[RP] A Matter of Time

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[RP] A Matter of Time

Mensagem por Andrew N. Cunningham em Seg Jan 04, 2016 7:51 pm



A Matter of Time
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✖ Usuários: Andrew N. Cunningham e Alexis Stein Krützen.
✖ Status: Encerrada.
✖ Local: Cela 006.
✖ Conteúdo: Livre para todos os públicos.
✖ Dia: Terça-feira.
✖ Clima: Plenamente ensolarado.
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Última edição por Andrew N. Cunningham em Qua Jan 20, 2016 8:57 pm, editado 1 vez(es)

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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Andrew N. Cunningham em Seg Jan 04, 2016 8:42 pm



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As coisas mais importantes são as mais difíceis de expressar. São as coisas das quais você se envergonha, pois as palavras as diminuem — as palavras reduzem o que parecia ilimitável quando estava dentro de você à mera dimensão normal quando é revelado. Então muitas vezes é preferível manter o tumulto de sentimentos oculto, preservado nos confins da mente a redefini-los. Ao menos Andrew compartilhava dessa interpretação.

Quando acordara nesta manhã sob uma longa — e inconveniente — faixa luminosa lhe importunando logo cedo, sentia-se estranhamente melancólico, como se algo dentro de si tivesse se rompido e libertado uma onda de sentimentos conflitantes. Não era, no entanto, a primeira vez. Tal sensação repetia-se diariamente desde a… — A ida ao farol. — Sua voz não passava de um resmungo sonolento enquanto encontrava-se displicentemente largado no catre, encarando meditativo o teto conforme a monotonia matinal perdurava-se. Minutos transcorreram assim, nessa conduta inalterável. Por fim — e a muito custo —, ergueu-se vagarosamente até pôr-se de pé.

Os últimos três dias foram árduos. Muitos dos internos foram submetidos aos extravagantes experimentos daquele desprezível lugar — Andrew entre eles. Sala de projeções, como chamavam. Um nome tão simplório para um espaço deveras temível; testes horríveis eram executados contra os prisioneiros dali. A exaustão vinha inclemente. E desde então, não a vira. Alexis. Como poderia, se estava preso àquela rotina desgastante? Tentara, firmemente, encontrá-la. Em vão. Hoje, no entanto, a vida lhe cedera um calmo despertar.

Feito os primeiros ajustes em si após levantar-se — enxotar o sono sendo um deles —, decidira vagar. Por que não? Embora demasiado cedo — a limpidez inofensiva do sol anunciava isso —, lançou-se de encontro ao corredor, onde trotou vagarosamente durante alguns bons segundos, cruzando a incontável fileira de celas dispostas. À medida que ganhava caminho, os números diminuíam sob o olhar vigilante de Andrew. Da cela 017, encontrava-se agora na 010, e a cada uma que cruzava, disparava um olhar analítico à procura do óbvio. 009, 008, 007... Nenhum rosto familiar até então.

A próxima cela, no entanto, desfez o pessimismo crescente e o deteve. A cabeleira loira, o corpo esguio postado sobre o catre, toda aquela aura nostálgica. Inigualável, hum? Andrew descobriu-se congelado ao reencontrá-la, o coração disparando a um ritmo alucinante, a expressão adquirindo ares de fascínio. — Alexis...? — Chamá-la exigiu um denso esforço, manifestado no timbre tremulado e lânguido. Mas no fundo, um reconfortante alívio florescia.


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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Alexis Stein Krützen em Ter Jan 05, 2016 1:59 am

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Seus pés não aguentaram levar seu corpo até o destino. Cederam imediatamente assim que as mãos brutas dos guardas desfizeram do aperto de seus braços – os corpulentos e mascarados funcionários estavam sustentando todo o corpo da jovem, encarregando-se de leva-la até sua cela após as esgotantes horas dentro da sala de projeção. Os joelhos da jovem tocaram o chão primeiro; logo Alexis tomou a superfície fria e áspera como assento. Não sabia onde encontrar sua cama, a visão estava embaçada pelas lágrimas que transbordavam de seus olhos. Os comandantes sabiam instigar e amplificar os sentimentos de Alexis de maneira a qual a garota se via consumida e cega por suas negatividades. Culpa, raiva, perda. Era um mar de emoções negativas que apenas alimentavam os demônios dentro dela. Afinal, cada um tinha um pequeno demônio dentro de si, um monstro franzino que sempre está no aguardo de sentimentos para se alimentar. Alexis negava-se a imaginar o tamanho de seus demônios interior.

A jovem levou a mão ao rosto, pressionando os dedos com força nas pálpebras; arrastou a mão até que as pontas dos dedos encontraram-se nas têmporas, limpando assim as lágrimas que se acumulavam. Um soluço escapou de seus lábios. As cenas que se desenrolaram na projeção ainda passeavam vividamente por sua memória; nenhum momento era deixado de fora. E apesar de tudo, Alexis nem precisava de uma projeção para se lembrar daquelas cenas; elas vinham constantemente atormentar sua mente. Mas, obviamente, os comandantes viam-se na obrigação de não a deixar esquecer qualquer detalhe de seu pior pesadelo. Alexis, em sua memória, via uma pequena garotinha loira sendo arrastada por dois homens de terno. Enquanto era obrigada a entrar em um automóvel desconhecido, ela observava o prédio do outro lado da rua com a expressão assustada, a beira do pânico enquanto chorava copiosamente. Alexis lembrava dos homens ocupando os assentos da frente, o motorista ria, e o outro mandava a garotinha calar a boca, antes de ameaçar colocar uma mordaça para calar a voz extremamente aguda de uma criança de oito anos. A criança soluçou em resposta, tentando diminuir os ruídos. Suas mãos encontraram o vidro do carro, estendidas enquanto seus olhos observavam a visão do caos. O prédio, aquele do outro lado da rua, o qual a garotinha havia acabado de sair, foi coberto por uma nuvem espessa de poeira. E as cinzas e as chamas foram a última coisa que ela viu antes de o carro virar em outra rua. [...]

As íris ostentava uma incomum e vívida coloração azulada, parecia um perfeito quadro cujo fora pintado pequenos raios, riscos de eletricidade que foram animados, ganhando vida. Olhava fixamente para o teto, embora nem ao menos soubesse o motivo. Convencera que ele seria um quadro agradável para pintar seus pensamentos, esses tão agitados quanto seus olhos. O rosto, porém, ostentava de uma serenidade quase artificial. Realmente era. Os pensamentos estavam tumultuosos e isso transparecia em seus olhos. Não fazia muito tempo que estava daquela forma, mas parecia uma eternidade. O tempo tornava-se o maior inimigo quando se tem a ausência do sono e de algo para se fazer. Os raios luminosos do sol já adentravam por entre as aberturas das barras de ferro da janela, anunciando que mais um dia se iniciava, o que não era algo muito animador. Até que uma voz com características já conhecidas pela jovem adentrara aos seus ouvidos, proferindo seu nome de forma incerta. Surpresa, ela direcionou o olhar imediatamente para a direção a qual a voz vinha.

As sobrancelhas se franziram de forma leve, demonstrando tamanha incredulidade perante a figura postada em frente a sua cela.  Levantou-se, elevando as mãos até os fios, tentando os comportar de alguma forma enquanto caminhava até a porta. Os olhos permaneciam fixos no de Andrew, indagadores e contemplativos. Não havia motivos para ele a procurar, haveria? A agitação dominou seu interior, de repente, o que já estava tumultuado conseguira piorar. Só que, desta vez, aquele reboliço era algo incrivelmente bom. A consumia de forma agradável, incomum. — Andrew! – falou, assim que abriu a porta da cela. A voz expressou a surpresa que ela sentia, e mostrava estampada em sua expressão. — O que lhe traz a me fazer uma visita tão cedo? Aconteceu alguma coisa? – o semblante adquiriu aspectos de desconfiança e preocupação, não desviando o olhar até que fora necessário, para analisar o pequeno fluxo de detentos e guardas que já se iniciava naquele corredor. — Deseja entrar? Acho que ficaremos mais à vontade, particularmente não gosto de ficar sendo vigiada pelos seguranças e expostas aos olhares alheios e curiosos.

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Última edição por Alexis Stein Krützen em Dom Jan 10, 2016 11:16 pm, editado 1 vez(es)

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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Andrew N. Cunningham em Ter Jan 05, 2016 8:02 pm



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Encontrava-se curiosamente dividido entre o fascínio e a inquietação. Tornar a vê-la trouxe-lhe uma combinação desordenada de sentimentos — algo incomum na vida do sempre tão resoluto Andrew. Percebia agora que, à sua frente, estava alguém capaz de revelar aquela parcela vulnerável de si, mantida oculta no mais profundo âmago. E a consequência disso tudo eram os sintomas desconcertantes. O coração ainda não dera trégua; seguia martelando o peito. Ademais, sentia o umedecer nas palmas ligeiramente trêmulas. Havia também uma leve palpitação percorrendo-lhe por dentro. Nomear tais emoções parecia impossível.

Quando os olhares se esbarraram, Andrew inalou pesadamente, receoso, e forçou-se a retomar o controle do próprio corpo. Da mente. Precisava focar, porém era-lhe uma árdua tarefa. Alexis o desarmava por completo; seus olhos exalavam aquela estranha mistura de graciosidade e astúcia. Exatamente como na ocasião do farol. Nada mudara, embora o rapaz achasse ter visto a sombra de uma discreta desolação na expressão da garota. Ainda assim, procurou ignorar essa vaga impressão. Nessa hora a loira veio até ele; abriu a porta da cela e cumprimentou-o. Feito isso, ela disparou-lhe a pergunta básica, deixando-o estranhamente perturbado. — Bem, eu... — O quê? Havia algo a ser dito, alguma justificativa plausível? Não. Ele apenas ansiava reencontrá-la. — Está tudo bem? Há alguns dias que não a vejo, então... achei que seria uma boa ideia checar a situação... — Limpou a garganta seca com um comedido pigarro. — Aliás, andei de fato ocupado com alguns... imprevistos. — Sala de projeções, diga-se de passagem.

Se ela acataria ou não o argumento, pouco importava a essa altura: Alexis, em um gesto estimável, o convidara a entrar. Ele conteve a satisfação que floresceu internamente, uma euforia fervilhante. Os lábios exibiram um recatado sorriso. Com a cabeça, Andrew assentiu e, sem muita delonga, conduziu-se cela adentro, cada passo sendo calculado até por fim achar-se no centro do diminuto recinto. Seu olhar diligente vagou em volta, avaliando e registrando cada minúcia do local, como se tentasse absorver detalhes específicos concernentes a Alexis, algum traço dela, talvez apenas uma peculiaridade simplória. Mas não havia tempo para isso. Andrew desfez-se da pose despretensiosa e voltou-se para ela com uma nova postura, radiando firmeza. — Há algo de errado com você. — Sem rodeios; ele preferia assim. — A despeito de termos nos visto uma única vez, sou bom em analisar pessoas, e aqui vejo uma Alexis carregando um denso fardo todavia sem querer expô-lo. Então diga-me: o que houve? — Encurtava gradativamente a distância entre ambos após a indagação.


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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Alexis Stein Krützen em Qua Jan 06, 2016 1:11 am

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Alexis decidiu assumir uma posição mais controlada de suas emoções, suavizando a expressão surpreendida e deixando o lado curioso de lado. Não foi preciso meditar muito a respeito para que várias hipóteses se formulassem em sua mente, embora fosse difícil de acreditar em suas próprias ideias. Imaginava que depois do encontro do farol nunca mais o veria novamente, embora presos no mesmo local, era incrivelmente fácil não se encontrar com alguém. Ela não criara expectativas quanto a isso, se acostumara com certos tipos de coisa e fingia não se importar até que acabava, de fato, não se importando. Mas ontem, ao ir ao farol para examinar melhor o local e treinar, acabara pegando-se ansiosa na expectativa de que o rapaz aparecesse novamente no local. O pensamento não era algo sólido, mas embora negava de sua existência, o sentimento estava lá. De qualquer forma, ali estava o rapaz a sua frente, jogando para o alto todo o domínio mental de Alexis.

A aparência não mudara em nada – haveria como mudar em três dias? Talvez a barba, mas nem isso. Os fios escuros continuavam a emoldurar de forma elegante o contorno do rosto, a postura continuava a mesma, e os olhos ainda eram encantadores e profundos... Ainda assim Alexis sentia algo diferente. A aura confiante parecia ter sido substituída por inquietação, que ficara evidente somente quando o mesmo respondera as perguntas iniciais da loira. Andrew pareceu incerto do que iria dizer, talvez nem ao menos tivesse alguma resposta concreta. Mas no fim, sua resposta havia novamente causado uma onda de surpresa em Alexis, que sentiu as sobrancelhas curvarem-se involuntariamente. Andrew queria checar que Alexis estava bem? A garota não sabia nem como responder a uma coisa daquelas. No mínimo, achava aquilo fora de sua realidade. Quase riu com tamanha incredulidade. E, droga, o sangue continuava naquela circulação frenética pelo seu corpo. O coração parecia estar se desafiando: Vamos ver quantas vezes eu posso bater em um segundo.

Alexis aguardou Andrew adentrar a sua cela para que pudesse empurrar a porta de metal de encontro ao batente, causando o característico som metálico que não perdurou muito. Sugou o ar para seus pulmões com força antes de virar-se para contemplar novamente as profundezas dos olhos de Andrew. Desta vez, o rapaz parecia ter abandonado a tensão, retomara a sua familiar postura. O que ele estaria pensando? Sua afirmação a pegou desprevenida; Alexis o olhou com curiosidade, e, talvez, um pouco confusa. Havia sido direto demais, soara acusatório. Delirando. Ele está delirando. Não há nada de errado com você. Desarmada, seu próprio corpo a denunciou. O rosto adquiriu uma coloração ruborizada, por conta da circulação sanguínea mais frenética. Passou por ele, ora para alcançar sua cama, ora para ter tempo de recuperar-se. Sentou-se na beira, olhando para seus sapatos. Os dedos passearam pela superfície da cabeça uma única vez para arrumar os fios, então ela voltou a olhar para Andrew, percebendo que o mesmo continuava em pé. — Sinta-se à vontade, por favor – com um gesto longo e aberto, Alexis apontou a extensão de sua cama e a de sua companheira de cela, que não aparecia a dias. — Insônia – foi tão direta quanto ele, mas sua fala não terminou ali. Fez uma pausa, respirando pesarosamente antes de prosseguir — Não consegui dormir essa noite, isso por enquanto não é um fardo. De qualquer maneira, isso já se tornou normal, sabe? Desde meus treze anos, por ai, tenho isso – ergueu os ombros brevemente, um movimento meio desdenhoso — E não me sinto cansada. Sem sono e disposta. Provavelmente dormirei por dois dias – dotou-se de um tom mais leve, descontraído, deixando um desajeitado sorriso delinear seus lábios.

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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Andrew N. Cunningham em Qua Jan 06, 2016 7:53 pm



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Quando finalmente a sós — ou ao menos ocultos de possíveis olhares bisbilhoteiros dos outros detentos —, uma reconfortante e familiar atmosfera se instaurou no recinto. Ali não era o ambiente perfeito, tampouco adequado, para uma reunião, porém supria a necessidade de privacidade entre ambos. Andrew havia estancado o caminhar; subitamente cessara a aproximação sobre Alexis. Agora pairava inerte a cerca de um metro dela, munido de uma expressão enigmática, além de perpetuar a postura austera enquanto ansiava curioso pela réplica da garota. Seus olhos a perseguiam insistentemente, dois glóbulos analíticos avaliando cada aspecto a ser evidenciado por Alexis. Era uma atitude invasiva, precisava admitir, no entanto necessária.

Manteve-se estático quando a colega deslocou-se da porta ao catre, suas faces delicadas sugestivamente enrubescidas depois do que ouvira; a verdade tende a causar esse efeito. Um mal sinal, talvez...? Ele logo enxotou tal ponderação da mente ao constatar o convite para sentar-se. Aceitou... e optou por acomodar-se ao lado dela. As mãos pousaram firmes nos joelhos dobrados conforme aprumava o corpo, adquirindo uma pose solene. Prontamente assentado, redirecionou toda a atenção a Alexis, o rosto ligeiramente voltado no sentido dela. O diálogo prosseguiu. — Insônia? — Embora tencionasse de fato perguntá-la, a voz saíra excessivamente débil, baixa demais para ser ouvida. Andrew sentiu-se estranhamente consternado. Lidar diariamente com a política opressiva da prisão podia, sim, produzir sintomas cuja repetição exacerbada acarretaria em problemas nefastos como a insônia. Algo compreensível. Mas ouvir essa realidade da boca de Alexis causou-lhe um peculiar desconforto.

Fez-se um silêncio reflexivo, cada um absorvendo o conteúdo da conversa a seu modo. Logo ela retomou a fala, e o rapaz atentou-se em ouvi-la. Ao final, ele ergueu-se bruscamente, exalando uma perturbadora aura de seriedade jamais testemunhada pela loira. Dominado por uma temporária mudez, andou despretensiosamente através do estreito espaço da cela, alcançando a outra parede, onde restou parado a encará-la. Encontrava-se de costas para Alexis. Seus ombros subiam e desciam lenta e ritmicamente à medida que a respiração densa perdurava-se. — Compreendo... — disse, por fim. Ouviu-se um lastimável suspiro, seguido por um breve riso cáustico. Então... — Eles também te arrastaram para aquele lugar, não foi? — O tom das palavras tinha um quê de sombrio. Andrew deu meia-volta, disparando-lhe o olhar profundo e sagaz de sempre. — Sala de projeções. Forçaram-na a enfrentar as barbaridades daquele lugar. O que te mostraram dessa vez? Conseguiram invadir sua mente e forçá-la a enfrentar seus mais profundos medos? — Passos inabaláveis o levaram para perto dela mais uma vez, e ao invés de lançar-se à cama, agachou-se diante de Alexis, os joelhos encontrando o chão poeirento. — Vamos, sem segredos entre nós... — soou confidencial —, abra-se comigo.
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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Alexis Stein Krützen em Qui Jan 07, 2016 12:49 am

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Sua tentativa de tornar suas palavras menos impactantes em Andrew fora completamente em vão. Sabia que não tinha os recursos necessários para trazer a descontração em sua frase, não tinha a firmeza precisa para convencê-lo da verdade. Naquela altura de sua vida, insônia era algo natural para ela. Andrew reagiu de uma maneira que Alexis nunca conseguiria imaginar; seu súbito levantar foi inesperado. Um segundo o mesmo encontrava-se sentado ao seu lado, uma escolha ousada, diga-se de passagem, e no outro encontrava-se marchando pelo pequeno espaço que formava a sexta cela da prisão. Andrew era uma caixinha de surpresas, e tal fato desconcertava Alexis totalmente. O garoto era imprevisível, ela não conseguia saber as coisas que se passavam em sua mente. A loira sentia em seu âmago a vontade de ser telepata naquela hora. Ela mal conseguia se expressar, o encarando perplexa com sua atitude, quase paralisada. E aquele silêncio? Pela primeira vez, ele se tornara corrosivo e perturbador.

O rapaz permanecia de costas, mas ainda assim Alexis pode captar a sua agitação; parecia com raiva. Alexis teve certeza que naquele momento estava conhecendo um outro lado de Andrew. Não podia julgá-lo afinal, também tinha seus lados. Alexis entrelaçou os dedos das mãos em cima de seu colo, apertando-os nervosamente enquanto observava as costas do rapaz. A voz dele soara mordaz, igualmente sua risada. Ela encontrara alguém com mais raiva do que ela própria daquele lugar? Sua acusação veio mascarada de uma indagação... mas ele não parecia se importar em esconder aquilo. Alexis não encontrava motivos para responder tal coisa. Ele já sabia. Era uma pergunta retórica, uma resposta com as palavras sólidas, confirmadas pela própria Alexis, poderia ser substituída pelo silêncio, que já confirmava tudo.

Então seus olhos tomaram os de Alexis. Uma sombra parecia ter sido posta sobre o rosto de Andrew, o rosto inflexível, sério, os olhos pensativos e tumultuosos. Seria uma imagem muito atraente se por dentro não estivesse ácido. A intensidade que ele aplicava naquele contato direto provocava um reboliço interno em Alexis, algo gelado e desconcertante. Mas manteve-se firme no exterior, afinal, era assim que ela lidava com qualquer coisa; focada, séria, analisando com cuidado. Após suas palavras – dessa vez, ele não havia se mostrado recluso com elas, quebrara finalmente a barreira da falta de comunicação – ele caminhou até Alexis, não detendo-se nesse ato, mas ajoelhou-se em frente a ela. Seu olhar parecia querer sugar qualquer segredo que ela guardava dentro de si, mostrava uma firmeza inabalável, e uma determinação louvável. Por fim, Alexis desviou o olhar, focando-se na parede como se algo muito importante estivesse acontecendo ali. Na verdade, algo muito importante acontecia dentro de sua mente. Decidia-se o que filtraria da verdade. O que poderia falar sobre seu passado sem te comprometer? Nunca se encontrara numa situação como aquela. E o modo como Andrew reagiu... ela simplesmente ficou preocupada.

— Sim, sala de projeções – ela disse, parecendo cuspir as palavras. Respirou fundo, e voltou a encará-lo, balançando a cabeça. — Eles levam todos para lá, sabe disso. Ninguém está imune àqueles malditos testes. Eles sabem nos atingir, compreende? Eles sabem que se me colocar para lutar com qualquer coisa eu lutaria sem hesitar – não queria soar tão confiante de si mesma, mas era uma verdade inquestionável: ela era uma tiger, afinal. — Mas então... – fez uma pausa, preenchendo o espaço vago com um sorriso sarcástico e um leve balançar de cabeça. — Então eles pegam minha memória, e me fazem revivê-las, criam situações em cima disso... Dessa última vez foi do assassinato de meus pais – aquela altura, as palavras nem passavam mais pela sua mente mais, o tom fora adquirindo um aspecto mais agressivo. Desviou o olhar para a extensão da cama ao seu lado. Tinha certeza de que não precisava mais falar sobre o assunto. Mas a situação em que se encontrava, aquele relacionamento com Andrew causava-lhe dúvidas. E ela não tinha respostas ainda, pela primeira vez. —   Por que ficou desse jeito? Por que parece se importa tanto? – a voz saíra baixa e preocupada, quase num sussurro. Ela havia voltado a olhar para ele, em busca de suas respostas.

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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Andrew N. Cunningham em Qui Jan 07, 2016 4:43 pm



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O que era para ter sido um mero encontro sem pretensões relevantes tornou-se a perfeita ocasião para expurgar as mais profundas revelações. Andrew e Alexis; ambos, em igual proporção, necessitavam dessa oportunidade a fim de arrancar todo o teor tóxico de dentro de si, manifestando-o em palavras libertadoras, dissipando o que lhes atordoava intimamente — um fardo sendo erradicado, afinal. A crueza da cena, de tão explícita, era espantosa. Não havia comedimento no desabafo. Fincado ali no chão, os joelhos raspando no assoalho hostil, o rapaz parecia dominado pela aura crescente de inquietude conforme o diálogo frenético seguia expandindo, atingindo proporções densas.

Desde o primeiro contato no farol, ele ansiava desvairadamente absorver particularidades inexploradas da garota à sua frente. Alexis lembrava-lhe um caminho intransitável, incapaz de ser analisado. À medida que insistia, porém, sentia-se mais atraído. Quando trouxe à tona a sala de projeções, ciente de que Alexis também havia sucumbido às atrocidades impostas pelos coordenadores da prisão, sabia que aquilo abriria espaço para novas descobertas, como jogar uma isca e esperar a presa deixar-se levar. Ela aparentemente rendeu-se, e de seus lábios uma profusão de palavras francas fluíram contínuas, sem prudência. Cada segundo trazia-lhe uma leva de descobertas alarmantes, e nesses instantes Andrew descobria-se inundado por uma série de sensações: compadecimento, angústia, pavor. — Oh, Deus... Assassinato dos seus pais...? — Tamanha perplexidade mal lhe permitia expressar-se claramente; seu tom soava tremulado e entrecortado. Estava estarrecido. A raiva voltava impetuosa, quase transbordante. Suspirou longamente no intuito de contê-la.

Queria dizer basta. Preferia encerrar aquele malquisto assunto ali, naquele momento. Toda a curiosidade esvaíra, substituída pelo espanto. Mas agora era tarde demais para retroceder. E então, como um golpe final, Alexis disparou-lhe duas simples perguntas, às quais Andrew viu-se, a princípio, desprovido de resposta. Seu rosto contorceu-se levemente, pensativo, o cenho franzido sugestivamente. Com lábios entreabertos e de aspecto vacilante, falou sofregamente: — Ora, eu... — Céus, estava tomado por um nervosismo incomum, inédito mesmo. — Eu apenas... me importo com você. — Embora verdadeira, a declaração parecia inconclusiva. — É tudo muito inabitual para mim, droga... Ter te conhecido tão subitamente e me identificado com intensa completude de imediato... — o timbre determinado de outrora transformou-se num balbuciar confidencial —, agora me vejo na obrigação de protegê-la, entende? — Os olhos adquiriram um brilho significativo, mas foram desviados para baixo, evitando-a. Somente depois, findos longos segundos de reflexão, fincaram-se de volta ao olhar penetrante da jovem garota. — Oh, Alexis... Como deve ter sido árduo o desenvolver da sua vida... Às vezes me pego imaginando sobre tais minúcias e sinto-me na necessidade de desvendar seu percurso até aqui, neste inferno. Então... deixemos o silêncio de lado e conte-me o resto, sim? — Uma pausa apreciável. — Do começo... até o presente momento.


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Re: [RP] A Matter of Time

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Aquele assusto lhe trazia um desgaste mental irremediável; isso pois estava expondo seus pensamentos – parte de sua vida – para Andrew, uma situação a qual ela não sabia lidar, e era necessário ter cautela. De certo, sentia-se receosa em arruinar a relação ainda deveras frágil dos dois. Alexis ainda aguardava pelas respostas de Andrew; nunca se viu tão ansiosa para obter a clareza de algo. Não queria criar especulações em sua mente, decidira que precisava ouvir uma resposta sólida a respeito daquilo, dita pelo próprio rapaz. A loira sentiu que havia abalado toda aquela postura confiante de Andrew, que agora ostentava um semblante estarrecido; e a incomodava muito tal fato, sentia que já estava arruinando as coisas, não fez intencionalmente de qualquer maneira, mas se condenava de qualquer forma. O preferia com sua postura perspicaz e confiante.

Eu apenas me importo com você. As palavras sendo ditas pela voz dele causavam um efeito maior que ela esperava. Os lábios de Alexis separaram-se, como se estivesse prestes a dizer alguma coisa, mas não havia o que dizer. Andrew conseguia desordenar seus sentimentos, o garoto tinha lábia, postura e atitude para tal coisa. Ele mirava na parte mais vulnerável de Alexis. Ele não se deteve na frase, continuou a falar. Ela o ouvia com atenção, e por um momento Alexis pareceu se esquecer de tudo. Do passado, e do futuro. O que importa é o agora. Ela realmente gostou da resposta dele, de saber que ele se preocupava com ela, e que tinha atitude o suficiente para reconhecer isso. Coisa que ela, naturalmente, não tinha.

Relaxou os ombros quando ele desviou o olhar – nem notara que os mesmos estavam rígidos. E quando seu olhar intenso a envolveu novamente, ela estava mais firme. Com toda sua singular formalidade, e desta vez com rodeios, Andrew propõem um esclarecimento sobre o passado de Alexis, curioso com a trajetória dela. Só a ideia foi capaz de causar um pavor interno na loira; ela estremeceu e balançou a cabeça em um primeiro momento. — Não... – foi a primeira coisa que saiu de sua boca, ainda balançando a cabeça em sentido de negação. Parou com o ato e fechou os olhos, sentindo a leve ardência neles. Suas cordas vocais ter perdido a capacidade de exercer seu trabalho desde que Andrew respondera sua pergunta. Voltou a abrir os olhos, o encarando suplicante. — Eu não quero falar sobre mim... Não insista, por favor – não era algo calculado para fazê-lo desistir da ideia de saber sobre ele, muito menos para comovê-lo; era a parte mais vulnerável de Alexis, ali, exposta. Ela não queria rebobinar o pesadelo novamente. Por acaso, o pensamento que talvez ela fosse caótica demais lhe passou pela sua cabeça. Afinal, nem tudo foi tão ruim quanto ela fazia parecer ser. — Me desculpe, você me pegou meio de surpresa - Ela pegou a mão dele. Se lembrou da sensação de ter a pele dele junta a sua, o calor, a textura. Lembrou-se no momento do farol, com uma atmosfera cautelosa e desconfiada, mas muito envolvente. — Não irei prometer te contar tudo, Andrew... É só que eu estou exausta de coisas negativas, sabe? Mas se você quiser saber sobre mim, tudo bem, eu irei te contar um pouco sobre minha vida, sobre as coisas que fazia na Austrália. Ok? E depois, me prometa que iremos falar sobre outra coisa... – fez uma pausa, para analisar o que acabara de falar, e logo adiantou-se a acrescentar algo que havia esquecido. — E levanta-se, não é confortável ficar desse jeito.

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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Andrew N. Cunningham em Qua Jan 13, 2016 7:39 pm



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Sobre Andrew pairava uma intuição supersticiosa de que o tempo cessara a sua obstinada incumbência de progredir. Sentia-se tão absorto, fisgado não somente pela presença de Alexis, mas particularmente pelo teor das palavras que seus lábios desprendiam; eis o porquê da vaga impressão manter-se constante. O mundo em sua volta parecia irreal naquele momento, nada mais importava. Aquela percepção era, contudo, uma mera ilusão. Os minutos corriam impetuosos, davam continuidade à sua marcha inflexível. A essa altura, as plácidas faixas luminosas que se esgueiravam pelos vãos da janela gradeada e derramavam-se no assoalho da cela — conferindo-lhe um aspecto menos taciturno — adquiriam gradativamente um fulgor acentuado e significativo. A manhã seguia avançando.

Havia também a súbita e inquietante profusão de sons sugestivos — um tumulto de passos e vozes aleatórias — a brotar das várias celas dispostas ao longo da vastidão lúgubre do corredor. Tais rumores, aparentemente irrompendo em gradual quantidade, denunciavam a presença dos outros detentos, certamente libertando-se do sono e despertando para o dia ensolarado. Alguns passaram a vagar a esmo pelo corredor, cruzando eventualmente a cela onde Andrew e Alexis mantinham-se enfurnados e paralisados numa imagem simbólica de abstração. No entanto, o moreno via-se infalivelmente dominado pela ardilosa curiosidade crescente e sequer notava-os. Estar ali tratava-se de uma chance única, afinal; não podia desperdiçá-la.

Porém as respostas não viriam facilmente. O passado de Alexis era um enorme cenário tomado por desolação e tormento, ele imaginava. Quando a garota reforçou, a princípio, o desinteresse em vasculhar as particularidades da própria vida, Andrew não pôde evitar de experimentar o gosto amargo da decepção. De qualquer forma, precisava se convencer de que sua ambição em angariar singularidades sobre a enigmática jovem tratava-se de uma prática invasiva e inconveniente. E justamente por isso, dispôs de um gesto positivo com a cabeça, aderindo à condição imposta pela loira — embora tivesse o feito a contragosto, a face lapidada por uma expressão irresoluta. O olhar recatado mirava-a cautelosamente. — Tudo bem, eu... não vou forçá-la a nada... — Surpreendeu-se ante a fraqueza da própria voz; parecia a fala de um sujeito debilitado, mortalmente conformado com uma árdua realidade. O silêncio os encobriu como um manto obscuro. Passaram-se segundos de uma mudez aflitiva. Então Alexis baniu todo o teor dessa atmosfera soturna entre ambos ao resgatar o diálogo; agora ela assumia uma postura prudente, quase complacente.

O ápice da cena, no entanto, veio a seguir: o contato entre as mãos, um reencontro cujo simples gesto trouxe aos olhos de Andrew um fulgor involuntário e expressivo. A palidez das bochechas cedeu espaço ao rubor insinuante, enquanto os lábios entreabriram-se institivamente. Foi quando percebeu o quanto a cobiçava, almejava tê-la para si. O desejo o envolveu e transbordava explícito. Todos o anseio em desvendar seus dias passados tornou-se, momentaneamente, algo secundário. Andrew somente viu-se livre deste encanto — ou frenesi — ao constatar que novas palavras chegavam a seus ouvidos, conduzindo-o de volta à realidade. — Oh... Como preferir, Alexis. Conte-me o necessário. Eu apenas... — deteve-se repentinamente; primeiro atenderia ao cômico pedido dela antes de prosseguir. Munido de um sorriso desconcertado, ele içou-se de onde estava ajoelhado e, movendo-se graciosamente, colocou-se novamente sentado ao lado da garota no catre. Por fim recobrou a conversa: — ... eu apenas sinto essa urgência em descobrir algo concernente ao seu passado. Qualquer coisa. — Umedeceu os lábios secos com a ponta da língua. — Em contrapartida, prefiro calar-me e vencer minha terrível curiosidade a causar-lhe algum desconforto. — Estabeleceu uma firmeza inegável no tom da declaração. A sinceridade era perceptível. — Fica a seu dispor. Seja qual for a decisão: sim, eu prometo que não mais insistirei nessa questão — disse-lhe, calando-se em seguida. Preparava-se mentalmente para o que logo seria trazido à tona.


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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Alexis Stein Krützen em Qua Jan 13, 2016 10:03 pm

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Aquele anseio indomável em desvendar sobre o passado de Alexis era mais intenso do que a garota achava; os motivos de tamanha obsessão pelo assunto eram desconhecidos, Alexis nunca havia tocado em algo sobre seu passado com ele para criar uma fagulha naquela curiosidade. Por isso achava que seria uma boa estratégia não esconder dela seu passado. Não todo, mas o que ela estava disposta a compartilhar. Talvez fosse o suficiente para suprir a urgência que ele sentia, e talvez fosse bom para Alexis conversar com alguém sobre coisas boas. Quando a palavra da promessa foi dita pela boca dele a loira ficou mais tranquila; acreditava fielmente que uma promessa era algo concreto, que não poderia ser desfeito, embora fosse muito ingênuo, parte dela ainda acreditava naquilo. Não precisou de reflexão para acreditar que as palavras de Andrew eram verdadeiras; sentia confiança nele, e calma.

— Eu não sou de falar sobre mim... então desculpe-me qualquer coisa – Alexis nunca fora de falar muito, e sabia que quando isso acontecia tendia a ficar nervosa e a perder as palavras, ou demonstrava uma empolgação que lhe fazia falar sem limitações. Os olhos perderam o foque, olhando um ponto qualquer a sua frente, enquanto vasculhava sua mente em busca de memórias. Coisas boas, coisas inúteis que não saberia se fosse algo interessante para Andrew. — Nasci na capital da Austrália, meus pais eram arquitetos e eu sou filha única... Quando criança costumava ir à praia quase todos os dias, eu tinha uma coleção de conchas do mar e com cinco anos meu pai começou a me ensinar a surfar – era quase como se pudesse ouvir o som calmo das ondas se quebrando, os das mais brutais se chocando violentamente contra as rochas. — Eu não tinha outros parentes no país, então meus pais eram as únicas coisas que eu tinha. Meu pai era incrível, e minha mãe muito amorosa, eu me pareço muito com ela. – ele não quer saber disso, Alexis, chega. Mas o sorriso sutil não abandonada a face, nem as lembranças da mente.

— Eu gostava muito de esportes, e lutas. Gosto até hoje, aliais. – sua última sentença lhe despertou para algo. Um pensamento que ela não planejava deixar enclausurado em sua mente por muito tempo. Umedeceu os lábios, direcionando seus olhos de encontro ao de Andrew. Um silêncio se fez presente enquanto eles se encaravam. Talvez ele estivesse esperando que ela dissesse algo. Ela iria dizer algo, mas se pegou presa em seus olhos; aquelas emoções boas que lhe preenchia por conta das memórias se agitaram um pouco. Os batimentos aceleraram drasticamente. Então Alexis fez o que iria fazer: empurrou o corpo para trás, até que as costas tocassem a parede atrás de si, e apenas a parte um pouco abaixo do joelho ficasse para fora do colchão. Cruzou os pés e pigarreou para quebrar o silêncio, como se fosse continuar sua história. — Por que não prefere perguntar sobre meu presente? – afinal, o passado não define totalmente uma pessoa, embora eles justifiquem alguns fins dela. Esperava que ele fosse focar mais sobre os poderes dela, sobre seu relacionamento com os demais prisioneiros. — Agora acho justo falar sobre você... Me conte sobre o que mais gosta de fazer para aproveitar a estadia no Inferno.

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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Andrew N. Cunningham em Qui Jan 14, 2016 7:08 pm



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A partir dali, seria Alexis a encarregada pela árdua tarefa de nortear o andamento do diálogo. Tratava-se da sua vida, afinal — algo de enorme relevância traduzido em singelas palavras. Talvez, naquele exato instante, ela estivesse sentindo o peso da responsabilidade investir internamente, não somente por estar evidenciando um lado de si até então oculto, mas também, em razão desse ato de vasculhar a mente em busca das lembranças, reviver sensações das quais quisesse se desfazer por completo. E enquanto as palavras fluíssem, teríamos a imagem impassível do rapaz postado recatadamente no catre, absorvendo cada aspecto do que seria dito; Andrew se portaria como um mero coadjuvante, o rosto tomado por uma expressão infantil de fascínio e concentração conforme a leva de declarações fossem captadas.

Inicia-se então o que lhe parecia uma manifestação de sentimentos conflituosos. Passado deflagrando o presente. Os olhos do rapaz, angustiadamente atentos, fitavam-na com devoção. Registrava as confissões de Alexis inexpressivo. Ocasionalmente ele meneava a cabeça, assentindo, sorvendo cada informação como se fosse a última. Os cantos dos lábios ofereciam um sorriso brando quando as passagens de seus bons momentos nos primórdios da vida ficavam em evidência. Quase podia sentir a melancolia da colega nessas horas. Jamais imaginara arrancar de Alexis — mesmo nas infindáveis horas de reflexão na própria cela desde que a conhecera — minúcias sobre a infância. Ela era feliz, não? Contudo a felicidade teve seu preço, um preço alto, e foi extirpada dela sem pudores. Andrew identificava-se com essa aflitiva realidade — todos os detentos, afinal, viram-se submetidos a essa dominação abusiva.

Por um período que pareceu longo demais a Andrew, ambos restaram em silêncio, provavelmente reestabelecendo a ordem mental. Ao final, Alexis disparou-lhe uma pergunta que, a princípio, custou ao moreno encontrar uma resposta plausível. — O presente aqui é previsível e desprovido de emoções. Causa-me ânsia. Por que então angariar informações sobre isso? Depois de ser posto neste lugar por tanto tempo, passei a crer que o passado tornou-se minha única fonte de boas memórias. Minha vida... Droga... Minha vida de verdade está lá fora. Por isso prezo tanto pelos dias idos. Quanto aos atuais, danem-se. — Ele sorriu debilmente, a cabeça ligeiramente arriada; a sombra do desânimo insinuava-se na sua face. A nostalgia drenava todos os resquícios do seu vigor. Um suspirar trêmulo fez-se ouvir. Quando Alexis dedicou-se a indagá-lo novamente, Andrew não pôde conter o breve riso entrecortado que fluiu da boca. — O que mais gosto de fazer? Ora... Eu penso. Reflito. Planejo. — Seus olhos desfizeram-se do ar lamentoso e cintilaram com uma determinação inequívoca. — Vou fugir deste maldito buraco, Alexis — seu timbre soava rascante e preciso —, não pretendo gastar o resto de minha vida aqui. — Compulsivamente balançava a cabeça em gestos negativos para enfatizar as palavras. Por fim, Andrew calou-se, sorvendo uma generosa quantidade de ar. Fitou-a timidamente por um momento antes de prosseguir: — Bem, acho melhor eu ir... Já tomei muito do seu tempo... — Lenta e dificultosamente ele punha-se de pé.


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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Alexis Stein Krützen em Sex Jan 15, 2016 3:25 am

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Por um momento Alexis pensou que iria trazer de volta aquela atmosfera conflituosa; após fazer-lhe a pergunta, sua mente a alertou pela possibilidade de desarmar novamente o rapaz e deixa-lo numa situação desconfortável, novamente. Mas dessa vez não, Andrew estava com sua habitual confiança nas palavras, parecendo as dominar como ninguém. Nada de hesitações em sua resposta, embora Alexis não achava motivos para ter... Enfim, Andrew era imprevisível, e ela começava a teorizar as reações dele. Parecia longe de deduzir algo certo. Diante da declaração dele, Alexis o observou com muita curiosidade e interesse. Suas palavras e tamanha convicção nelas acenderam uma pequena chama em Alexis, uma pequena faísca de admiração, que não demoraria a se estender. Ela repuxou o canto dos lábios, sorrindo desajeitada, enquanto balançava levemente a cabeça de acordo com as palavras ditas por ele.

Nunca se sentiu tão invasiva. Não queria saber da vida de ninguém; pouco importava para ela. Mas Andrew mostrava-se excepcional. Droga, ele realmente fazia algo mudar dentro dela. Conseguia fazer com a circulação aumentasse – e não era por raiva -, conseguia transformar em névoa todo as preocupações que ela tinha a respeito de seus poderes, Hunted, vingança... Sentiu o rosto esquentar mediante a essa reflexão. Não queria admitir aquilo, nem para si mesma. Mas talvez não fosse algo que ela pudesse controlar. Alexis não poderia ser mais inexperiente naquele assunto. A frase dele quebrou sua bolha de pensamentos. A tamanha convicção que ele declarou ao dizer que fugiria daquela prisão deixou Alexis perplexa momentaneamente. Parecia estar vendo um espelho. — Pensar e planejar são as melhores coisas que você poderia fazer. Acredito que ninguém queira passar o resto da vida aqui... mas poucos pensam em algo. É tudo uma questão de saber a oportunidade certa. E bem, não pretendo gastar o resto da minha vida aqui também... De verdade. Estou cansada dessa falta de liberdade – suas palavras continham a mais genuína verdade. Estava mais do que cansada de não poder tomar o controle de sua vida; desde sempre alguém estava no comando dela. Mas nunca era a própria Alexis.

Quando o mesmo anunciou que a conversa se findaria ali, não exatamente com essas palavras, um sentimento de decepção tomou conta da loira. Ela esperava que ele ficasse mais; não apostava que fosse embora tão cedo. Não havia nenhum obstáculo agora. Nenhuma chuva, nenhum toque de recolhe. Embora na primeira vez o importuno não lhe causara tanto incômodo, encontrar-se na ausência da companhia de Andrew naquele momento não quase que inaceitável. Ela o encarou meio confusa com suas palavras inicialmente – obvio que havia entendido perfeitamente, só não estava claro o porquê delas. Ele já estava de pé. Não vai embora, por favor. Ele lhe trazia paz, conforto... segurança. E se fosse para ele se tonar seu porto seguro, que seja. Não iria medir as consequências, não daquela vez. Estava farta de todos seus passos serem calculados e frios. — Sabe que não temos nada para fazer aqui, certo? O tempo é infinito – ergueu uma sobrancelha, incrédula diante daquela frase dele. — Você quer ir? Se tiver algo para fazer... bem... É... – balançou os ombros, quase descontraída. Quase. Não sabia como completar a sentença, não sabia o que causaria ao dizer aquelas palavras altas. Desencadearia uma séria de intenções erradas? Dane-se. — Bem, eu queria que você ficasse. Não temos uma tempestade e um toque de recolher para nos atrapalhar. Eu gosto de sua companhia. Mas se tiver algo pendente, tudo bem, não irei querer atrapalhar nada.

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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Andrew N. Cunningham em Sab Jan 16, 2016 1:26 pm



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Estava mesmo indo embora…? Após três tortuosos dias de espera ambicionando ferrenhamente pelo reencontro entre ambos, deixaria a chance de restar ao lado de Alexis escapar assim? O gesto beirava a insensatez, percebia agora. Porém Andrew via-se preso naqueles pensamentos incompatíveis, paradoxais. Depois da conversa cujo teor libertador eles compartilharam, por algum motivo uma parcela da sua mente optava por ir, saciada com o que registrara; a outra metade, entretanto, obstinava-se em ficar, determinada, firme — e era este lado da mente ao qual o rapaz esforçava-se a obedecer.

Enquanto erguia-se sem pressa aparente do catre, o moreno se descobriu imaginando, num momento caprichoso da própria consciência, em como reagiria Alexis diante da iminente despedida. Tentaria ela impedi-lo com súplicas aflitivas ou simplesmente aceitaria a realidade com a fria naturalidade de sempre? A segunda opção, indubitavelmente, parecia mais coerente em relação ao comportamento recatado da loira. A vida, no entanto, nem sempre expõe seu aspecto traiçoeiro, e quando Andrew, em pé, estava prestes a direcionar-se à porta da cela, palavras sugestivas chegaram a seus ouvidos, detendo-o. De imediato sentiu um reconfortante alívio tomar-lhe o corpo. — Sim, de fato... O tempo aqui é infinito... — Ouvir aquilo sair da própria boca trouxe um certo grau de entendimento ao escocês; Alexis tinha razão, afinal. Aproveite o que tinha logo adiante de si, uma oportunidade rara, única. Os cantos dos seus lábios ergueram-se levemente, dando vida a um meio-sorriso embasbacado. A segunda parte do que ela dissera atraíram ainda mais a atenção dele, que a encarou de soslaio, reflexivo. — Na verdade... — começou a dizer, sentindo-se estranhamente revigorado com o atual panorama —, minha manhã segue livre de compromissos. Então... talvez não haja tanta urgência... — Relaxou os ombros, a voz suavizou-se e Andrew manteve-se fincado ali, inerte.

A cabeça meneou devagar, negando, realçando a falta de interesse do rapaz em deixar o local. — Eu apenas... não queria ocupá-la ainda mais com a minha curiosidade invasiva e impertinente. Às vezes consigo ser um sujeito de extrema persistência, e isso nem sempre é agradável... — A figura austera de Andrew decidiu voltar-se a Alexis nessa hora, os olhos expressivos a contemplando. — Acreditaria se eu dissesse que você foi a primeira coisa significativa a me acontecer desde que vim parar aqui? — Inspirou o ar seco do recinto aos pulmões; sentia o coração acelerar a marcha, galopante a essa altura. De repente... passos comedidos, ligeiramente hesitantes, o aproximaram dela. A sombra do rapaz alongou-se sobre a silhueta de Alexis, ainda assentada sobre o catre. Andrew então debruçou-se para a frente, encurtando gradualmente a já curta distância que o separava dela. A fim de melhor posicionar-se, as palmas acharam apoio na parede gélida atrás da jovem. Seu rosto, lapidado por um semblante neutro de tão inexpressivo, agora pairava a meros centímetros do dela. A respiração descompassada fazia-o dispersar pequenas rajadas do hálito morno sobre a pele sedosa de Alexis. — Talvez... você tenha sido a cura para a minha gradativa perda de sanidade... — A confissão, provavelmente inesperada à percepção da australiana, estava impregnada de franqueza. Mas as palavras de nada impactariam não fosse o gesto seguinte: Andrew precipitou-se adiante, avançou abruptamente, e em meio àquele ato impulsivo, estimulado pelo instinto implacável, comprimiu os lábios contra o contorno fascinante da boca da garota. Selava um beijo, meio desajeitado no princípio, todavia logrando cadenciá-lo. Tratava-se de uma atitude estúpida? É provável que sim. Alexis podia muito bem não retribuí-lo; talvez fosse mais além, atingindo-o com a audaciosa habilidade existente dentro de si. Mas... ainda assim, Andrew deixou-se levar pela incansável intuição.


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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Alexis Stein Krützen em Ter Jan 19, 2016 2:12 am

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Um sorriso comedido foi formado em seu rosto, os lábios se friccionaram, evitando que o ato se tornasse descarado. Todavia seu corpo sentia necessidade de expor o sentimento de alívio e alegria que sentira ao ouvi-lo declarar que não tinha nada que requeresse sua presença urgentemente. Apertou os dedos das mãos, suavizando sua expressão, acalmando-se por fim. Sabia que não poderia perder o controle, mas era justamente isso que acontecia quando estava perto de Andrew. Alexis cravou os olhos no rosto dele, embora o rapaz não estivesse a olhando enquanto falava. De certa forma, concordava com o que ele havia dito. Talvez não com as mesmas palavras que faziam parecer que tal comportamento fosse tão negativo. Alexis achava a curiosidade dele peculiar. O jeito que ele se envolvia era exótico, interessante. — Bem, eu responderei tudo que eu puder como já disse. Nunca me queixaria a respeito disso... Não se preocupe com isso, afinal estou longe de ser agradável, não é? – balançou os ombros de leve, descontraída.

Os olhos de Andrew se voltaram para Alexis; era perceptível a carga emocional que eles transpassavam. Esperava que ele fizesse algum comentário a respeito do que ela havia dito, ou que iniciasse qualquer assunto, ao invés disso decidiu fazer o que mais fazia de melhor: surpreender a loira. As palavras de Andrew fizeram seus pulmões pararem por um momento de funcionar; havia prendido o ar para ter certeza se havia escutado direito. Não fazia sentido. Mas realmente nada mais fazia sentido naquele momento. Alexis não respondeu. Não saberia o que falar. Encontrava-se confusa se acreditava totalmente em suas palavras. Talvez sim, afinal, ele foi a primeira pessoa que ela deixou se aproximar.

A postura dele mudou, subitamente. Mostrava-se delicado em seus movimentos, ardiloso. Alexis não saberia dizer exatamente o motivo da mudança tão drástica naquele momento, embora, claro, soubesse das intenções deles. O tão necessário pensamento rápido e lógico parecia ser uma ferramenta desativada. De soslaio, viu o braço dele ao lado de seu rosto. A respiração da loira encontrava-se pesada, se tornara um árduo trabalho oxigenar seu corpo no momento. O coração martelava no peito, em total descontrole quanto aos seus batimentos. Os olhos estavam fixos nos de Andrew, presos de forma que seria impossível desfazer aquele contato visual. Contemplá-lo tão de perto lhe oferecia a certeza de que ele portava extrema elegância e beleza. Os contornos sutis, o estilo quase sombrio, a expressão neutra... Andrew era atraente definitivamente. E havia algo nele, não somente na aparência, mas algo dentro dele que dissipava todos os receios de Alexis, resgatava seu lado mais humano, mais juvenil. A declaração do rapaz atingiu Alexis de imediato, mas sequer pode recuperar-se ou digerir – se isso fosse possível – do que ele dissera. Num gesto súbito que quebrou todas as ações progressivas de outrora, sentiu a maciez dos lábios do rapaz roçarem nos seus por breves instantes. O ato pegou a loira desprevenida que, em um momento de susto, havia empurrado o rosto para trás. Seus olhos analisavam o dele, sua expressão não parecia denunciar nada. Por poucos segundos Alexis não disse nada. Então deixou-se conduzida pelas suas vontades, pelos seus desejos, pela falta de lógica, pelo o que sentia. Elevou a palma da mão até o contorno de seu rosto, repousando-a ali, sentindo a pele quente dele junto a sua. Fechou os olhos e seus lábios voltaram a tocar os de Andrew.

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Re: [RP] A Matter of Time

Mensagem por Andrew N. Cunningham em Qua Jan 20, 2016 8:55 pm



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O contato inicial entre os lábios imediatamente desencadeou uma torrente de sensações nos confins mais íntimos do escocês — sensações até então trancafiadas, adormecidas por um período tão extenso que ele sequer pôde reconhecê-las ao senti-las florescer dentro de si. Era como se estivesse redescobrindo algo por tanto tempo perdido. Deleite mesclava-se à ansiedade conforme a maciez da boca de Alexis comprimia-se contra a sua, o sabor doce da jovem transmitindo-o espasmos convidativos. Seu coração manifestava-se por meio de palpitações delirantes enquanto a respiração tornava-se desvairada. Por um momento, ele achou que fosse se deixar levar pelo ingovernável sentimento de aflição, o que seria uma lástima àquela altura. Entretanto, forçou-se a manter o autocontrole inabalável, determinado em perpetuar aquele instante.

Todavia a ação abrupta decerto provocou um reboliço na psique de Alexis, pegando-a desprevenida. Ela, no que parecia hesitação, apartara o beijo, provavelmente tomada pela incredulidade ante o ato. Ainda assim, Andrew — dominado pela perseverança crescente — sequer mostrou-se resoluto, e deteve-se firme na posição em que se encontrava. Espreitava a garota com olhos semicerrados, os lábios cintilando, superficialmente molhados após intricar-se aos dela. Esperou ansiosamente pela sequência da cena. Ambos, afinal, continuavam perigosamente próximos. Estava pronto caso ela tentasse repeli-lo de algum modo hostil. Porém o inesperado ocorreu-lhe: Alexis subitamente o tomara pelo rosto no intuito de, logo em seguida, trazer a responsabilidade para si ao beijá-lo uma outra vez.

Unidos novamente, ele não podia negar o quanto sobressaltou-se ao recebê-la — o leve arfar dispersado denunciava-o, realçando o fato. No entanto, isso tampouco importava. A desejava imensamente e sentia-se pronto para expor reciprocidade. Por isso... beijou-a com devoção. Valia-se de um ritmo brando a princípio, comedido, ao qual tratou de emprestar doses de vigor gradativamente. Jorros extasiantes propagavam-se pelo âmago de Andrew, elevando seu grau de satisfação.  As bocas misturavam-se sem restrições, uma apreciando a outra, eternizando a imagem apaixonante cujos dois delongavam. — Oh, Alexis... — O balbucio fugiu involuntariamente à medida que conservavam-se sob o véu fascinante da atmosfera ao redor. Longos e inesquecíveis segundos decorreram.

Lamentavelmente, até mesmo as coisas mais aprazíveis da vida têm seu fim. Andrew delicadamente pôs-se a desatar o beijo. Suas pálpebras afastaram-se demoradamente, até que os olhos contemplassem a estonteante figura da loira. Havia nas faces uma ligeira vermelhidão, e apesar disso, um tênue sorriso insinuava-se no semblante do moreno. — Ei... isso foi realmente bom... — As palavras eram quase confidenciais. — Sabe, lembro-me de você ter dito que aqui o tempo é infinito... — Um riso breve irrompeu. — Talvez possamos aproveitá-lo de forma produtiva, não acha? — Agora sentava-se ao lado dela, os corpos friccionados tamanha proximidade. — Não me imagino em outro lugar, Alexis... — Trouxe-a para perto num abraço afetuoso, a testa suavemente encostando na dela. — Ironicamente... o passado torna-se distante quando estou com você, e agora o presente parece importante para mim. — Os dois continuaram ali, produzindo aquela imagem imperturbável de genuína entrega, uma verdadeira representação do que sentiam. O futuro é efetivamente incerto, porém... estar ao lado de alguém significativo era o que de fato importava no final das contas.


BE PREPARED FOR HELL




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Andrew N. Cunningham
LONG ROAD TO RUIN
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