❀ { where the church bells cry }

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❀ { where the church bells cry }

Mensagem por Bambi Solskjær-Bøhrr em Ter Dez 29, 2015 9:57 pm



where the church bells cry
H U N T E D


✖ Usuários: Cait Krystvøn Bordlëtch e Maëlys Carpent. Schreave;
✖ Status: Em andamento, restrita;
✖ Local: Corredor das celas;
✖ Conteúdo: Livre;
✖ Dia: Quinta-feita;
✖ Clima: Frio, com trovoada fora da prisão.
@DFRabelo

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Re: ❀ { where the church bells cry }

Mensagem por Bambi Solskjær-Bøhrr em Ter Dez 29, 2015 10:21 pm


down in the valley
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O frio era mais agradável. Muito melhor do que a enorme estufa que aquele lugar podia ser em dias quentes, fazendo-a suar sob aquele uniforme grosso e hirto, áspero. Não. O frio se adequava mais à prisão, bem como aos sentimentos de todos que ali eram submetidos a sobreviver, porque aquilo não era vida. As paredes da cela mostravam-se hostis à primeira vista, porém acabaram por tornarem-se familiares depois de alguns dias de reflexão tendo-as como único horizonte para o qual olhar. Entrementes, Cait não aguentava mais aquela mesmice: permanecer na companhia de seus próprios pensamentos enquanto eles a guiavam para uma errônea direção, a qual somente iria confortá-la de uma maneira falsa. Em vista disso, levantou-se de seu colchão duro e descoberto e pôs-se para fora da cela.

De alguma forma, os corredores pareciam um pouco mais acolhedores. A ruiva desconfiava levemente de que isso se dava ao fato de que os detentos mantinham o calor do local, mesmo este sendo precário. Uma matilha mantinha-se unida no inverno, era o que costumava pensar, mas ali não eram menos inimigos do que os sentimentos em relação aos líderes daquele lugar. Pensar neles, pensar que não havia vislumbrado sequer um olhar de nenhum dos funcionários, ah, isso era frustrante para ela. Foi o pensamento que lhe prendeu em devaneio enquanto caminhava pelo corredor. Evitava os olhares dos demais detentos, uma vez que não gostaria de deter nenhum tipo de encontro com nenhum com potencial particularmente perigoso. Por mais que pudesse usar os poderes para se defender, ainda tinha medo... E não adiantava tentar.

Estancou nas celas mais novas que as suas, cuja ocupação havia dado-se há pouco. Parou ali, levantando o olhar por breves momentos para perscrutar alguns rostos, mas não se demorou. Olhou para o chão, para os pés descalços cobertos pelas calças do uniforme que eram grandes demais para o seu corpo. Suspirou, encostando-se à parede grosseira e álgida. As costas não reclamariam pela construção boçal depois de tanto tempo dormindo no chão.

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Re: ❀ { where the church bells cry }

Mensagem por Maëlys Carpent. Schreave em Ter Dez 29, 2015 11:40 pm

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Exaustão. Exaustão era tudo o que eu conseguia sentir naquele momento, ás vezes me pegava pensando onde eu estaria se não tivesse sido pega pelos cientistas. Onde eu estaria se não estivesse agora sendo obrigada a ficar confinada num espaço sujo e fedorento. As paredes cinzentas já não eram mais tão interessantes de se olhar e eu ainda não tinha tido a coragem de sair da minha cela para encontrar os outros detentos. Talvez estivesse com um pouco de medo de não me enturmar. Costumava ser uma daquelas pessoas que viam o lado bom de tudo – mesmo que estivesse trancada num cela e sendo objeto de alguns cientistas malucos –, meu grau de felicidade desnecessário costumava irritar a todos e a última coisa que eu queria era arranjar briga naquele lugar.

Afastei os lençóis esfarrapados para longe de mim, me encolhendo ao sentir o frio em contato com a minha pele, gelando até os ossos. As roupas que haviam disponibilizado não era lá das mais confortáveis e quentinhas, mas dava para segurar. O problema mesmo começava no verão, quando a cela ficava abafada e tão sufocante ali dentro que o suor ensopava minhas roupas. Não só pelo calor, mas também pelos sonhos perturbadores que eu não conseguia controlar. Levantei da cama num pulo e encarei a porta desconfiada, ponderando se sairia dali ou não. Obviamente estava cansada de ficar dentro daquele lugar fedorento e tinha a leve sensação de que se não me distraísse logo iria acabar de enlouquecer. Soltei um suspiro cansado e caminhei até a porta, saindo por ela rápido o bastante para que não fosse capaz de mudar de ideia.

Os corredores estavam cheio de detentos, a maioria em grupinhos e a primeira coisa que senti ao pisar ali foi o deslocamento. Sentia-me desconfortável por estar sozinha e não ter me dado ao trabalho de fazer amizades ali, se é que fosse possível achar alguém igualmente gentil e otimista como eu numa prisão. Passei os olhos pelos vários detentos ali, encarei mesmo, sem me importar o que iriam pensar de mim. Eu gostava de analisar as pessoas e tentar adivinhar como elas eram e como tinham chegado até ali. Talvez esse se tornasse meu mais novo passatempo naquela prisão: Analisar os detentos.

Meus olhos acabaram por se fixar numa garota de longos cabelos ruivos que estava interessada demais nos próprios pés. Me aproximei dela sem nem pensar duas vezes e antes que me desse conta estava me sentando ao seu lado. — Hey? Primeiramente, desculpe incomodar seu momento de paz — Sorri gentilmente antes de continuar, para mostrar que eu estava ali apenas para conversar. — É que eu estou me sentindo um pouco sozinha nesse lugar e você me pareceu a melhor opção para puxar assunto — Mordi meu lábio inferior ao terminar de falar, esperava que a garota não desse um ataque ali mesmo e me batesse por ser tão intrometida e sem vergonha.
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Re: ❀ { where the church bells cry }

Mensagem por Bambi Solskjær-Bøhrr em Qua Dez 30, 2015 3:00 pm


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Mantinha-se estagnada no plano físico para viajar de forma longínqua em devaneios. Sentiu-se escorregando esporadicamente até estar sentada sobre o banco do corredor, e mesmo assim continuou a olhar para o chão, a vista pousada em um ponto inexistente. Sua respiração compassada mostrava sua serenidade externa, por mais que o âmago estivesse em chamas tal qual seu poder. As esperanças de rever seus irmãos já não mais existiam, posto que era exatamente o que aquele lugar fazia: queimava as esperanças, transformava-as em cinzas. Os cabelos ruivos caíam-lhe sobre o rosto, impedindo que alguém tivesse o vislumbre de seu semblante, podendo ser julgada como uma pessoa que adormecera sentada. Dormir, porém, era a última coisa que Cait gostaria de fazer, visto que o sono vinha recheado de pesadelos.

Entrementes, uma voz de tom gentil e amistoso fê-la erguer o olhar. Uma moça que aparentava ter a mesma idade que a própria Cait havia se aproximado. A ruiva arregalou os olhos, surpresa com a  apropinquação repentina, a qual ela não estava acostumada, não ali, naquele lugar. Forçou-se a permanecer calma enquanto analisava-a, os cabelos claros e a feição afável, com traços delicados tais quais os de Cait. A norueguesa sabia que Hunted não era lar apenas de delinquentes, uma vez que ela mesma estava ali e não era nem um pouco uma delinquente. Mas as chances de achar pessoas inocentes ali eram muito pequenas, e era por este motivo que ela evitava a presença de outros. Porém a garota que havia se sentado ao seu lado não mostrou-se de má índole, pelo menos à primeira vista.

Oi — respondeu, por fim, o cumprimento da outra, a voz doce. — Não está atrapalhando, não. — Um sorriso entreabriu os lábios da ruiva quando esta deu de ombros. Pelos dizeres de sua mais nova companheira, fora parte de uma escolha seletiva, e, se fora escolhida, era porque não apresentava risco nenhum. — Me chamo Cait — ela apresentou-se, erguendo a mão para um cumprimento físico. Seu pulso estava vermelho com a força que fizera para libertar-se das algemas, mas estava começando a sarar.

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Re: ❀ { where the church bells cry }

Mensagem por Maëlys Carpent. Schreave em Qua Dez 30, 2015 10:15 pm

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Relaxei meus ombros ao sentir o alívio me tomar, diferente do que eu esperava a ruiva não fora grossa e isso só aumentou meu sorriso. A garota era possuidora de uma voz tão doce que parecia quase angelical e isso me deixou mais calma. Cait era o nome da ruiva. Encarei a mão estendida de Cait, meus olhos foram logo parar em seus pulsos vermelhos. A curiosidade de saber o que tinha acontecido com ela estava bem forte, mas eu sabia que não podia sair por aí invadindo o espaço pessoal de uma pessoa que eu tinha acabado de conhecer. Infelizmente isso não era o bastante para que eu começasse a imaginar o que ela tinha feito para deixar os pulsos daquele jeito. Desviei o olhar dos pulsos dela antes que imagens desnecessárias tomassem minha mente e tratei de fixar minha atenção apenas em seu rosto, os traços da garota eram tão angelicais quanto a sua voz. Novamente um sorriso tomou conta de meus lábios e eu ergui minha mão, pegando a dela e fechando o cumprimento. — Eu sou Maëlys — Me apresentei enquanto soltava a mão dela.

Por um momento deixei que o silêncio pairasse entre nós. Eu não costumava ser tão quieta quando acabava de conhecer alguém, sempre tagarelava sem parar chegando até o ponto de fazer com que as pessoas ao meu redor ficassem entediadas. Ali na prisão as coisas mudavam, eu tinha em mente de que deveria ser mais cautelosa em tudo o que fazia. O problema era que eu não sabia até quando iria conseguir me controlar. — Esse lugar é bem deprimente, você não acha? — Cruzei minhas pernas, ficando na pose do índio. — Sei que não é o objetivo deles nos deixar mais confortáveis, mas seria bem melhor ter um pouco de cor nesse lugar, não acho justo todos serem submetidos a esse ar deprimente sendo que nem todos nós estamos aqui por ter feito algo de errado — Soltei um suspiro. — Faz apenas alguns dias que cheguei aqui e eu nem estava ligando por realmente estar aqui, mas esse lugar está me deixando louca — E lá estava eu tagarelando que nem louca. O rubor tomou minhas bochechas assim que me dei conta do que estava fazendo. — Me desculpe, Cait — Pedi, meio envergonhada. — Eu tenho o péssimo hábito de começar a falar e nunca parar — Comecei a tamborilar meus dedos em minhas pernas. — Enfim, faz muito tempo que veio parar aqui? — Perguntei, me aproximei mais um pouco dela. — Você por acaso já os viu? Os donos desse lugar? — Sussurrei para que só ela ouvisse. Fazia tempo que eu tentava adivinhar quem controlava a prisão, mas parecia que eles nunca se mostravam e isso era no mínimo estranho.
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Re: ❀ { where the church bells cry }

Mensagem por Bambi Solskjær-Bøhrr em Qui Dez 31, 2015 12:50 pm


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O toque do outra garota veio em seguida, em correspondência ao cumprimento de Cait. Apresentara-se como Maëlys. A ruiva achou o nome um tanto exótico, e ela gostava de nomes únicos. Ao observar a moça, ligou o nome suave diretamente aos seus traços. O cumprimento durou o tempo que deveria durar, cortês, e logo as peles deixaram de se tocar para porem-se em lados de uma barreira silenciosa que perdurou entre ambas. Ponderou sobre o que deveria falar, puxar assunto, como em qualquer conversa normal; contudo, por mais que tentasse, os assuntos eram por demais trágicos naquele lugar. Geralmente vinham-lhe com o que você fez para estar aqui?, e Cait já estava cansada de responder nada. Outro assunto bastante corrido entre os detentos, pelo que a ruiva ouvia sorrateiramente, eram as sessões de tortura e situações da mesma espécie às quais eram submetidos os detentos, mas Cait nunca presenciara uma, e estava feliz com isso.

Entrementes, o silêncio não prorrogou-se por muito mais tempo. Uma pergunta foi dirigida à ruiva, que não respondeu com pressa. Ficou apenas ouvindo Maëlys falar sobre como aquele lugar poderia ser um pouco mais diferente, um pouco mais feliz, pelo menos na aparência. Cait passou os olhos ao redor, pelo âmbito cinzento, nuvens de tempestade. Ah, era uma ótima metáfora, já que os habitantes daquele lugar estavam eternamente molhados, sendo submetidos ao frio do confinamento. Deixou um suspiro escapar pelos seus lábios ao pensar que era uma deles, sempre ali, sozinha. Depois, voltou a observar a garota ao seu lado, que falava sem parar. Naquele quesito eram bem diferentes, uma vez que Cait preferia ouvir à falar. Era uma coisa boa, porque a loira poderia continuar a jogar-lhe as palavras, enquanto ela absorvia tudo. Porém sabia que para uma conversa manter-se saudável era necessária a ação das duas partes. O sorriso meigo voltou aos seus lábios, e ela realinhou a postura ao imitar a forma de sentar da recém-conhecida.

Tudo bem, eu gosto de ouvir as pessoas — ela respondeu quanto ao pedido de desculpas vindo de Maëlys por tagarelar. Depois, a pergunta que já ouvira com mais frequência veio, e ela refletiu acerca disso. Estava ali havia quanto tempo? Alguns dias? Talvez uma semana, não sabia dizer. Lembrava-se de riscar com uma pedra a parede da cela que dividia com Mikhail com pequenos tracinhos que representavam os dias, porém parara de contar ao chegar no quarto traço. Deu de ombros. — Acho que há uns sete dias... — disse, entortando os lábios. Só descobriria se era verdade caso voltasse para a cela e conferisse a parede ao lado de seu colchão. — Eu perdi a conta, sabe? Não faz muito tempo, mas tudo aqui é tão... frio... que a esperança vai embora e tudo é questão de não enlouquecer.

A pergunta que veio a seguir a intrigou. A única pessoa "não presa" que vira em toda a sua estadia em Hunted foi o homem da entrevista, e nem mesmo isso era o suficiente, uma vez que uma máscara de gás cobria o seu rosto e sua voz era modificada. A frustração era, com certeza, algo que a atormentava dia e noite. Apesar de alguns ali dentro brigarem um contra o outro, todos tinham um inimigo em comum, invisível e perigoso, sádico, perverso. Este, que todos deveriam combater juntos na mente de Cait. Mas já conformara-se que alguns eram burros por demais para perceberem tal coisa.

Somente o homem da entrevista — respondeu. Fez uma pausa antes de prosseguir. — Não quero vê-los. Não sozinha. Quem sabe o que podem fazer a mais com a gente? Não sei se suportaria... — a voz foi morrendo à medida que a frase se prolongava, até sumir. Soltou outro suspiro, olhando para o chão. Cait sempre fora a mais frágil, não importa onde; em casa, com os irmãos; ali, com os outros presos. Era apenas um filhote, um peixe em um oceano inteiro. Sentiu o rosto inflamar-se levemente, o rubor instalando-se em suas bochechas com sardas. Decidiu mudar de assunto. — Então, Maëlys, o que sabe fazer? Qual o seu dom? — perguntou, voltando a sorrir, mesmo que forçadamente.

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Re: ❀ { where the church bells cry }

Mensagem por Maëlys Carpent. Schreave em Qui Dez 31, 2015 4:07 pm

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Para a minha sorte, Cait não se importava de ter uma tagarela como companhia. Balancei a cabeça afirmativamente enquanto ouvia a ruiva falar, ela estava ali fazia sete dias. Eu não sabia há quantos dias estava ali, não tinha me dado ao trabalho de contar. Desde que chegara só tinha ficado no colchão sujo da minha cela olhando para o teto e tentando não sucumbir ao sono com medo do que me esperava por lá. Tinha medo que meu pai começasse a habitar meus sonhos, medo de saber se algo de ruim tinha acontecido a ele. Além disso eu também tinha medo de sonhar com a minha própria morte, não havia nada que me assustasse mais que isso. No fim, Cait tinha razão. Hunted era tão fria que a esperança se esvaía de cada um de nós, deixando apenas o vazio da perda e a vontade de ter o controle sobre a própria loucura.

Encostei minha cabeça na parede e mordi os lábios. Assim como eu, o único ser humano além dos presos que Cait tinha visto era o cara da entrevista. A entrevista... Um arrepio percorreu minha espinha ao lembrar o médico encapuzado. Depois que tinha sido enviada para a cela fiquei por horas pensando nas perguntas daquela maldita entrevista, cada vez mais tinha a certeza de que tudo aquilo que eu tinha respondido, que eu tinha deixado exposto sobre mim seria usado para me prejudicar futuramente. — Também não tenho muita certeza se quero conhecê-los — Murmurei, concordando com as palavras da ruiva. Eu não era uma pessoa medrosa, mas só de pensar no que os donos daquela prisão preparavam para cada um de nós ali... Era assustador.

Pelo pouco que estava vendo sabia que nenhum deles tinha piedade e não mediriam esforços para acabar com a nossa sanidade. Observei Cait, agora ela parecia frágil demais e eu podia ver que estava assustada, com medo do que poderia acontecer. Com medo do que eles poderiam fazer. Por sorte, ela decidiu mudar o foco do assunto. Mas esse não fora tão melhor quanto o anterior. Como explicar o meu dom quando nem eu mesma conseguia entendê-lo? Sabia que conseguia ver as coisas bem antes delas acontecerem, mas os “sinais” vinham de forma tão desconexa que era difícil juntar as peças e fazer algo para mudar o rumo das coisas. Eu não tinha controle nenhum sobre o que fazia e isso era frustrante. — Consigo ver as coisas antes delas acontecerem — Dei de ombros. — Bem, mais ou menos. Eu não tenho controle e as visões são tão confusas que quase nunca consigo entender — Expliquei, abaixando o olhar para as minhas mãos que estavam pousadas em meu colo.

— Geralmente elas veem em forma de sonhos ou pesadelos e eu não gosto muito, sabe? Elas me dão muita dor de cabeça — Fechei os olhos ao me lembrar das dores que vinham logo após que eu via as imagens sem sentido. Eu também costumava suar, e não era pouco não. Porém, isso não era o que mais me incomodava e sim a parte em que eu não conseguia entender metade das coisas que via, tinha em mente que se tivesse o controle daquele poder talvez não estivesse presa agora. — Acho que chamam isso de premonição — Concluí, tornando a abrir meus olhos e focando minha atenção novamente na ruiva. — E você? Qual é o seu dom? — Questionei, deixando que um meio sorriso tomasse conta dos meus lábios.
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Re: ❀ { where the church bells cry }

Mensagem por Bambi Solskjær-Bøhrr em Sex Jan 01, 2016 5:47 pm


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Conforme Maëlys prosseguia com a explicação de seu poder, Cait assentia com a cabeça. Não compreendia muito bem dons tão confusos quanto aquele, e desconfiava que a própria portadora não pudesse conceber também. Principalmente quando estes envolviam visões do futuro. Ah, o futuro é tão incerto!, ela sabia. Singelas ações podiam governar grandes mudanças adiante, como um efeito dominó. Havia tantas metáforas que poderiam ser aplicadas que a mente de Cait ficava ainda mais confusa por tentar entender o dom da premonição. Deve ser uma das habilidades mais difíceis, pensou, tentando visualizar em sua mente a garota ao seu lado tentando desvendar uma revelação confusa. Soltou outro suspiro silencioso.

Então, a mesma pergunta foi dirigida a ela. Por um momento, ficou em completo silêncio, como se não tivesse ouvido. Havia escutado, sim, porém uma breve paralisia tomou conta de seu corpo. Por mais que o frio as abraçasse, Caitlyn sentiu a palma das mãos suarem por alguns momentos. A respiração acelerou-se suavemente ao franzir o semblante. Era um grande desafio para a ruiva, a utilização de seus poderes. Estes só ocorriam normalmente quando ela era submetida a fortes emoções, fossem quais fossem. Caso contrário, não lhe valia o esforço. Não sabia o porquê, exatamente. Talvez tivesse medo ou situação do gênero. A boca ficou seca.

Eu... — começou, porém sem saber como explicar. Comprimiu os lábios, olhando para as próprias mãos. Tudo o que já fizera fora esquentá-las de tal maneira a provocar queimaduras em quem quer que tocasse. E também disparar fagulhas quando fora sujeita a um ataque de raiva. — ... Sou uma espécie de... pirocinética — disse, esfregando uma mão na outra. Deveria tentar? Talvez desse certo. Cait estendeu-as, as palmas abertas, e concentrou-se. Sentiu-se esquentar, mas nada aconteceu pelo tempo que deixou-as erguidas. O rubor em sua face aumentou, tornando-a tal qual a cor de seus cabelos ao abaixar os braços. — Desculpe. Nem sempre funciona comigo.

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Re: ❀ { where the church bells cry }

Mensagem por Maëlys Carpent. Schreave em Sab Jan 02, 2016 6:15 pm

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O silêncio voltou a reinar depois fiz a pergunta sobre os poderes de Cait e eu cheguei até a pensar que ela não iria me responder. Meus olhos analisaram a ruiva, estudando sua expressão perdida. Naquele momento eu sabia que ela estava presa em seus próprios pensamentos, talvez ponderando se me responderia ou não. Ou talvez apenas estivesse refletindo sobre seu dom. Esperei pacientemente por todo o tempo que ela ficou em silêncio, sabia que para ela poderia ser difícil responder aquela pergunta e respeitava isso. Algumas pessoas não viam seus dons com bons olhos e na maioria das vezes eles traziam lembranças desnecessárias, com isso me peguei pensando se isso não estaria acontecendo com a garota naquele momento. Estava prestes a dizer que ela não precisava responder se não quisesse quando ela começou a falar.

Cait olhou para as próprias mãos como se algo fosse sair dali. Talvez ela fosse capaz de manipular ou criar algum elemento. A confirmação veio logo depois, quando a ruiva admitiu ser pirocinética. O poder dela parecia ser muito menos fácil de lidar do que o meu, eu não conseguia imaginar o quanto deveria ser difícil para a garota se controlar sempre, vivendo com o medo de acabar perdendo o controle e colocando fogo em tudo que é lugar. No entanto, seu poder era bem mais legal e interessante do que o meu. Tudo bem que eu não deveria achar nada daquilo legal, todos aqueles poderes só traziam problemas e era por causa deles que eu estava enfurnada aqui. Apesar disso, eu não conseguia pensar assim, uma parte de mim gostava de ser possuidora de algum dom. Fazia com que eu me sentisse especial.

Meus olhos se direcionaram para as mãos de Cait, que agora estavam estendidas. Por um momento esperei que algo fosse acontecer, estava ansiosa com a ideia de ter uma demonstração do poder da garota. Ver as chamas balançando em sua mão deveria ser bem... impressionante. O tempo passou e nada aconteceu, ela abaixou os braços e pude notar que suas bochechas ficaram tão vermelhas quanto seu cabelo. — Ah não se preocupe com isso, tenho certeza de que teremos outras ocasiões para que você me mostre seu poder — Tentei acalmá-la, tinha consciência de que poderia ser difícil manifestar seu poder assim do nada.

— Sabe, talvez esse seja um dos motivos pelo qual nos colocaram aqui: aprender a ter controle sobre nossos dons — Comentei enquanto voltava a encostar minha cabeça na parede. Tinha o pressentimento de que era para isso mesmo que estava ali, mas também sabia que teria um preço. Talvez eles estivessem tentando nos treinar para logo depois nos usarem. Afastei os pensamentos, cansada de pensar em tudo aquilo e voltei minha atenção para Cait. — Hey, isso me lembra que quando eu tiver controle do meu dom, talvez possa ver seu futuro — Um sorriso divertido tomou conta dos meus lábios. — Você pode me adotar como sua cartomante particular — Pensei um pouco. — Mas sem as cartas e somente se você quiser, é claro.  
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