[FP] Aidan Crowley

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[FP] Aidan Crowley

Mensagem por Aidan Crowley em Qui Dez 31, 2015 12:52 am




22AidanCrowley

Nome completo /////////////Aidan Crowley

Nascimento /////////////20 de dezembro de 1993

Nacionalidade /////////////Inglês

Sexualidade /////////////Heterossexual

Super-Poder /////////////Mimetismo Demoníaco

Medo /////////////
Lidar com os próprios sentimentos. E principalmente ficar sem cigarro.

Faceclaim /////////////
Michael Tintiuc


"Eu era uma criança, esse monstro que os adultos fabricam com as suas mágoas."

PERSONALIDADE



Pegue uma criança cujo qual a vida era um eterno parque de diversões e dê a ela um algodão-doce amargo. Apague as luzes do parque e manche a maquiagem dos palhaços. Dê à um ator cortinas transparentes para que se prepare para um espetáculo diante de uma plateia vazia. Tire do musico sua música e do poeta sua palavra, e o que sobrar é o que o mundo fez deles. É o que o mundo fez do Aidan.

Está sempre com um cigarro na boca, ou ao menos procurando um. Se isso reflete a falta de cuidado que possui consigo mesmo, o cabelo longo não por capricho, mas meramente por falta de vontade de cortá-lo, completa o resto da impressão de que Aidan mantém a cabeça focada em outras coisas além do próprio corpo. Se seu sorriso sínico que raramente sai do rosto quando está conversando não transmitir perfeitamente o sarcasmo e jogo de palavras que domina a atitude de Crowley, sua lábia afiada certamente transmite. E como poderia ser de outro jeito, quando desce criança precisou lidar com um mundo de máscaras e atuações? Aidan aprendeu que não é apenas no palco que interpretamos papéis, mas que todo o mundo é um grande espetáculo, um grande jogo de intenções onde poucas coisas são verdadeiras e espontâneas. Ele realmente costumava esperar que alguém lhe mostrasse uma que fosse, mas parece que essas coisas são raras.

De uma coisa Aidan tem certeza: "a questão não é o que fazem conosco, mas sim o que fazemos com o que fazem conosco".

HISTÓRIA



Aidan cresceu em Blackpool, uma cidade litorânea no oeste da Inglaterra. Cercado do show de luzes da cidade, deslumbrado todas as vezes que subia no alto da Torre de Blackpool durante a noite e estendia os braços ao lado do corpo com seus amigos de infância. O vento era tão forte que o Aidan quase podia sentir como seria voar. Esquecia-se do chão, dos pés descalços sentindo a pedra áspera e molhada de chuva no batente da varanda da torre. Mergulhava no silêncio do bater do próprio coração acelerado pela adrenalina. Tão alto que podia enxergar tanto o mar que banhava a cidade como podia enxergar a luz que a cidade banhava o mar. Tão alto que era quase como voar. Descer de lá acompanhado de seu grupo de amigos sempre sorridentes, disponíveis para suas aventuras e peripécias pelas ruas da cidade... Era a plenitude da vida de Aidan. Nada precisaria mudar. É claro que ele não havia conhecido sua mãe e vivia com seu pai e seu tio, mas isso não era nada que incomodava o garoto. Curiosidade sobre ela? Sim, claro. Mas nada conseguia estragar a emoção da vida que tinha.

Seu pai e seu tio trabalhavam no circo da cidade, o pai como apresentador e o tio como ator. Aprendeu com eles a arte da interpretação e, com seus poucos dez anos, já fazia uma ótima performance de Puck quando seu tio apresentava Sonho de uma Noite de Verão. Era uma vida clara e espantosamente divertida, nenhum dia se repetia completamente. Seja com os diferentes lugares pelo circo fechado que seu pai o levava para almoçar todos os dias — uma vez almoçaram nas ferragens da montanha russa, nesse dia Aidan encontrou todos os tipos de coisas que caiam do bolso das pessoas e foi a primeira vez que teve contato com uma câmera fotográfica. Enquanto tantos reclamam da falta de interesse de seus pais em apoiar seus sonhos, Aidan teve a sorte de ser criado entre artistas que deram todo apoio possível ao sonho do garoto de estudar fotografia. Seu pai uma vez respondeu-o quando Aidan citou faculdade:

—  Não, Aidan, se pretende tecer o visual do mundo com a luz desenhada em papel, vai ter toda linha que precisar no próprio mundo.

O garoto aprendeu muito com seu pai e seu tio, e carrega até hoje muito do conhecimento deles. Homens simples que detinham grande sabedoria. Mas, infelizmente, não existe luz sem que ela projete uma sombra, e até o mais duradouro dos fusíveis esgota seu brilho.

Aidan nunca entendeu muito na época o que seu pai e seu tio faziam com aqueles outros homens de sobretudo negro. Tentou perguntar, mas eles apenas mudavam de assunto. Isso estendeu por alguns anos, e parecia de alguma forma que seu tio tentava se opor ao que seu pai fazia, mas era sempre arrastado de volta. Nunca entendeu as brigas nem como tudo se tornou tão amargo e cinza de repente. Seus amigos mudaram de cidade e ele ficou para trás, repetindo todos os velhos truques de circo para uma plateia que ia e vinha, buscando algum entretenimento para suas vidas repetitivas. E de repente Aidan viu que até para aqueles que tem o propósito de iluminar a vida dos outros possuem, por si só, uma vida acinzentada pela mesmice. Com quatorze anos decidiu finalmente que sairia de casa, que buscaria novos horizontes e rostos para ver. Era uma ideia animadora e Aidan logo se preparou para dar a notícia para sua pequena família — eles entenderiam, pensou, eles mesmo devem ter tomado decisões assim em seus dias mais jovens.

Não teve a oportunidade de contá-los, pois na mesma noite encontrou seus corpos mortos embaixo da ponte da roda gigante. Nunca soube por que, jurou vingança e perseguiu fantasmas. Mas isso não é uma história de heróis valentes onde tudo dá certo no final. Aidan nunca encontrou novamente os homens de sobretudo negro e, quando a fome começou a atacar fundo em seu estômago e roubar pequenas comidas da feira não o satisfazia mais, aprendeu que a vida é um pânico em um teatro sem chamas. Perseguimos sombras bruxuleantes do que achamos ser fogo e nada mais é do que o nosso próprio reflexo projetado nas paredes de uma sala vazia. Desabou a primeira vez na vida, pela primeira vez entregou-se aos prantos e pensou se não seria melhor se tudo acabasse ali. Por que não tentar voar do alto da Torre de Blackpool? Subiu até lá e, como nos dias de sua infância que agora parecia tão distante, estendeu os braços ao lado do seu corpo. Por algum motivo, não conseguia mais deixar de sentir o chão ou de ouvir os burburinhos das pessoas a sua volta.

— E o resto é o silêncio. —  Sussurrou entredentes antes de desistir da ideia e voltar para a segurança do interior da torre. Precisava buscar novos horizontes e foi o que fez. Juntou o pouco que reuniu dos meses que perambulou pelas ruas da cidade e partiu.

Mythop. Weeton. Wesham e pegou a A585 até Esprick e seguiu ao sul e depois leste até Preston. Não tinha um canto para chamar de lar além da própria mente confusa. Passou fome, sede, foi assaltado e espancado. Sobreviveu nas sombras das estradas quando, em sua infância, viveu nas luzes das cidades. Demorava-se pouco em cada cidade, passando o maior tempo em Preston, onde conseguiu arrumar algumas pontas para se alimentar melhor. Mas não era o que Aidan buscava e ele não conseguiu lutar contra aquela insatisfação dentro de si, aquele chamado pelo recomeço. De novo e de novo. Manchester segurou o garoto de agora dezoito anos muito bem, mais por causa das oportunidades de emprego do que por qualquer outra coisa. Evitava sempre o circo da cidade, e parecia razoavelmente satisfeito lá. Mas surgiu uma oportunidade indispensável no caminho de Aidan quando a contra-gosto fez o papel de Otelo em uma peça de um diretor falido cujo qual ele devia um favor. Por puro acaso, um produtor interessado em jovens atores assistiu sua performance e gostou bastante do que viu.

— Não é nada complicado, Aid. Posso chamar o senhor de Aid? Pois muito bem. Você vem comigo para Londres e eu cuido de tudo, você só precisa se preocupar com o palco.

Aidan experimentou o suficiente de pão amanhecido para saber sentir o cheiro de uma boa refeição quente quando passava perto de uma. Aceitou a proposta, relutante no começo, mas, quando viu pela primeira vez o Big Ben, não pode deixar de permitir-se um sorriso sincero após tanto tempo.

Construiu uma amizade com o produtor desesperado — apesar de não ter tido muita paciência com seus surtos artísticos de ideias não tão artísticas. Não gostava também da forma que ele reclamava dos cigarros do Aidan, que fumava-os desde Preston, quando tinha um trocado sobrando no bolso e resolveu experimentar. Mas não tinha, em geral, nenhum motivo para reclamar. Com exceção daquela velha sensação de insatisfação que voltou a crescer no peito do Aidan. Uma relação de amizade e inimizade velha que o acompanhou ao longo de todos esses anos.

Com vinte anos começou a envolver-se com as pessoas erradas, como quase todo jovem ator em ascensão. Drogas mais pesadas e noitadas de bebida intensa encheram tanto os fins de semana quanto os dias da semana do Crowley. Ele nunca quis se envolver com nenhuma garota que suas más companhias traziam, vale constar. Era poeta demais para tal atitude tão frívola quanto uma noite de paixão cega e sem amor, dizia a si mesmo, quase como um reflexo das palavras que seu pai falaria na mesma situação. Mas, é claro, por mais divertido que fosse para Aidan, aquela vida acabou refletindo mal em sua carreira, e seus incidentes com drogas e bebidas logo fecharam as portas do cinema e do teatro para ele. E, quando não sobrou muito dinheiro para pagar suas dívidas, ele encontrou-se em uma posição dolorosamente familiar:

— É simples, Crowley, esperamos o suficiente. Acha que nós sustentamos seus vícios por causa que tem um rostinho bonito e famoso? Não, garoto, era seu bolso gordo e de luxo que segurava nossa amizade. Nós éramos amigos, Aidan, qual é. O que foi que deu em você para me trair assim? Deixando de alimentar os negócios do Vander? — Aidan ouvia por entre os chutes que recebia nas costelas. Estava embaixo de alguma ponte com alguma roda gigante em algum lugar qualquer de Londres. Será que seria encontrado por alguém como quando encontrou seu pai e seu tio?

Havia enrolado o Vander máximo que conseguiu, mas desde o começo sabia que não conseguiria o dinheiro a tempo. Estava falido e esquecido. Ninguém contrataria um ator incapaz de decorar as próprias falas.

— Will...— sussurrou entredentes.

O homem de chapéu levantou a mão e os dois encapuzados pararam de chutar Aidan. O ator falido procurou com as mãos o pilar de madeira da ponte e, com dificuldade, apoiou-se para ficar de pé. Olhou nos olhos de cada um dos três. Um deles começou a se aproximar para derrubar Aidan, mas ele ergueu a mão direita em direção ao rosto do garoto, com o indicador levantado. O homem parou, franzindo as sobrancelhas.

— Desculpe, eu preciso de um instante, sim? — Reclamou entre um gemido e outro.

— O quê? — Will perguntou, trocando o peso das pernas.

Então Aidan colocou a mão no bolso do sobretudo, segurando alguma coisa. Os três mafiosos arregalaram os olhos, preparando-se para pegar suas armas. Aidan observou a expressão de susto dos três e sorriu, tirando do bolso um maço de cigarro e um isqueiro barato. Equilibrou um cigarro entre os lábios e acendeu a chama, praguejando sempre que uma lufada de vento atrapalhava.

— Bolas, Will, onde estão seus modos? Ajude-me com isso, ande logo! — Aidan deu um olhar mortal para Will, que abriu e fechou a boca, incerto do que estava acontecendo. Por fim, decidiu que o melhor seria terminar logo aquilo e continuar seu trabalho, então caminhou até Aidan e, com as mãos em concha, ajudou o ator a proteger o isqueiro do vento. Afinal, ele estava ferido e devia ser realmente... Não concluiu o pensamento.

Aidan deu uma cabeçada no nariz do mafioso não muito famoso por sua inteligência, que antes que tropeçasse para trás, foi agarrado pelo ágil garoto e usado como escudo humano quando os outros dois capangas tiraram suas pistolas do cinto. Aproveitando-se da incerteza deles em atirar e machucar o companheiro ou não, Aidan jogou o peso do corpo para trás, puxando Will junto e colocando a mão no bolso do homem e disparando o revólver em seu pé. Will gritou, praguejando, e foi o incentivo que os outros dois precisavam para começar a disparar. O corpo do Will serviu muito bem de escudo enquanto Aidan agachava-se e recuava até uma pedra próxima. Conseguiu finalmente arrancar a pistola do bolso do mafioso e começou a disparar em direção aos outros dois. Acertou um no ombro e depois na barriga, e o outro na coxa e no pescoço. E então, majestosamente, largou a pistola para um lado e derrubou o corpo inerte de Will para o outro, puxando de sua cabeça o seu chapéu:

— Maldito inferno, Will, você tem um gosto excelente para chapéu. — Experimentou o chapéu do amigo, mas, quando ia levantar-se, sentiu uma dor fina na perna e tropeçou para o lado, apoiando-se na pedra. — Oh, foi uma performance quase perfeita, vamos lá.

Saiu mancando até a estrada próximo a ponte e sentou-se nela. Parecia vazia.

— Eles devem ter vindo de carro... — Antes que terminasse de falar, dois faróis acenderam no final da estrada. Não haviam vindo sozinhos. O carro estava parado, apontado em direção a Aidan.

Por um momento ele pareceu não entender. Mas então veio tudo como um raio na mente dele. Will não cobraria sozinho. O próprio Vander estava dentro daquele carro, e, pela forma como ele permanecia parado, Aidan não tinha certeza do que aconteceria. Abriu a boca para tentar conversar, e então o carro deu partida em sua direção. Olhou em volta e não encontrou nenhuma solução, estava ferido na perna e não conseguiria desviar-se a tempo. Não podia fazer muita coisa. Então, tudo o que fez foi apoiar-se em uma só perna e abrir os braços ao lado do corpo, quase como quando estava no alto da Torre de Blackpool. Mas se ia morrer mesmo, por que não tentar morrer com estilo? Preparou-se para socar o carro e deixou que sua mão fizesse o resto. Fechou os olhos e sorriu.

Seu sorriso estancou quando o carro espatifou-se no encontro do seu soco.

Por um momento, só conseguia ouvir o leve zumbido da batida, e de como, estranhamente, o carro parecia menor. De como ele parecia mais alto. Olhou em volta quando o carro recuou alguns metros para trás, amassado. Imaginou o rosto de Vander ensanguentado no meio dos destroços metálicos e, por um momento, a confusão se esvaiu e ele sentiu alívio. Mas como? Não teve muito tempo para pensar. Olhou para trás. Sentia seu corpo inteiro queimando, sentia que o próprio corpo não pertencia a si mesmo. E acima de tudo, sentia uma dor começar a surgir em seu peito esquerdo, seu ombro, sua omoplata. Olhou para a própria mão e ela estava quebrada e dormente.

Vagou até os limites da cidade em uma espécie de transe. As ruas desertas estavam gélidas, mas seu corpo febril mal absorvia a sensação de frio. Sentia tudo dentro de si queimar. Caminhou até o subúrbio e tropeçou nos próprios passos. Não se sentia mais tão alto e tão alheio a si mesmo, sentia apenas um cansaço extremo que apenas permitiu que dormisse quando o sol nasceu. Voltou a acordar novamente no pôr do sol, e seu corpo queimava em febre. Sua cabeça zonza doía como se tivesse parado o carro com ela e não com a mão... A mão, lembrou-se dela com uma careta. Estava imóvel e dolorosamente inchada. Tentou se levantar e apenas tropeçou para o lado, caindo com o peso do corpo em cima do braço.

— Inferno sangrento, malditas pistolas... — Inspecionou o ferimento na coxa e não parecia ter infecionado, mas não iria ficar bem se não tirasse logo a bala de lá. Precisava encontrar o caminho de casa, mas não conseguia se situar. Sua mente estava turva e mal conseguia focar os olhos. — Quando foi a última vez que eu cheirei?

Era isso. Estava tendo uma crise de abstinência no meio do nada, e não conseguia encontrar o caminho de volta para casa. Naquela noite, alucinou com carros vindo em sua direção para atropelá-lo. Mas longo antes de ser atingido, o carro sumia e tudo o que Aidan fazia era desequilibrar-se e cair sentado para trás, assustado. Parecia que até os mendigos evitavam-o quando se aproximava cambaleante de alguma fogueira para tentar aquecer-se. Isso durou pelo que parecia serem dias, e Aidan começou a lembrar-se da sensação de ser um maltrapilho pelas ruas de Blackpool.

Na sua última noite, viu mais um carro surgir no final da rua. Cansado das alucinações, parou na sua frente e tirou o chapéu surrado de Will, fazendo uma reverência. O carro diminuiu de velocidade e parou na sua frente. Dois homens encapuzados desceram.

Aidan franziu o cenho, e, quando decidiu que deveria correr, sua perna ferida só o fez tropeçar para trás e cair nos braços de um dos homens.

E o resto foi o silêncio.

A ENTREVISTA



Quando abriu os olhos, sentiu-os queimar com a iluminação nova. Tentou levar a mão até o rosto para cobri-los, mas sentiu um puxão e o barulho de ferro tinindo. Estava algemado? Lentamente seus olhos se acostumaram e ele pôde olhar em volta. Havia um soro ligado ao seu braço, estava com aquelas malditas roupas de hospital que Aidan odiava usar quando tinha alguma overdose e acordava no hospital. Sua outra mão estava enfaixada. Franziu o cenho diante disso. A polícia encontrou os corpos e seguiu seu rastro? Ou o Vander não estava no carro e mandou homens atrás dele? Por que cuidaria do ferimento de sua mão, então?

Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho do trinco de uma porta abrindo. Era tão branca quanto as paredes e Aidan nem havia a notado inicialmente. Um homem com com bata de médico entrou na sala. Aidan tentou identificar seu rosto, mas um capuz insistia em projetar sombras longas que cobria completamente seu rosto. O homem parou ao seu lado.

— Bem... É seguro dizer que o senhor encontrou meu maço de cigarro, sim? Pode me dá-lo antes que eu comece a citar os meus direitos? — Aidan falou, tentando espreitar o rosto do médico.

O médico continuou parado.

— O que você tem de único? — Então ele finalmente falou com uma voz grave. Grave demais para ser natural. Aidan franziu o cenho, olhando em volta.

— Quando o Vander mudou de método de tortura? — Aidan sussurrou, mais para si do que para a figura encapuzada.

— O que você tem de único? — O homem voltou a perguntar, impassível.

— Bem, isso é um encontro? Eu não tenho certeza se você já deveria estar usando as algemas, se estamos na parte de nos conhecermos melhor. — Aidan balançou o pulso algemado — Há quem diga que esse tipo de coisa deve ser guardado para a terceira noite. — O inglês olhou para o homem encapuzado, esperando alguma reação que pudesse explorar. Respirou fundo quando o médico continuou parado ao seu lado. — Bolas, o que eu tenho de único, não é? Eu sou o único mentiroso no mundo que busca uma verdade.

— Qual sua melhor qualidade e seu pior defeito?

Aidan pondera por um segundo, com ar divertido.

— Sou bom em lidar com pessoas. Ah, e em parar carros em movimento também — O inglês sorri para o médico. — Mas sou tremendamente difícil de me satisfazer com qualquer coisa. — E então muda para uma expressão de extrema tristeza, claramente forçada.

— Por quais motivos acha que veio para cá? O que vai fazer se eu te contar que nunca mais vai poder voltar para casa?

— Oh, mas isso é jogar verde, senhor. Se eu responder o motivo de eu achar que estou aqui, você só confirmaria o que tem em mãos, não é? Só vou falar sobre isso com a presença do meu advogado. E quanto a outra pergunta, eu tenho uma definição muito ampla de casa... Mas garanto-lhe que não ficarei muito tempo em um lugar que não me agrada. — Sorriu.

— Qual era a coisa mais importante na sua antiga vida e por que era isso?

Aidan parou de sorrir, semicerrando os olhos e falando cuidadosamente:

— O meu. Maldito. Maço. De. Cigarros.

O médico continuou parado.

— Oh, bolas, porque todo homem tem direito a ter seu vício. — Aidan dispara, cansado do jogo. — Respondi o seu questionário, senhor?

— Se defina em três palavras.

— Inteligente, bonito e bem rico.— Sorri, assoprando uma mecha de cabelo que escorregava até sua boca. — Tenho certeza que podemos chegar em um acordo agradável a nós dois caso o senhor aceite responder algumas perguntas minhas também.

— Qual seu maior medo e o que você faz para combate-lo?

Suspira, dando-se por vencido.

— Muito bem. Eu mesmo, e eu apenas convivo com ele.

Aidan repousa a cabeça na cama, sorrindo consigo mesmo. O médico então retira uma ficha da bata e joga em cima de uma mesa branca ao lado da cama. O inglês vira a cabeça em direção ao homem, acompanhando seus movimentos com os olhos. Então o médico pega uma seringa ao lado da ficha.

— Inferno sangrento, você não vai colocar isso em mim! Se o senhor se aproxima, prepare-se para que eu enfie esse seu maldito capuz... — Não conseguiu terminar de falar. O médico enfiou a seringa no braço de Aidan, que instantaneamente sentiu sua língua tornar-se pesada e pastosa. Faltou-lhe forças até para mover a cabeça. O médico caminhou para fora da sala, deixando a porta aberta. A última coisa que viu antes de desmaiar foi duas formas escuras surgindo contra à luz externa.

Quando voltou a abrir os olhos, estava em uma cela bem mais agradável do que qualquer outra que ele tenha passado pela sua vida, mas tão claustrofóbica para Aidan como qualquer outra. Levantou-se zonzo da cama, inspecionando sua mão e sua perna. O gesso já havia sido retirado e ambos os ferimentos pareciam ter sarado bem. Apenas azedou-lhe a expressão no rosto quando notou que estava vestindo roupas de prisioneiro.

E então franziu o cenho diante da porta da cela aberta.

— Me sinto em um maldito teste.

Começou a andar em direção ao desconhecido como fez tantas vezes antes. Sentir o leve frio na barriga despertou-lhe uma parte dele que há muito havia esquecido. Respirou fundo e pôs um sorriso no rosto, lamentando a falta do seu maço de cigarros.


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Aidan Crowley
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