aos poucos minha visão foi se tornando turva e eu apaguei por completo. Depois de anos me escondendo, alguém simplesmente aparece e diz meu nome, algo que era meio impossível de ser descoberto. Eles sabiam mais de mim do que eu talvez pudesse imaginar, então eu teria de entrar no jogo deles, descobrir o motivo de tanta perseguição para que no final não acabasse morta e depois iria derruba-los.

A ENTREVISTA



Abri primeiro o olho direito e tornei a fecha-lo devido a luz forte que era direcionada bem em meu rosto. Virei um pouco meu rosto tentando fugir dela e abri meus olhos depois de piscar inúmeras vezes. Virei minha cabeça para o outro lado, buscando analisar o lugar e vi uma cadeira branca com alguns detalhes em prata e uma mesa. Havia algo sendo injetado em minha veia, revirei meus olhos e tentei erguer a mão para arrancar aquilo, mas haviam algemas me impedindo. - Sério? Achei perfeito o cumprimento de boas vindas. - Respirei fundo e tentei ler as letras minúsculas que estavam no frasco do soro, mas meu olhar se desviou para a porta assim que a mesma abriu. Um homem alto e com o rosto tampado entrou na sala, suas vestes eram tão brancas quanto as paredes daquele lugar. Ele entrou e tornou a fechar a porta, evitando que o ar gélido escapasse e se sentou na cadeira, a uma distância razoável de mim. Pude sentir que os olhos dele me fuzilavam por debaixo daquele capuz, bocejei e fechei meus olhos.

Deixei que minha mente se relaxasse, impedindo que o estresse e a curiosidade de saber que lugar era aquele ficassem bem longe de mim. Agora não adiantaria eu enche-lo de perguntas, ele não me responderia, estava na cara. Um sorriso surgiu no canto dos meus lábios ao escuta-lo dirigir a palavra a mim. Abri meus olhos me deparando novamente com aquela luz forte, mas meus olhos já haviam se adaptado a mesma. - O que tenho de único? Creio que deva ser esse o motivo de estar aqui, essa pergunta eu não sei lhe responder, pois infelizmente nem eu sei ao certo. - Balancei a cabeça concordando com minhas próprias palavras e umedeci meus lábios com a ponta de minha língua. - Quanto a qualidade eu não consigo enxergar nenhuma, mas quanto ao defeito, eu tenho o péssimo hábito de matar pessoas, você deve me compreender. - Dirigi um olhar rápido a ele pelo canto dos olhos e tornei a olhar para o teto.

Pudia escutar o barulho da ponta da caneta sendo pressionada contra o papel e em seguida o barulho sessou, dando lugar a mais uma pergunta. - A primeira pergunta que me fizera responde parte dessa, agora quanto a não voltar para casa por mim tudo bem, nunca gostei de ficar por muito tempo em uma. - Bocejei e tornei a fechar os olhos. Não compreendi ao certo, mas assim que ele jogou a outra pergunta imagens dos rostos de meus filhos começaram a aparecer em minha mente, era como um tipo de tortura. Eu me arrependo de ter deixa-los, mas era isso ou todos mortos, não tive tempo para drama familiar, então por isso forjei minha morte. Respirei fundo e engoli a seco, talvez ele estivesse começando a me irritar, mas não precisava saber disso. - Nada. - Respondi de uma forma ríspida e rápida. - Quero dizer... a não ser o reflexo que via todos as manhãs no espelho, eu mesma. - Minha dor ao dizer essas palavras era inimaginável, mas ao me lembrar que meus filhos estavam vivos isso era o de menos.

Aquilo já estava se tornando tedioso, estava quase pegando no sono quando enfim decidiu abrir a boca para mais perguntas, para minha infelicidade. - Não costumo me definir e muito menos sei como fazer isso. - Ele não anotou nada desta vez, a sala estaria em um silêncio profundo se não fosse pela minha respiração e a dele. - Acabamos? - Ele disse automaticamente que ainda restava mais uma pergunta e logo a pronunciou. - Eu não tenho medos, meu caro. São peças que o psicológico tenta pregar em nós. - Ele desencostou da cadeira e colocou uma espécie de ficha dentro de um envelope e escreveu algo no mesmo, por fim o largou em cima da mesa. Retirou de um compartimento que tinha em baixo da maca duas luvas e as colocou com tanta rapidez que já devia estar acostumado a fazer aquilo habitualmente. Em seguida retirou uma seringa do bolso e começou a leva-la em direção ao meu pescoço. Fechei meus olhos e respirei fundo. Assim que o líquido fora injetado senti um gosto azedo, amargo, algo similar a ferrugem inundou minha boca, mas não ouve dor. Meus olhos começaram a perder o foco novamente. - Lá vou eu.. - Murmurei segundos antes de apagar.

Apesar de meu corpo não responder eu podia escutar as vozes das pessoas que me carregavam, ou melhor, me arrastavam pelo corredor. Cada par de mãos segurava cada um de meus braços, erguendo a parte superior do meu corpo, deixando que minhas pernas fossem arrastadas por todo o caminho. Não tiveram cuidado ao me colocar na cela, senti minha cabeça bater contra a parede e meu corpo cair sobre um colchão tão fino quanto uma folha de papel. Aos poucos meu corpo começou a responder, eu sentia dor em cada junta e músculo do meu corpo, era como se tivesse levado uma surra. Me coloquei sentada com dificuldade e tirei as mechas de cabelo que caiam sobre meu rosto. Respirei fundo fitando o chão e olhei para o corredor, estava um breu lá fora, não dava para saber se era de dia, noite, não dava para ter noção do mundo a minha volta. Coitado deles se acham que irei ficar aqui presa como um bicho em um cercado.

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