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Mensagem por Avrora D. Yaroslavtseva em Qui Jan 14, 2016 2:03 pm



Anaemia
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✖ Usuários: Avrora D. Yaroslavtseva & Aidan Crowley.
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Re: Anaemia ☾ [RP]

Mensagem por Avrora D. Yaroslavtseva em Qui Jan 14, 2016 3:02 pm

Whispered to make peace with this unreality I felt I was slipping downwards Into darkness
Era tarde, Avrora estava com medo, como sempre estivera desde o incidente com seu colega de cela. Já havia se passado muito tempo, mas as cicatrizes não haviam desaparecido, ainda não. Os pés pálidos tocavam o chão frio, enquanto ela se dirigia para fora da cela. Já havia anoitecido e aparentemente estava vazio. Ela passou os dedos pelas marcas roxas nos braços e mãos, os arranhando sem perceber. Em algum momento não sabia mais para onde estava indo e deixou-se cair no chão, em uma parte escura e esquecida dos corredores. Talvez ali ninguém mexesse com ela, talvez pudesse ficar em silêncio, segura novamente. Alguns dias atrás, enquanto se dirigia, completamente encolhida, para o lugar onde sempre costumava ficar após se alimentar no refeitório, um grupo disperso de detentos a encurralou, e sem motivo aparente, começou a bater na russa. Após a surra, após sentir o gosto cru do sangue em sua língua, eles pararam, pois os monitores chegaram e os afastaram dela. "Estranha escrota de merda..." uma garota disse, cuspindo no rosto de Avrora. "Da próxima vez aprenda a se desculpar direito antes de topar com alguém no refeitório, ou da próxima vez eu te afogo na merda!". Ela foi puxada antes que pudesse falar algo mais, e Avrora permaneceu no chão durante algum tempo. Havia esquecido como era ser espancada... Fazia tanto tempo que não sentia. Aleksandr ficou em silêncio, mas as outras vozes não. Desde então sai da cela apenas para comer e usar o banheiro, evitando contato físico e olhar para outras pessoas. Seu rosto estava com alguns hematomas, a pele dos ossos das dobras dos dedos estavam vermelhas e com feridas expostas. Mal conseguia andar sem sentir uma pontada, mas ao menos estava melhor do que no início. Estar trancafiada naquela cela dia e noite estava a enlouquecendo. Precisava sair, precisava respirar, mas estava com medo. Medo de tropeçar com alguma daquelas pessoas novamente e "ser afogada em merda" por não saber implorar de forma fluente. Os pensamentos esbarravam em vozes, e ela não conseguia se afastar daquela tormenta, mas ao menos não estava em sua cela, embora aquele lugar não fosse tão diferente.
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Re: Anaemia ☾ [RP]

Mensagem por Aidan Crowley em Sab Jan 16, 2016 12:33 am




hell is other people
 Estava tudo em seu devido lugar. Uma chuva suave molhava o mundo lá fora, criando um ambiente frio e confortável que normalmente o inglês acharia mais do que perfeito para dormir confortavelmente.
Mas Aidan não conseguia dormir. O inglês não conseguia ficar muito tempo em um só lugar e isso era uma tortura terrível para ele. Mesmo quando havia se assentado em Londres, trocava de apartamento constantemente. Nunca ficava mais de um mês em um só lugar.
Fechou os olhos com força, virando-se na cama, como tantas outras vezes antes naquela madrugada. Eu quero meu maldito advogado. Que tipo de prisão  é essa? Pensou consigo mesmo, sentando-se na cama. Nem sequer sei porque estamos todos aqui. Da última vez que Aidan tentou comunicar-se com alguém, conseguiu uma péssima reação. Ainda estava roxo e dolorido e isso o lembrava constantemente da falta que seu cigarro fazia. Seu corpo conseguiu se adaptar a falta dos químicos que consumia com tanta frequência e a crise de abstinência havia por fim acabado. Mas psicologicamente, Aidan continuava tão dependente quanto. Bolas, se eu estivesse com meu maldito maço de cigarros! Lembrou-se, então, nitidamente de como conseguiu o olho roxo:
— Creio que o senhor é o meu profeta e salvador. — Dissera, aproximando-se de um homem grande, gordo, com uma barba até o peito e um cigarro na boca. O homem lentamente levantou o olhar para ele.
— Como é que é? — O homem pigarreou, tragando o cigarro e semicerrando os olhos para o pequeno inglês na sua frente.
— Bom, eu procuro desde que eu cheguei aqui nesse maldito lugar um bom homem que entenda muito bem como é a sensação de estar sem seu cigarro. Você entende, sim? Um homem tem direito aos seus vícios. — Sorriu, puxando uma cadeira na frente do barbudo. O refeitório estava consideravelmente vazio.
— Eu entendo, é?
— É evidente que sim.
— O que te faz pensar isso, guri?
Aidan levantou um dedo.
— Porque somos irmãos, sim? — O inglês apontou com o queixo para a tatuagem de cruz na mão do homem. — Como posso lhe chamar, irmão? — O homem desceu o olhar até o próprio punho, fechando a mão, e então voltou a olhar Aidan nos olhos.
— Não sou um bom homem.
— Quem sabe um homem mais ou menos? Um homem mais ou menos me diria com quem arranjar um cigarro. Mas eu realmente acredito que o senhor é um ótimo homem e que não se importaria em chegar em um acor... — Antes que terminasse de falar, o barbudo levantou-se da cadeira abruptamente, pegando Aidan pelo colarinho. — Um mau homem, entendido.
O inglês então foi arremessado em direção a mesa de trás, escorregando por cima dela e caindo com um baque surdo no chão. O homem caminhou até Aidan, dando a volta na mesa. O inglês balbuciou, apoiando-se nos joelhos e cotovelos:
— Creio que o senhor não teve a intenção de me jogar tão longe. Foi muito pouco teatral de sua parte ter que ter andado isso tudo para... — O barbudo deu um chute em suas costelas, jogando Aidan de volta ao chão. — Bolas, me deixa terminar de falar!
O gordo virou Aidan com o pé, fazendo-o olhar para ele.
— Você late muito, guri. Você não morde? — O gordo acocorou-se, aproximando-se do rosto do Aidan. O inglês sorriu com os dentes vermelhos de sangue.
— Eu gosto de poodles. — Levantou a mão e parou por um segundo. Então levou os dedos até o cigarro do gordo e puxou-o rapidamente, como que com medo de ser mordido. Voltou o olhar para os olhos do homem de carranca fechada, colocando o cigarro na própria boca e dando um trago.
O homem rosnou, segurando o colarinho de Aidan com uma mão e levantando a outra. No segundo soco, o cigarro caiu da boca do inglês. No quarto, sua cabeça já zunia. Mas o inglês não conseguia parar de rir.
— Por que caralho você está rindo, seu filho de uma puta? — O gordo parou por um instante, perplexo. Aidan gargalhava e engasgava-se no sangue.
— Eu... — Crowley parou de rir, arregalando os olhos. Começou a sussurrar algo.
— O quê? — O homem aproximou o rosto, tentando ouvir. Por um segundo parecia que o inglês diria algo, mas ele simplesmente cuspiu um esguicho de sangue no rosto do homem e voltou a gargalhar. Quando o gordo subiu a mão dessa vez, Aidan enfiou um garfo na axila dele.
— FILHO DA PUTA! — O gordo gritou, puxando o garfo e jogando-o longe. Seu rosto estava vermelho de raiva.
— É bem possível que sim. — Aidan parou de sorrir, olhando sério para ele. Foi então que os guardas chegaram, puxando o homem de cima dele. Enquanto tentavam controlá-lo, haviam esquecido do inglês no chão. Aidan dolorosamente virou-se para o lado, pegando o cigarro ensanguentado e levando-o a boca. Bolas. Apagou.
Um barulho nos corredores despertou Aidan dos seus pensamentos. Ele passou a mão no rosto, sentindo os lábios ainda inchados. Já que não estou dormindo, por que não sair para uma caminhada? Quem sabe eu não encontro alguma merda de ar por aqui? O inglês levantou-se, cambaleando no escuro até a porta e perguntando-se o que o diretor dessa prisão tinha contra janelas. Sentiu algumas fisgadas nas costelas enquanto puxava a porta da cela para abri-la cuidadosamente, mas resolveu ignorar. Já havia sido pior espancado em Brent, lá em Londres.
Caminhou por algum tempo pelos corredores, apoiando-se de tempos em tempos na parede quando a costela incomodava demais. Ouvia alguns barulhos suaves dentro das celas, as vezes alguma lamúria. Chegou até a ouvir alguma canção sussurrada por alguém sem sono. Não a reconheceu.
Foi em um corredor afastado que finalmente encontrou uma janela, quase colada com o teto e extremamente fina. Era apenas suficiente para a luz da lua iluminar uma pequena parte do corredor... E foi nessa parte que Aidan avistou uma silhueta familiar, sentada no chão. Era a garota do farol. Ficou parado por um instante, tanto confuso pela forma como as coincidências levaram-os a se encontrar novamente em circunstâncias semelhantes, como em dúvida se deveria falar algo ou não. Fazia tempo que não a via, mas não havia esquecido da conversa que tivera com ela. Era comum para o inglês se pegar pensando onde ela estaria e o que estaria fazendo, ou até se havia feito algum aliado ali. Será que ainda estava zangada com ele? Resolveu arriscar.
— Com licença. — Sorriu, esperando que ela lembrasse dele. Alargou o sorriso quando ela levantou o rosto, coberto pelo cabelo. — Se importa se eu ficar com você um pouco?




Última edição por Aidan Crowley em Sab Jan 16, 2016 1:46 am, editado 1 vez(es)

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Re: Anaemia ☾ [RP]

Mensagem por Avrora D. Yaroslavtseva em Sab Jan 16, 2016 12:52 am

Whispered to make peace with this unreality I felt I was slipping downwards Into darkness
Perdida em seus pensamentos barulhentos e bagunçados, Avrora sentiu frio, mas não porque estava frio, embora estivesse chovendo, e sim porque, ao ouvir alguém se aproximar, ela sentiu uma onda elétrica de nervosismo e medo percorrer seu corpo. Suas mãos começaram a tremer, e a russa se encolheu mais, agarrando as pernas para esconder a pulsação rápida. "São eles..., ela pensou para si mesma, "Você está fodida, vai morrer num país que nem é seu, afogada em merda num lugar miserável como esse...". Ela quis rir, mas estava paralisada pelo medo. Sempre seria covarde? Ou talvez fosse porque estava tão acostumada com aquela sensação, que a perseguiu durante toda a sua existência, que simplesmente não conseguia mais lidar de forma positiva com algo do tipo. Uma agressão, até mesmo física, era o suficiente para desabá-la. Sentiu os dedos dos pés encolherem com a súbita pressão que seu corpo fez enquanto controlava a respiração, mas logo seu medo foi surpreendido por alívio. Ela conhecia aquela voz, e reconhecia aquele rapaz, era o inglês do farol que sempre estava com um sorriso estampado na face. Levantou os olhos de imediato, não podendo evitar as madeixas de cabelo que cobria seu rosto, e torceu para ele não notar os hematomas em seu rosto e corpo. Haviam a surrado de jeito, e ela, por pouco, não havia quebrado uma costela.
D'a! S-sim. — Novamente, como sempre, ouviu sua própria voz soar um inglês mal pronunciado e falho, com a voz fina e indiferente. Ela engatinhou mais alguns passos para o lado, estando numa distância segura, e se encolheu novamente, como um animal amedrontado. Virou para ele enquanto o rapaz se aproximava para sentar-se. — Não 'poder' mandar em seus passos, Sr. Crosvi. — A moça proferiu, trazendo os olhos novamente para o vazio.
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Re: Anaemia ☾ [RP]

Mensagem por Aidan Crowley em Sab Jan 16, 2016 1:46 am




hell is other people
Aidan suspirou aliviado quando a garota afastou-se para dar espaço para ele sentar. Já estava começando a se tornar paranoico com socialização naquele lugar. Sorriu para ela enquanto apoiava-se na parede.
— É sempre gentil perguntar à uma dama se ela não se incomodaria com a minha companhia, senhorita Avrora. — Fez uma careta de dor, escorregando até o chão. Sentia sua costela rasgar-lhe por dentro. — Se existe alma viva no mundo que é digna de gentileza e atenção, são as encantadoras mulheres. — Finalmente alcançou o chão, sorrindo aliviado. Tirou um chapéu imaginário, abaixando a cabeça em direção à russa.
— Como a senhorita tem passado esses dias? — Com um floreio, colocou o chapéu imaginário de volta. — Eu estou imensamente decepcionado com a falta de conversas interessantes por aqui. A última boa conversa que tive foi com a dama da chuva no alto de uma torre de luz. — Levantou o indicador, sorrindo de lado.
Havia verdade em suas palavras, apesar de que o inglês andava evitando ao máximo contato com grupos de pessoas, e essas eram as que pareciam mais interessantes. Mas enquanto não compreendesse completamente aquele lugar, os hábitos daquelas pessoas, não se sentia seguro o suficiente para tentar uma abordagem. Observava nas sombras para elucidar seus pensamentos, tentando absorver o máximo de informação possível. Os raros momentos que interagira com alguém ocasionara em hematomas ou olhares frios. Era quase como nos seus primeiros dias em Preston. Vagava pelas ruas e becos sombrios, procurando algo para comer ou alguma forma de aliviar as dores em seus pés. Tivera que aprender do jeito difícil a conseguir comida. Fizera coisas ruins.
Aidan sacudiu a cabeça, livrando-se dos pensamentos e abrindo seu sorriso habitual, virando-se para olhar Avrora. Não durou muito e ele congelou quando o inglês notou algumas marcas roxas no rosto da garota. Mordeu a língua para impedir-se de comentar algo. Bolas, não vai assustar ela de novo. Em um reflexo de seu desastre, mordera forte demais e levou a mão a boca, esquecendo-se dos socos que levara e tocando com força em seus lábios feridos. Não pôde evitar um gemido abafado.



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Re: Anaemia ☾ [RP]

Mensagem por Avrora D. Yaroslavtseva em Sab Jan 16, 2016 2:04 am

Whispered to make peace with this unreality I felt I was slipping downwards Into darkness
Ela sentiu o peito apertar quando viu a expressão no rosto do rapaz, que, de um sorriso gentil e afável, se transmutou em preocupação e espanto. Ela quis saber se havia dito ou feito algo errado, mas logo lembrou-se dos hematomas que carregava pelo corpo, e soube que todo o espanto do rapaz era por conta daquilo. Ela viu algo parecido com sangue no lábio do rapaz, e engatinhou para mais perto do inglês, enquanto tirava um pano do bolso. Era branco e pequeno, estava com algumas manchas de sangue, mas nada que fosse tão ruim. Ela não tinha doenças, ao menos que houvessem injetado algo nela no momento em que pisou ali. Entregou o objeto ao rapaz, e abaixou a cabeça, juntando as mãos em concha, enquanto mexia os dedos levemente, evitando demonstrar o nervosismo aparente.
— Está tudo bem, "Crosv-vi"? — Fez algum esforço para pronunciar seu nome direito. — Croswvi... Crow-vi... Cros... — Gaguejou, e então desistiu. Lembrou-se então do incidente, e as ofensas que a fizeram enquanto a espancavam. As unhas perfuraram a pele, mas ela não notou. — Desculpe. — Seu "sorry" saiu com o R forçado, deixando óbvio sua má dominação do idioma. — Eu não ser muito boa em sua língua, Sir... Por isto eu ser afogada em merda. — Ela deu conta alguns segundos depois do que havia acabado de falar. — Não... Eu não "ser" afogada, eu "serei" afogada... — Ela esperou pacientemente - não tanto quanto desejava - que ele entendesse o que estava tentando dizer, e logo se deu por vencida. Definitivamente não servia para ser tradutora, caso chegasse a ser algo algum dia. Ela olhou para ele durante alguns segundos, que manteve o sorriso fixo no rosto, e viu os ferimentos em seu rosto, que antes pareciam embaçados.
Se perguntou o que aquele ser extremamente espontâneo e inteligente havia feito para estar com a cara surrada. Pensou que, talvez como ela, ele só estivesse no lugar errado, na hora errada. — Mas e quanto à você, Crosvi? — "É impossível dizer algo da forma certa?, ouviu Aleksandr perguntar. — Cale-se, Aleksandr. — Sussurrou olhando para o vazio, esperando que ele não ouvisse ou percebesse sua súbita desconcentração e raiva. Olhou para ele com os olhos arregalados, como um gato assustado, e viu que ele estava confuso. "Olhe o que você fez...", pensou, sabendo que o russo não a responderia. Abaixou a cabeça então, olhando as mãos pálidas.
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Re: Anaemia ☾ [RP]

Mensagem por Aidan Crowley em Sab Jan 16, 2016 2:33 am




hell is other people
Aidan ficou maravilhado quando pegou o lenço da russa. Não, completamente deslumbrado. Por um segundo não soube muito bem o que fazer com ele, e ficou observando o pano levemente ponteado por sangue em suas mãos. Não se importava com isso. Levou-o então até os lábios, apertando levemente a carne machucada e fria pela noite com o lenço confortavelmente quente. Manteve os olhos na garota enquanto ela falava, e seus olhos sorriram. Quis responder algo, mas a garota parecia tão concentrada e entretida consigo mesma que resolveu observá-la. Primeiro, nas suas tentativas falhas de pronunciar seu sobrenome, e depois na tentativa de explicar-se sobre algo relacionado a fezes. Abriu um sorriso para ela e estava prestes a respondê-la quando a garota virou o olhar abruptamente para um vazio. Não conseguiu entender o que ela falou, mas não parecia ter sido dirigido a ele. A língua do inglês mexeu-se na boca, mas felizmente o ferimento lembrou-lhe de ter cautela. Não era a hora. Não agora. Limitou-se a dar a garota o seu mais caloroso sorriso.
— Você pode me chamar da forma que achar melhor, senhorita. E eu não vou deixá-la afogar-se em nada. — Falou em um impulso. Arrependeu-se depois, lamentando não ter arrancando a própria língua. Atropelou-se nas palavras para tentar mudar de assunto o mais rápido possível:
— Oh, sobre isso... — Apontou para os hematomas no próprio rosto. — Podemos dizer com toda certeza de que meus métodos de conseguir o que quero são bastante questionáveis, senão dolorosos, senhorita. — Deu de ombros. Então lembrou-se de algo. — Veja. — Ajeitou-se no chão, puxando a manga da camisa até o cotovelo e aproximando o braço da luz da lua. Uma fina cicatriz prateada cortava a pele do inglês, da palma da mão e dando a volta até a ponta do cotovelo, serpenteando por entre os traços de uma tatuagem de vários pequenos pássaros em pleno voo. No pulso, os pássaros desvaneciam-se em apenas penas negras à deriva de uma brisa leve. — Essa cicatriz eu consegui quando um segurança nada gentil teve a ousadia de me falar que era proibido fumar naquela boate. — Levantou o olhar para os olhos da russa, sorrindo. — Ele falou que no próximo trago que eu desse, ele cortaria meu cigarro com uma faca. Eu traguei e ele puxou a faca zunindo. Acontece que era o último cigarro do meu maço e eu não iria estragar ele. — O inglês cobriu o braço novamente. — Então ousei tentar segurar a faca. Parece idiota, não? Acontece que por esse acidente o segurança foi demitido e na confusão toda, ninguém se incomodou em tirar o meu cigarro. — Apoiou-se na parede novamente, sentindo uma fisgada nas costelas. — Dessa vez eu consegui essa surra tirando o cigarro da boca de alguém. O mundo dá voltas. — Uma risada lhe escapou, mas a dor logo cortou ela, deixando o inglês com um sorriso no rosto e uma careta de dor.



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Re: Anaemia ☾ [RP]

Mensagem por Avrora D. Yaroslavtseva em Dom Jan 17, 2016 12:54 am

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Seus olhos arregalaram quando ele mostrou a cicatriz em seu braço. Se aproximou do rapaz e, com as pontas dos dedos minúsculos, traçou o caminho que fazia até o cotovelo. Um ato inesperado até para ela mesma. Ambos tinham muitas lembranças no corpo de incidentes diferentes, que acarretaram o mesmo resultado. Pensava nisso enquanto, sem parar ou pensar, continuava roçando os dedos pela ferida cicatrizada.
— Olga... — Num ato súbito e rápido, como um reflexo, ela saiu de perto de Aidan e voltou para onde estava anteriormente. — Dizia que o que ela fazia er-ra uma consequência. — Poderia mostrar as costas, que estavam cheias de cicatrizes profundas e com cores cruas e grotescas, mas apenas passou os dedos pela ferida que havia ganhado no lado esquerdo da boca fina e cor-de-rosa. — Consequência por ter nascido. Eu pensava no quão r-repugnante er-ra para uma mãe agir de tal for-rma com a própria filha. — Colocou uma mecha de cabelo castanho atrás da orelha, juntando as pernas contra o corpo novamente. — Ambos temos fer-ridas, Sir... — Os olhos verdes da russa encontraram os do inglês durante os segundos seguintes. — Algumas não físicas, e estas não cicatrizam. — Se impressionou ao ouvir sua voz pronunciar a  última frase sem nenhum erro, mas se sentiu mal pelas outras.
— E quanto à mer-rda... — Ela fitou as próprias mãos. — Para minha segur-rança é bom que melh-ore meu inglês, ou irei levar outra sur-ra. — Seu sorriso foi irônico e triste, ainda assim, um sorriso. Um descuido. Ouviu Aleksandr reclamar algo em sua cabeça. Baixou a voz e bufou: — Zakroy svoy rot, Aleksandr! — ("Cale sua boca, Aleksandr"). Algo que, com algum esforço, conseguiu fingir não ter dito quando voltou a olhar para o inglês novamente. — Desculpe, Crosvi... Ele fala demais.
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Re: Anaemia ☾ [RP]

Mensagem por Aidan Crowley em Dom Jan 17, 2016 2:56 pm




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 Aidan repousou a mão levemente por cima do braço coberto pela manga da blusa, sentindo ainda um leve arrepio por causa do toque de Avrora. Talvez, de alguma forma, pudesse segurar aquela sensação ali quando ela se afastou. Aidan sorriu gentilmente.
— Nem sempre as pessoas honram os laços de sangue que possuem com as outras, senhorita. Nem sempre uma mãe é uma mãe para sua filha. — Aidan levou dois dedos à boca, em uma reminiscência de algo fora do seu alcance. — Por isso existem laços mais fortes. Uma amiga pode ser uma mãe para a outra. — Estendeu o lenço sujo de sangue para a garota. — Nós vamos sair desse lugar e você ainda vai conhecer coisas boas. Elas existem, sabia? — Repousou a cabeça na parede, olhando para a lua que espreitava. — Do outro lado da vida. — Voltou a olhar para a russa. — A verdade é que com o tempo as cicatrizes tornam-se parte da armadura, senhorita Avrora. — O inglês jogou os braços para frente, soltando-se do apoio da parede e sentando com as pernas cruzadas. — Posso ensinar inglês a senhorita se me ensinar russo. — Deu de ombros, abrindo seu sorriso quando viu a garota sorrir. Foi um sorriso simples, rápido, até mesmo desprovido de muito significado. Mas para o inglês foi como se o sol abrisse as nuvens com suas garras de açoite de luz e aquecesse aquele corredor escuro. Foi o suficiente para que um calor se espalhasse pelo rosto do ator. Foi quando a garota subitamente mudou de expressão e sibilou algo incompreensível que, novamente, não parecia ter sido dirigido a ele, mas sim ao vento ou algo além. O que está havendo na mente dela? Ela virou-se para ele, desculpando-se.
O sorriso dela fora impulso suficiente para o inglês esquecer-se de ter cautela, e quando perguntou, já era tarde demais.
— Quem é ele, senhorita Avrora? — Atrapalhou-se nas palavras tentando corrigir-se. — Eu digo, não precisa contar se você não se sentir bem. — Deu um sorriso amarelo, suspirando.



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Re: Anaemia ☾ [RP]

Mensagem por Avrora D. Yaroslavtseva em Dom Jan 17, 2016 6:15 pm

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"O que está acontecendo, Avrora, e por que você ainda está aqui com este estrangeiro?". Ela ouviu Aleksandr perguntar, com raiva. Ele é apenas memória, pensou para si mesma, tentando se acalmar. Não o respondeu, apenas virou-se para Aidan e, lentamente, suspirou. Antes que pudesse falar alguma coisa, ouviu o russo falar novamente em sua cabeça. "Pare com isso, levante-se e volte pra sua cela antes que fuja do controle, imbecil!".
— Vy ne vladeyete menya... — ("Você não manda em mim"). Queria poder responder a pergunta do inglês, mesmo que ainda estivesse receosa. Que mal poderia fazer? Já havia sido espancada, esganada, xingada e provavelmente ridicularizada. Não pode ficar pior, pensou consigo mesma. "Pode e você sabe disso. E por que está me tratando desta forma? Resolveu se rebelar agora?". Neste instante perdeu a paciência que ainda lhe restava. — Vosstayut protiv chego? Prizrak? Ne delay glupostey! — ("Rebelar contra o que? Um fantasma? Não seja ridículo!"). Aleksandr bufou, extremamente irritado. "Você perdeu completamente o juízo, Avrora. Faça o que estou mandando antes que tenha consequência.". — Chto yebat' vy mozhete sdelat' pryamo seychas? — ("O que caralho você pode fazer agora?"). Ela pausou por alguns segundos, sentindo as mãos formigarem. — Ty mertv. — ("Você está morto"). Aleksandr ficou em silêncio após ela dizer aquilo, mas a russa continuou. — Teper' ostav'te menya v pokoye, Aleksandr. — ("Agora me deixe em paz, Aleksandr"). Sentiu um aperto no peito ao notar que o havia magoado. Mas ele era apenas memória, certo? Como poderia ser magoado? Ela notou que havia acabado de ter uma discussão com um fantasma na frente de alguém que não estava entendendo merda nenhuma do que estava acontecendo. Não queria ele a ridicularizasse. Talvez o que havera passado até ali já fosse o suficiente para duas vidas.
— Desculpe, Aidan. — Foi a primeira vez que o chamou pelo primeiro nome, com um sotaque estranho e muito grave. — Ele não calava a boca, eu ter que fazer por ele. — Pôs a ponta do dedo no machucado do lábio e voltou a falar. Niet... Eu não "ter", eu "tive". Certo? — Esperou que sim, pois não entendia muito o que estava falando. — Respondendo sua perrgunta: Aleksandr. Eu o conheci em Rússia, ele havia morrido alguns meses atrás. — Sabia que ele não acreditaria, mas continuou. Ela se encolheu. — Ele foi o único gentil comigo, os outros... Viramos amigos, mas ultimamente ele me incomoda mais do que conforta. — Ela sabia que o russo iria ouvir aquilo, mas falou ainda assim. Era sincero, e ela não conseguia mentir.
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Re: Anaemia ☾ [RP]

Mensagem por Aidan Crowley em Seg Jan 18, 2016 4:34 pm




hell is other people
 Aidan observou silenciosamente a garota ter sua discussão. Com seus olhos levemente arregalados e a boca entre aberta, o inglês culpava-se internamente. Bolas, bom trabalho, seu merda, estragou tudo outra vez. Abriu e fechou a boca várias vezes, sem saber exatamente como se desculpar. Não devia ter perguntado sobre. Estava tudo indo tão bem. Quando ela virou-se para ele e falou com ele, o alívio do inglês ao ver que ela não estava xingando-o foi visível, mas a confusão que veio depois por pouco não transpareceu fisicamente. Aidan impediu-se de franzir o cenho.
— Sim, senhorita. "Tive" ajusta-se melhor a esse caso. — Sorriu para ela, assentindo levemente com a cabeça. Lembrou-se das ruas de Blackpool, onde conhecera em uma viela um homem maltrapilho, conversando com um latão de lixo. Havia se sentado ao lado dele, com o estômago doendo de fome. Sempre que passava por aquele bairro, sentava-se junto com o velho. De alguma forma o maltrapilho parecia conseguir se manter vivo, apesar de parecer passar grande parte do seu tempo ali, falando sozinho:
— Como o senhor consegue continuar parado aí, no meio de tanta sujeira, depois de tanta gente engomada cuspir os restos delas em você? — O maltrapilho perguntou ao latão com um ar interessado. Ele então parou, olhando para o nada como se ouvisse algo. Sorriu e assentiu com a cabeça. Depois de alguns instantes de silêncio desconcertante, o homem ergueu os olhos como se estivesse sentado ali naquele exato instante e nunca houvesse visto o latão antes.
— Olá. — Sorriu para o latão. — Se não se importa em responder, como o senhor consegue continuar parado aí, no meio de tanta sujeira, depois de tanta gente engomada cuspir os restos delas em você?
Aidan aguçara o ouvido quando um gato derrubou alguma coisa mais fundo do beco. O inglês olhou para o gato por um instante, e o gato respondeu seu olhar.
Sacudiu a cabeça, espantando os pensamentos. Avrora não podia ser como ele. Ela era lúcida, possuía um olhar desperto que como nenhum outro que ele havia visto em sua vida. Alguma explicação devia haver. Olhou-a em seus olhos quando ela terminou de falar. São olhos de uma sobrevivente. Lembrou-se do olhar do velho maltrapilho quando sentou ao seu lado no dia seguinte, limpando o sangue da boca. Segurou o enjoo no estômago, tentando livrar-se da ideia de não ter conseguido esperar o gato assar completamente.
— Como o senhor consegue continuar parado aí, no meio de tanta sujeira, depois de tanta gente engomada cuspir os restos delas em você? — O velho questionou o latão, sinceramente aguardando uma resposta sábia.
Aidan acompanhou o olhar do velho em direção ao latão. Deu de ombros, suspirando.
— Como o senhor consegue continuar parado aí, no meio de tanta sujeira, depois de tanta gente engomada cuspir os restos delas em você? — O inglês repetiu o que o velho disse, falando cada palavra pausadamente. Por um instante, pareceu que o maltrapilho nem sequer havia ouvido o garoto. Então, lentamente ele virou a cabeça em direção a Aidan, com um olhar de lucidez que Aidan jamais vira naquele rosto. Um olhar de alguém que perdera tudo, mas continuava procurando por algo mais. Um olhar de um fantasma:
— Como o senhor consegue? — O velho perguntou.
Não dormira naquela noite. Na seguinte, juntou suas coisas e partiu de Blackpool para nunca mais voltar. Não conseguia.
— Diga ao Aleksandr que é um prazer conhecê-lo. Ele pode me ouvir, senhorita Avrora? Eu espero não estar causando nenhum desentendimento entre vocês. — Abriu um sorriso sincero para a garota. Somos todos loucos nesse teatro de terrores, fantasias e maravilhas não-descobertas. Alguns apenas interpretam um bom papel de lúcido, afinal. — A senhorita está bem? — Inclinou a cabeça levemente, com um sorriso de lado.



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Re: Anaemia ☾ [RP]

Mensagem por Avrora D. Yaroslavtseva em Seg Jan 18, 2016 4:56 pm

Whispered to make peace with this unreality I felt I was slipping downwards Into darkness
Avrora abaixou a cabeça, sentindo algo apertar em seu peito. Ótimo..., pensou consigo mesma, Agora além de descartável sou uma doente mental. Olhou as unhas por alguns instantes, sugando a tristeza e vergonha para dentro de si. Uma onda elétrica passou por seu corpo, e ela finalmente olhou para ele novamente. Dessa vez, o sorriso havia ido embora, e ela retornara a ficar sem expressão alguma.
— Eu o magoei, "Crowli". — Esperou que não houvesse errado. — Mas ele não existe, e eu sei disso, apenas ele não entende. — Aleksandr continuou em silêncio. — Eu achar que com o tempo a mente faz isto com as pessoas... — Distanciou o olhar para a parede atrás do inglês. — Auto-degradação. — Respirou fundo, espantando estes pensamentos. — Meu colega de cela dizer que também ouve estas coisas. Mas ele não ser como eu. — Deitou a cabeça nos joelhos, de lado, e começou a passar os dedos pela parede. — Ele é estranho... Me esganou no primeiro dia que nos conhecemos. — Disse isto com a maior naturalidade do mundo, como se não fosse nada. — Em Rússia, havia um homem. Ele era internado no mesmo manicômio que eu. Diziam que havia ido para lá porque estuprara e matara cachorros. — Quis rir, mas continuou indiferente. — Eu achar... "Achava" engraçado, até o dia em que ele começou a conversar comigo. — Parou de passar os dedos na parede, e os repousou no chão. — Ele dizia que fazia aquilo porque um demônio visitava-o em seus sonhos toda noite e mostrava seu órgão esfacelado, coberto por vermes, em decomposição. Depois seguia por todo seu corpo, até a cabeça, então ele acordava. Nos sonhos, a única saída era tirar a pureza e vida de alguma criatura viva, qualquer uma, e ele era bom demais pra matar um ser humano. — Avrora levantou a cabeça e o fitou. — "Bom". Alguém que concorda em corromper outras existências par-ra se salvar ser bom? — Deitou a cabeça novamente, de súbito, e voltou ao mesmo ritmo de antes. — O fato é que... Ele dizer que, por não estar mais fazendo, seu corpo estava apodrecendo, e ele sentia os vermes o devorando por dentro. Quando eu voltar... "Voltei" para casa, não ouvi mais falar dele, mas nunca vou esquecer aqueles olhos... — Levantou a cabeça novamente, olhando o nada. — Sempre me perguntei o quão distante eu estar... "Estava" do nível dele de loucura. Talvez não muito distante. — Ela sorriu amargamente para o vazio, e depois voltou a olhar para ele.
anaemic crystals




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Avrora D. Yaroslavtseva
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Re: Anaemia ☾ [RP]

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