[FP] Mitzie Ebërl Ahle {concluída}

Ir em baixo

[FP] Mitzie Ebërl Ahle {concluída}

Mensagem por Mitzie Ebërl Ahle em Qua Dez 30, 2015 11:00 pm




15MITZIEAHLE

Nome completo /////////////Mitzie Ebërl Ahle

Nascimento /////////////13.09.2000

Nacionalidade /////////////Alemã

Sexualidade /////////////Heterossexual

Super-Poder /////////////Transformismo Animal

Medo /////////////
Submissão

Faceclaim /////////////
Ali Michael


and its all fun and games 'till somebody falls in love... but you already bought a ticket and there is no turn back now {e é tudo diversão e jogos até alguém se apaixonar... mas você já comprou o ingresso e não há como voltar atrás agora}

PERSONALIDADE


31.08.2015 – dia anterior à liberdade
Madame Vöurh, trabalhadora do circo
e melhor amiga de Mitzie
"O que há, pequena Mitzie? Não adianta negar, dizer que está tudo bem. Há algo errado. Posso ver em seus olhos tão claramente quanto posso vê-la na minha frente agora. Sabe, pequenina, por mais que você se esforce para manter as aparências e agir sozinha, você é uma pessoa muito transparente em alguns aspectos. Não sabe demonstrar seus sentimentos através de palavras, mas qualquer um que lhe conheça bem o suficiente verá todas as frases não proferidas na imensidão de seus olhos azuis. Acredito que seja por isso que é tão solitária – você tem receio de que perca o controle sobre si mesma. Você tem medo, não tem?, de que alguém tente controlá-la ao saber o que você pensa. É por isso que é tão calada, não é mesmo, meu bem? Não precisa se dar ao trabalho de negar, pois eu sei a verdade. Eu já vi muita gente nessa minha longa vida, meu amor. Muitos parecidos com você, que carrega lutas internas maiores e mais conflituosas do que deixa transparecer. Já vi pessoas fortes e fracas, tolas e espertas, presas e livres. E você, querida Mitzie, é mais do que imagina. Você é forte, querida. Você é inteligente. Por Deus, é mais livre do que qualquer um que já encontrei ao longo desses sessenta e quatro anos de existência. Você tem uma força de vontade assustadora dentro de si mesma, só pedindo para ser descoberta. Descubra. Querida, se eu tivesse os mesmos dons e poderes que você, e não me reviro só àquela coisa de virar animais, eu já estaria longe daqui. Viraria um pássaro e desapareceria. Eu sinto que você quer fazer isso, mas algo a prende aqui. Mitzie, se tem uma coisa que aprendi ao longo de minha vida é que não podemos deixar que nada nos prenda. Corte as cordas que tentam amarrá-la, minha filha. Saia. Vá. Eu sei que é o que sua consciência diz para que você faça e sei que é o que quer fazer. Então, por que ainda não foi?"

HISTÓRIA


01.09.2015
Respeitável público!

O burburinho causado pelo número anterior, dos palhaços com o minifusca roxo, vai cessando à medida que o coordenador do espetáculo e dono do circo pede atenção. A mão protegida por uma luva está erguida no sinal claro de Albert. O silêncio solicitado não demora a tomar o ambiente protegido pela típica tenda vermelha e branca, que abriga cerca de 300 pessoas. As crianças, todas elas, se calam. Os bebês não ousam chorar e dos adultos mal dá para ouvir a respiração. Nem mesmo os homens que vendem amendoim e pipoca se atrevem a anunciar seus produtos nesse curto período em que Albert pede a atenção de todos. Os bebês terão tempo para chorar depois, as crianças terão tempo de rir depois e os adultos terão tempo de fazer sabe-se-lá-o-que depois. Agora, tudo que eles querem ver é a atração principal do Espetáculo de Elischer, que a pouco fora descoberta em uma das ruas sujas da Alemanha, no último tour pela Europa.

Agora, tenho o prazer enorme de anunciar...

O coração de Mitzie palpita fortemente no peito, ameaçando quebrar a caixa torácica que o resguarda. Seus dedos tiram a malha apertada, demasiadamente colorida e justa do vão da bunda enquanto os lábios são mordiscados até ficarem vermelhos além da maquiagem forte que carrega seu rosto infantil. Ela já apresentou o seu número diversas vezes desde que sua habilidade fora descoberta por Albert, mas o nervosismo sempre aparece. Principalmente nesse número. Principalmente depois da conversa de ontem a noite com Albert. Pensar nele lhe dava arrepios. A ameaça fora clara e bem frisada. Ela simplesmente precisa arrasar hoje, e no sentido bom. Caso contrário... As consequências serão desastrosas. O pensamento lhe dá dor de cabeça – ou será que isso é efeito colateral do coque puxado que lhe foi feito no topo da cabeça? Não há como saber. E, também, a dor de cabeça é o menor dos problemas agora.

...Nossa principal atração deste sétimo tour do Espetáculo...

O peso dessas palavras recai nos ombros de Mitzie. É insano pensar que de uma mendiga alemã ela virou o espírito do espetáculo do circo de Albert Elischer. Ainda é fresca em sua memória a dificuldade que passou durante os seis anos em que morou nas ruas da capital alemã. Até os sete anos, vivera com sua mãe, uma mulher magrela e frágil como os ossos que a compunham, e seu pai, um beberrão violento que criava coragem conforme bebia. Ainda hoje, com uma roupa fantástica, aguardando para encher os olhos de uma plateia enorme com seus encantos e habilidades, ela se lembra das surras que via sua mãe receber todos os dias, no chão sujo da pequena cozinha deles. Lembra-se de quando as surras foram transferidas para ela e quando tudo se tornou impossível. Ela tinha apenas sete anos. Parece mentira, mas ela ainda sente os tapas fortes do pai nas costas, no rosto, no peito. As costelas nunca sararam direito e até hoje doem.

Lembra-se de quando voltou do mercadinho com uma sacola de papel pardo em mãos a pedido de sua mãe e ela não estava lá em lugar algum. Nem na cozinha onde sempre estava. Nem no quarto onde nunca entrava. Nem no banheiro sujo que nunca limpava. Nem ela nem nenhuma de suas coisas. Era como se ela nunca tivesse habitado aquela casa. Mitzie se recorda com facilidade da surra que tomou do pai quando este chegou depois de um dia de bebedeira desenfreada e não encontrou nem a mulher e nem respostas com a "tapada de sua filha". Não é difícil de esquecer, também, a sua fuga, que aconteceu alguns meses de abuso doméstico depois. Com uma mochila pequena nas costas, Ahle partiu de casa para nunca mais voltar. Preferia viver das ruas, da pobreza e da sua própria sorte, do que no mesmo lugar que o pai. Afinal, não poderia ser tão ruim, poderia? Pelo menos, não pior.

...Vinda diretamente da Alemanha!...

E de fato, não foi. Ela passara fome, frio e fora machucada, mas sempre se virara bem. Mitzie tem um instinto de sobrevivência que raramente falha. Sua intuição é sua maior benção e ela sempre sabe a hora de partir. Soube com o pai. Soube quando Albert encontrou-a, após o boato da menina que vira animais. E sabe agora. De alguma forma, uma voz grita dentro de sua cabeça que ela precisa ir embora. Que não é seguro. Que Albert não é mais a âncora que, por muito tempo, ela não tivera.  Ele não é mais família. Uma família é unida e não mantém relações abusivas. Os Ahle nunca foram uma família. O Espetáculo de Elischer... Ela começa a duvidar das aparências. Albert ameaçou-a por conta de dinheiro. Se o fez com ela, que a pouco está no barco, o que não fez com outros? Com as antigas estrelas? Em algum momento, elas viraram antigas. Por quê? O que ele falara? Mitzie duvida que tenha sido tão mais simpático do que foi com ela.

...Ela, a fantástica, fenomenal, animalesca...Literalmente!...

Mitzie não é uma pessoa apegada. Partir nunca foi problema. Sempre foi embora quando precisou. Não é do tipo que confia cegamente e tampouco entrega a vida em prol de qualquer pessoa ou causa. Ou seja, desapegar da vida relativamente boa que tem no circo não será difícil. É difícil mantê-la presa. Ela tem um instinto animal. Domá-la não é algo possível. Ahle não é domesticável. E definitivamente não confia em quem tenta torná-la uma “cadela de apartamento”, que faz truques e obedece. Não é do tipo submissa. Ela ouve apenas a si mesma e a seu instinto. E o instinto diz “vá”. Ou melhor, grita. Berra. Canta. Sussurra. Murmura. Implora. Suplica. E Mitzie vai. Não espera ao fim das apresentações fabulosas de Albert e fecha os olhos. Seu poder é estranho enquanto age. Ela sente os ossos aumentarem à medida que a pele estica e muda de forma. Há um comichão. O nariz cresce, a coluna entorta, as mãos aumentam e tornam-se patas. E ela vira um elefante. Não muito veloz, mas forte o suficiente para fazer um estrago, que é o que ela quer. Grande o suficiente para mandar o recado que ela quer.

MIIIIIIITZIE, A MENINA QUE VIRA ANIMAIS!

Hora do show.

A ENTREVISTA


03.09.2015
Antes mesmo de ousar abrir os olhos, Mitzie sente suas mãos presas à superfície gelada a que está deitada. Seus pulsos se contraem e ela tenta usar a força que consegue possuir quando transmutada, mas tudo que sente é um aperto enorme na sua pele alva. Seus pés erguem-se poucos centímetros, tentando fazer o que os pulsos não obtiveram sucesso, mas nada acontece  novamente se não alguns hematomas aparecerem em seu corpo. Seu coração palpita, então, com a percepção que tem mesmo de olhos fechados. Ela está presa. Submissa a alguém que pode fazer o que bem entende dela. Esse pensamento lhe causa arrepios que sobem desde a base das costas até os fios de sua nuca. Afinal, seu maior medo é justamente este.

Seus olhos abrem, então, de uma só vez. A luminosidade da sala, que é branca como papel, faz com que sua visão fique turva. Onde ela está? Não faz a menor ideia. Olha ao redor, buscando por algum indício do motivo ao qual está algemada em uma cama cirúrgica, mas não há nada que ajude-a no processo. A sala está inteiramente vazia se não por ela e uma cadeira (igualmente branca) perto de sua maca. Vasculha, então, sua memória fraca, procurando por lembranças que expliquem sua condição atual. Sua cabeça dói devido às pancadas recentes e acessar seu sub-consciente é difícil, mas ela consegue. E se recorda, aos poucos, do que aconteceu: a rebelião de uma pessoa (elefante) só. A morte daquelas três crianças. As pessoas feridas. Os gritos de Albert. A fuga como um pássaro. A briga no beco, seguida pelos guardas que a prenderam.

Um som invade o ambiente e um homem cujo rosto está tapado entra e senta na cadeira. Seus gestos são tão formais que parece que ele é um robô. –O que é isso? O que está acontecendo? Quem é você? Por que estou presa? Me soltem! Mitzie arreganha os dentes como uma gata faria. O homem se mantem imparcial. E então, sua voz soa. –O que você tem de único? Qual sua melhor qualidade e seu pior defeito? Mitzie não está entendendo nada. O que diabos está acontecendo?! –Quê? Ele repete a pergunta. –As garras que vou usar para estragar essa sua cara coberta, é isso que tenho de único. Agora me solta! Ordena. Ele faz anotações na prancheta que traz em mãos, mas nada fala. –Por quais motivos acha que veio para cá? O que vai fazer se eu te contar que nunca mais vai poder voltar para casa?

Mitzie ri, descrente. Uma risada doente, insana. Ela o está, afinal. Não dorme há dois dias e faz seis anos que passa todos os dias de sua vida tentando sobreviver. Isso sobrecarrega qualquer um. Mesmo ela, que é centrada o suficiente para tomar suas decisões e se virar sozinha. –Não tenho casa. Nunca tive. E duvido que um dia terei. Sua casa foi embora com sua mãe. –Vocês me trouxeram, droga. Me digam vocês porque estou aqui. O que raios é isso? Me deixem sair! Se remexe na maca de novo, sentindo os pulsos e canelas doerem pelo esforço. Mais anotações. No fundo de sua mente, as mortes das três crianças, os roubos contínuos de sua infância e todo resto piscam. São indícios o suficiente para ir para um lugar como aquele? Talvez. –Se defina em três palavras. Isso é ridículo. Ela ali, esperniando pela liberdade que acha que merece, enquanto aquela figura sinistra faz perguntas desse tipo. –Vai. Se. Foder. Cospe, entredentes. A sensação de estar presa é absurdamente agoniante.

Qual seu maior medo e o que você faz para combatê-lo? Mitzie parece a ponto de pular no pescoço do homem. Ela não irá revelar seu maior medo. Definitivamente. –Homens idiotas que não mostram o rosto em uma sala pateticamente branca. Eu acabo com eles quando tenho oportunidade. Um desaforo típico, peculiar de uma Mitzie Ahle irritada, mas incrivelmente estúpido para os padrões do lugar – que ela, infelizmente, ainda não conhece. E algo indica que conhecerá da pior forma possível. O homem fecha a pasta de anotações que carrega e deixa-a sobre a cadeira, tirando de sabe-se lá onde uma caixa que, ao ser aberta, mostra uma siringa que contem um líquido cinza. Mitzie treme dos pés a cabeça, mas não de medo – de raiva. Submissa ao desconhecido, sente-se incrivelmente pequena, estúpida. Sensações estas que não reencontrava desde que deixara seu pai abusivo.

A siringa fura sua pele alva e leva-a para um lugar de escuridão total.

Seus olhos só voltam a abrir quando o efeito passa. Ela está em uma espécie de caixa de concreto suja e... há grades. Merda, está em uma prisão. Suas roupas são – que clichê – listradas em preto e branco e Mitzie finge descrença ao ver que não ha uma bola de concreto em seus pés. Está tudo escuro e ela está sozinha na cela. Sua cabeça ainda dói, mas agora, as lembranças são mais nítidas. Assim como a culpa. E a raiva. Tudo parece bastante claro, agora. Mitzie abraça suas pernas, puxando-as para perto, embolando-se. Sente-se incrivelmente fraca e seus poderes parecem ter sumido. Isso faz com que se sinta ainda mais exposta. Mas uma coisa boa há, pelo menos. Seu padrão de vida voltou: novamente, ela será obrigada a lutar por sua sobrevivência todos os dias. Seja necessário o que for. Custe o que custar.

avatar
Mitzie Ebërl Ahle
the great danger
the great danger

Mensagens : 9
Data de inscrição : 30/12/2015
Localização : Cela 065

Ficha do Prisioneiro
Nível: 01
Experiência:
0/100  (0/100)
Mochila:

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum