[FP] Swynford, Boesch Finn

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[FP] Swynford, Boesch Finn

Mensagem por Finn Swynford Boesch em Sex Jan 29, 2016 3:53 am




18FINNICKSWYNFORD B.

Nome completo /////////////Finnick Swynford Boesch

Nascimento /////////////30 de Março de 1998

Nacionalidade /////////////Russo/Americano

Sexualidade /////////////Heterossexual

Super-Poder /////////////Fator de Cura

Medo /////////////
Medo de se tornar vulnerável.

Faceclaim /////////////
Logan Lerman


"OUR SCARS ARE THERE TO REMIND US THAT THE PAST WAS REAL."

PERSONALIDADE



Finn é um jovem infrator de apenas dezoito anos e que esconde um passado sujo e violento um pouco recente. Costuma passar o dia pelos becos e vielas contrabandeando coisas de valor roubadas por sua gangue de menores infratores e cometendo outros delitos, coragem e determinação para o negócio é o que não falta, possui habilidades para furtos e armadilhas passando quase sempre desapercebido pelas suas vítimas e pelas autoridades, tende a ser uma pessoa que não gosta de ser observada, pode parecer que por ter uma família problemática ele vá querer ter seus minutos de atenção roubando e agredindo certas pessoas mas ele é um anonimo, entra em brigas quando realmente é necessário, fora isso geralmente as evita. Costuma ser bastante centrado e determinado a subir no jogo da vida mas mantendo-se anonimo perante a sociedade, a fama não o interessa. Desistiu dos estudos para ter uma vida de fora da lei justamente por ser mais fácil fazer dinheiro, não tem muitos amigos por ser extremamente anti-social, os poucos que tem são aqueles que o acompanham desde a infância ou algumas exceções que o chamam atenção por aí pela vida, ele preza o melhor que há nas pessoas e que também sofrem assim como ele, os aceita da maneira que são apesar de todos terem seus defeitos assim como ele mesmo, gosta de ver as qualidades e utilidades que cada pessoa tem. Nasceu em Moscou na Rússia mas passou a vida toda morando em Chicago nos Estados Unidos, desde cedo apesar das más condições de sobrevivência que enfrentava com sua mãe e irmã teve ceder aos abusos e agressões de seu ignorante padrasto. Foi aprisionado em Hunted depois de perder por alguns segundos sua sanidade e matar a sangue frio uma outra pessoa na casa de seus responsáveis, um episódio bastante violento e um tanto estranho e fora do comum segundo as autoridades. Abaixo a trama e o blá blá blá inteiro.

HISTÓRIA



A única luz que entrava no quarto era a da Lua, que, em um feixe, iluminava uma parte pequena do aposento. Mesmo assim essa luz era suficiente para que eu mesmo, deitado em minha cama, visse a fumaça que liberava pelas narinas. Com a cabeça deitada na cama dura e os pés sobre o travesseiro, eu observava as estrelas em silêncio. Na verdade, o único barulho que se podia ouvir era o que eu fazia ao tragar o meu terceiro cigarro seguido. Nada melhor do que observar o luar com o meu maço – quase acabado – de cigarros. Isso me soava bem romântico.

Suspirei. Quantas pessoas realmente estavam sentadas observando as estrelas de um modo romântico... Não que eu me importasse com romantismos, afinal, eu tinha catorze anos. Sim, catorze anos e fumando, você deve estar indignado ou se perguntando: “onde estão os pais dessa criança?”. Bem que eu gostaria de saber.

Meu nome é Finnick - ou Finn -, eu sou o que se pode chamar de “semi-órfão”. Tive uma vida feliz com meu pai e minha mãe durante seis anos da minha vida, até minha mãe engravidar novamente. Eu poderia jurar que meus pais eram felizes um com o outro, que tinham um ótimo casamento e que adoravam crianças, mas eu estava incrivelmente enganado.

Quando meus pais foram pegos de surpresa com uma gravidez inesperada foi quando eu realmente percebi o quanto estava enganado. O quanto meus pais não eram felizes juntos, o quão péssimo o casamento deles era e, principalmente, descobri que meu pai não estava nem aí para mim, nem para a minha mãe e muito menos para a criança que ele ajudara a criar dentro do ventre de minha mãe.

É, meu pai fugiu. Aquele covarde fugiu da minha mãe, fugiu de mim, fugiu da responsabilidade e do preço de criar outra criança, deixando eu e minha mãe totalmente sozinhos, sem quaisquer tipos de recursos para nos sustentar e muito menos para colocar comida no estômago do novo membro da família.

Não posso dizer que não lutamos, é claro. Na verdade fomos honestos e lutamos por quase quatro anos, juntando lixo reciclável e vendendo, ou até mesmo pedindo esmolas, e, literalmente, vendendo o almoço para comprar a janta. Eu até aprendi a fazer alguns truques de mágica para me apresentar em praças em troca de alguns trocados.

Mas, depois de quatro anos, finalmente nossa ficha caiu: a sorte não estava e nunca esteve ao nosso lado. Minha mãe adoeceu e eu tive que continuar a, sozinho, tentar conseguir algum dinheiro, mas estava cada vez mais difícil. Principalmente devido ao fato de que minha mãe estava cada vez pior e os remédios eram muito caros. A doença dela não era nada que não se pudesse controlar, ou até curar, mas sem as medicações era morte na certa.

Eu tinha acabado de completar dez anos, era uma terça feira e eu estava exausto. Havia passado o dia pedindo esmola e a única coisa que eu queria fazer era sentar-me e tirar aqueles tênis, ou aqueles trapos que deveriam ser tênis. Foi então que eu o vi. Era um homem alto, bem vestido e com um sorriso de galanteador no rosto. Achei-o engraçado, o jeito que ele andava, como se conhecesse a todos, ou, pior, como se fosse melhor que todos.

Demorou alguns segundos para que ele percebesse meus olhos nele e seu sorriso simpático murchasse um pouco. Ele andou em minha direção, hesitante. O homem parou na minha frente, pareceu parar de respirar por um instante. Eu estava, ou melhor, eu era fedido, eu sabia, mas ele poderia ser mais discreto.

- Olá, garoto. – Foi o que ele disse e eu apenas o encarei. Minha mãe sempre me ensinou a não falar com estranhos e ele era um.

- O gato comeu sua língua? – Ele perguntou, brincalhão. Arqueei a minha sobrancelha esquerda e ele pigarreou. – Hm, certo... A famosa regra de “nunca fale com estranhos”, essa eu conheço. Mas, me diga, com quantos estranhos você fala por dia para pedir trocados? – O homem questionou, abrindo um sorriso acusador em seguida.

Encarei-o com os olhos estreitados e torci os lábios. Realmente, ele tinha razão nesse ponto, mas uma coisa era certa: eu ia falar com as pessoas, sempre. Naquele momento, ele havia vindo falar comigo.

- O que você quer? – Perguntei secamente. O homem sorriu de um jeito vitorioso por ter, enfim, conseguido arrancar algumas palavras de mim.

- Eu quero te ajudar, só isso. – Ele disse calmamente. Arqueei as sobrancelhas. Ah tá, essa era nova. Ele me viu na rua e, de repente, resolveu que queria me ajudar?

- Resolveu fazer a boa ação do dia? – Eu disse, um projeto do cara totalmente irônico e sarcástico que eu viria a me tornar um dia. O homem sorriu de um jeito cruel.

- Não fale sobre o que você não sabe, garoto.

- Então você estava andando pela rua e de repente resolve ajudar alguém? – Franzi o cenho.

- Na verdade, garoto, eu quero algo em troca. – Ele disse de um modo malicioso. Cruzei os braços e assenti para que ele prosseguisse. – Quero conhecer aquela mulher que vi com você há alguns meses.

- Minha mãe? – Perguntei surpreso. O homem sorriu ainda mais larga e maliciosamente.

- Exatamente.

Depois de muito tempo de discussão, finalmente fomos para onde eu, minha mãe e minha irmã vivíamos. Posso dizer que o homem praticamente me seguiu, já que eu não confiava nele e não queria levá-lo até a minha família. O homem – Sergei era o seu nome – conversou com minha mãe por vários minutos.

Eu realmente não sei o que eles conversaram naquele dia, mas o resultado foi que nos mudamos para um apartamento luxuoso, minha mãe se tratou e os dois se casaram.

Foi aí que o inferno se instalou na terra. De um lado, na frente da sociedade, minha família tinha festas, bebidas, produtos caros, carros das melhores marcas e drogas a gosto. Do outro lado, porém, minha família sofria com abusos, espancamentos, jogos sádicos e vícios. Sergei havia nos salvado ao mesmo tempo em que nos destruía. Ele havia nos tirado das mãos do sofrimento gratuito nas ruas para nos fazer sofrer pelas mãos dele mesmo em um apartamento luxuoso.

Eu realmente não sabia o que teria sido pior: ter ficado naquelas condições e assistir minha mãe morrer, até que eu e Grace ficássemos órfãos e sem abrigo, ou ter que viver no inferno em que eu vivia. Sergei obrigava minha mãe a fazer coisas tão horríveis que eu nem conseguia imaginar, fora o fato dele tratar minha irmã de um jeito suspeito e, é claro que eu não escaparia dele: eu era vítima de surras horríveis e constantes agressões verbais.  SERGEI adorava me chamar de “vagabundo”, “ladrão”, “filho da puta”, “covardezinho de merda” e muitos outros que eu não fazia muita questão de memorizar.

Talvez por causa disso que eu estava deitado na minha cama, fumando que nem um viciado e destruindo meus pulmões em plenos catorze anos de idade. Ri ao pensar no estado em que meus pulmões estariam quando eu atingisse trinta anos e ri ainda mais pelo fato de que eu não me importava nem um pouco. A vida resolveu me foder desde que eu era uma criança. Se não pode acabar com eles, então una-se a eles, certo? Certo, eu estava me unindo com a minha vida para, ironicamente, acabar com a mesma. Depois que se casaram e nossa vida "melhorou" eu havia a impressão que só regredimos quanto a qualidade de vida, comecei a passar a maioria do meu tempo com os meus amigos furtando e contrabandeando pela rua na tentativa de conseguir um dinheiro fácil até porque de Sergei isso não viria.

Respirei fundo antes de pegar o meu quarto cigarro. A sensação da nicotina no meu corpo era indescritível. Não que eu nunca tivesse experimentado algumas drogas (longe disso, na verdade, eu era um usuário casual. Tá legal, eu era um viciado mesmo), mas a sensação do bom e velho Marlboro intoxicando o meu sangue e, obviamente, as minhas vias nasais, era indescritível. Levei o cigarro a boca, acendendo-o e tragando com vontade. As pessoas às vezes levavam muito a sério esse negócio de não usar drogas, beber ou fumar. Ninguém que fala isso já teve a chance de saber o que é sentir o efeito imediato qualquer tipo de droga no seu organismo. É mágico.

Remexi-me na cama no momento em que uma nuvem cobriu a Lua. O som lá em baixo era alto e eu julgava que Sergei e seus amigos já deveriam estar bêbados e totalmente chapados. Chapados. Era isso!

Levantei da cama em um salto. Eu sabia o que eu precisava para animar a minha noite solitária e, melhor ainda, eu não precisaria de nenhum esforço para isso. Há alguns dias, na última dessas “reuniões” que Sergei fazia, consegui entrar na sala e roubar todos os tipos de drogas que eu consegui. Algumas que eu nem sabia que existiam, mas peguei todas. Claro que só conseguia roubar as drogas do meu padrasto assim quando ele e seus amigos estavam tão bêbados que me confundiam com suas esposas. Ridículo.

Abri o meu armário tateando o fundo; sorte minha que Sergei nunca desconfiou que o meu armário tinha uma parte com um fundo falso. Eu descobri isso no dia em que ele, bêbado, me jogou dentro do armário e me trancou ali. No momento em que ele me jogou lá dentro minhas costas bateram no fundo do armário, que produziu um som oco. Pelas duas horas que eu fiquei preso ali, tratei de arranjar um jeito de tornar aquele fundo falso o meu esconderijo de cigarros, bebidas e drogas. E, devo admitir, consegui fazer isso muito bem.

Abri o meu baú do tesouro e sorri com o fato de estar realmente cheio lá dentro. Peguei um energético e abri, virando metade do líquido em uma golada. O melhor de tudo é que as bebidas que eu armazenava ali sempre ficavam em uma temperatura agradável de se beber, devido ao fato de estarem, praticamente, dentro da parede, e, bom, não podemos dizer que Chicago que passava a maioria do tempo nevando não servia para alguma coisa, certo? Ao menos mantinha minhas "coisinhas" em temperaturas agradáveis naquela parede que servia de geladeira.

Analisei por um instante o meu estoque, me perguntando o que faria minha noite ficar melhor. Maconha? Heroína? Não, definitivamente. Por um momento fiquei encarando aquele saquinho que parecia brilhar e gritar: me escolha. Fechei minha mão ao redor do pequeno saco, trazendo-o para mim e pensei por mais alguns segundos. Cocaína. Era a droga mais difícil de roubar de Sergei e seus amigos, primeiro porque a cocaína que o meu padrasto usava era a mais cara de todas, literalmente era de “primeira linha”. Segundo porque essa era a substância preferida de Henry e seus colegas e, como seu efeito imediato não durava nada mais do que, geralmente, trinta ou quarenta minutos, eles cheiravam várias carreiras por dia, ou seja, quando eu chegava para roubar as drogas, a cocaína já tinha acabado.

Dei de ombros e fechei a minha “dispensa”. Se eu não fosse usar a cocaína hoje, usaria quando? Por que eu deveria guardar se não tinha nenhuma data comemorativa para usá-la? Não havia motivos para que eu não cheirasse duas ou três carreiras no momento.

Sentei-me novamente na cama, pegando minha carteira na gaveta do criado mudo e puxando uma nota de vinte libras. Arrumei três carreiras realmente simétricas sobre o criado mudo e enrolei a nota nos dedos. Sorri. Cheirei uma carreira atrás da outra em poucos segundos, respirando fundo logo em seguida e terminando de tomar o energético que eu tinha deixado no chão.

Em poucos minutos eu já me sentia forte. Sentia-me eufórico, me sentia sem medo de nada. Eu era invencível! Tudo o que eu queria era sair por ai e, sei lá, bater em alguém de verdade. Eu me sentia meio agressivo, mas eu era poderoso. Tinha o poder em minhas mãos, eu era forte e ninguém poderia me vencer naquele momento, porque eu era Finn, um gladiador do século XXI.

Queria fazer algo, de repente o quarto pareceu pequeno de mais para mim e a atmosfera ficou quente, como se houvesse um aumento de, pelo menos, dez graus na temperatura ambiente. Eu suava, queria tirar aquele moletom que usava e sair daquele quarto. Espera aí... Eu podia fazer isso! Eu podia sair do quarto, podia tirar o moletom, eu era invencível! Quem era Sergei para me mandar ficar no quarto? Aliás, quem era Sergei para me punir caso eu saísse do quarto e, consequentemente, desobedecesse a sua ordem de “fique no quarto e finja que não existe”? Por um momento me senti como Harry Potter, preso no meu quarto e me perguntando por que todos na minha casa me odiavam. Bem que eu gostaria de fazer uma cobra atacar Henry ou que, de repente, várias cartas de Hogwarts entrassem por todos os tipos de entradas da casa: janelas, portas, tudo.

Eu poderia, enfim, me tornar um bruxo e jogar quadribol, o quão excitante isso seria? Ri sozinho, me imaginando em Hogwarts com onze anos, ao lado de Draco Malfoy. Eu ia querer ser um Sonserino se fosse para lá.

De repente lembrei de uma parte do livro que eu havia lido há pouco tempo: “Pedro, Dênis, Malcolm e Górdon eram todos grandes e burros, mas como Duda era o maior e o mais burro do bando, era o líder”. Imaginei Sergei como Duda e o resto de seus amigos como o bando. Ele era o líder, com certeza era.

Franzi o cenho e olhei para a porta. Não seria nada mal se Hagrid entrasse ali naquele exato momento, arrombando a porta e sentando na minha cama como se fosse de casa e fazendo um chá e salsichas. Subi na cama em um pulo e ri. Eu era forte! Eu era um bruxo! Eu poderia fazer qualquer coisa quando eu ganhasse a minha varinha, qualquer coisa. Eu teria o poder de fazer coisas grandiosas com ela, tanto para o bem quanto para o mal. Não era excitante ter o bem e o mal na palma da mão? Com uma frase eu poderia destruir algo, mas com apenas uma outra frase também poderia construir algo belo. Isso sim era poder!

Pulei para o chão e saí do quarto. Eu era forte, livre e, principalmente, eu era capaz. Capaz de fazer qualquer coisa, capaz de fazer o que eu quisesse, o que passasse pela minha mente insana no momento. Na verdade, eu nunca pensei que realmente fosse fazer alguma coisa insana, geralmente curtia mais passar desapercebido e não chamar a atenção dos outros, mantendo-me sempre em alerta e perigoso.

No momento em que pus meus pés no corredor, ouvi Olga soltando um grito, que foi abafado logo em seguida. Corri até o quarto dela, chutando a porta e no momento em que fiz isso desejei ter uma arma na mão.

Um dos amigos de Sergei – como era o nome dele? Dimitri? Ivan? Não me lembrava no momento – estava praticamente em cima de Olga. Ele me olhou com ódio, mas percebi que ele estava bêbado. Talvez pelo fato de ter a cocaína fazendo efeito no meu corpo, mas naquele momento me senti mais corajoso do que nunca.

Fui para cima do cara que, com apenas um soco, me lançou para longe. Levantei do chão, o estômago demasiado dolorido e, pior, sentia como se a combinação de um soco no estômago, energético e cocaína fosse me fazer vomitar a qualquer instante. Olhei novamente para o homem, que me encarava com as sobrancelhas arqueadas. Calmamente ele tirou uma arma do bolso de trás e eu congelei.

Por que não me sentia tão forte agora? Bom, com certeza se eu tivesse uma Pedra Filosofal... Sacudi a cabeça. Não era hora de pensar nisso, o cara estava totalmente bêbado e chapado e apontando uma arma para mim. Ele sorriu e mirou o meu estômago, dei um passo para trás.

Foi quando tudo aconteceu. Grace pulou no cara de qualquer jeito, fazendo-o desviar a atenção de mim. Atrás de mim senti algo duro e de madeira e virei-me para ver o que era: meu taco de baseball que Grace havia pegado no mesmo dia, mais cedo, para fazer chantagem comigo (ou eu brincava de bonecas com ela, ou ela não me devolveria o taco). Peguei o taco e levantei. Ali estava a minha varinha.

Senti toda aquela força voltar em dobro, todo aquele poder e aquela vontade de bater em algo de repente ficaram muito mais fortes. Corri até onde o homem lutava para tirar minha irmã de suas costas. Assim que Olga me viu se aproximando com o taco, soltou as costas do homem e pulou de volta para o chão. No momento em que ele virou para apontar a arma na minha direção novamente bati com toda a força que eu tinha bem no rosto dele. O homem perdeu o equilíbrio por um instante, o que foi a minha chance de bater mais uma ou duas vezes na cabeça dele com o taco. Ele caiu no chão e a única coisa que me vinha na mente é que eu tinha que bater nele até que ele estivesse desacordado. E foi o que eu fiz, só não contava com o fato de que a sede de vingança por ele ter chegado perto da minha irmã, somada com o efeito que a cocaína tinha no meu corpo, me fizessem mudar o meu pensamento.

Eu tinha que matá-lo. Tinha que tirar a vida dele, eu sentia que precisava acabar com a raça dele e, por isso, continuei a bater nele com o taco de baseball mesmo que Olga gritasse desesperada ao meu lado.

- Finn, para, Finnick, para! - Eu nem a ouvia.

Continuei a bater nele, cada vez sentindo-me mais forte e mais capaz. Eu sabia que eu era capaz de fazer qualquer coisa, eu sabia. Por um momento pensei se Harry Potter mataria alguém. É claro que não, mas Harry nunca havia sido o meu preferido mesmo. Ri. Eu era um bruxo muito mau, muito. Poderia dizer que, de fato, se eu fosse um bruxo, seria um bruxo das trevas.

Senti a presença de mais alguém no quarto, minha mãe, que começou a gritar também e tentar me puxar para longe do homem, mas eu me mantive forte. Eu nunca havia me sentido assim e agora precisava terminar o que eu havia começado. Precisava bater naquele homem até que sua cabeça abrisse e seu sangue sujo jorrasse pelo chão e paredes.

Eu estava quase lá quando senti braços realmente fortes me puxarem para longe do corpo, o bastão caindo ao lado dele.
- Me solta! – Urrei, totalmente fora de mim.

- Finn, pare com isso. – Era Sergei. Por um momento congelei e parei de me debater. O homem me soltou e olhou para o colega no chão. – O que aconteceu?

Foi nesse momento que, acredito eu, tive os trinta segundos de lucidez mais horríveis da minha vida. Olhei para trás e vi o estado do corpo no chão. A cabeça do homem - ou o que restou dela -, assim como o chão, cobertos de sangue e massa cefálica assim como minhas roupas e rosto. Minha irmã e minha mãe me olhavam aterrorizadas. O que havia acontecido? O que eu havia feito?

Voltei a olhar para Sergei e senti fraqueza. Eu estava totalmente suado, minha boca estava seca - apesar do sangue pelo rosto - e sentia a minha saliva grossa. Precisa ir ao banheiro, precisava sair dali. O cheiro metálico do sangue cobria o quarto, mas não me incomodava.

- Ele tentou nos matar. – Foi Olga que disse, sua voz melodiosa e infantil soando temerosa e baixa. Sergei desviou o olhar para ela e assentiu, depois voltou a olhar para mim.

- Vamos dar um jeito nisso. – Depois olhou para a minha mãe. – O que eu menos preciso é que a imprensa descubra que o meu enteado matou um homem. Se alguém descobrir isso eu terei que dizer adeus às chances de ganhar nesse segundo turno.

Minha mãe apenas assentiu, pegando Olga no colo e fazendo sinal com a cabeça para que eu fosse com ela. Ela nos levou para o seu quarto, deu algo para Olga beber para que ela se acalmasse.

- Não preciso de sermões, mãe. Eu sei o que fiz. – Minha mãe apenas assentiu, indo até o banheiro e voltando com uma toalha para limpar o rosto de Olga, que estava sujo com o sangue do homem. Apesar dos esforços de Sergei para ocultar as provas e o cadáver, o acontecido foi descoberto semanas depois por algum tipo de departamento do governo.

No dia em que fui perseguido e capturado foi um dia memorável apesar de que eu não consiga me lembrar da maioria das coisas, lembro-me que horas antes eu estava caminhando pela rua e fumando um baseado quando uma van preta parou abruptamente metros a minha frente e saltaram homens encapuzados com uma espécie de roupa especial contra radioatividade.

Lembro-me também que minha reação foi: "Mas que porra?"e tentei fugir correndo por becos e vielas, são apenas pequenos flash's mas acho que acabei conseguindo matar alguns deles, até agora não sei como consegui tal feito mas lembro de ver corpos pelo chão, meu corpo regenerar-se estranhamente mesmo depois de ser seriamente ferido com projéteis de bala, aquilo tudo parecia mais um pesadelo, uma loucura. Depois disso acabei desacordado e mandado para Hunted, uma prisão esquisita que diziam ser para psicopatas com distúrbios mentais para cumprir uma pena nada agradável, era isso ou ser decapitado em público.

A ENTREVISTA



Eu havia despertado de um sono profundo fazia alguns poucos instantes, não conseguia enxergar nada com exatidão talvez fosse pelo fato de ter sido dopado no caminho para seja lá o local onde eu naquela hora estava, meus olhos pesavam, meu corpo doía e parecia uma tábua de passar roupa, minha boca estava seca e eu sentia um leve gosto amargo na garganta. Também não conseguia lembrar de muitas coisas que aconteceram antes daquela cena, sabia que tinha motivos para estar ali mas não sabia exatamente para o que aquilo servia - eu devia estar em uma cela, não em um hospital -.

Tossi e pisquei for seguidos momentos na tentativa de amenizar aquela "onda" dos tranquilizantes, finalmente consegui enxergar o local onde eu estava, parecia mais uma clínica de re-habilitação para viciados só que com um programa bem "intensivo". Me dei conta que eu estava algemado em uma maca e vestindo roupas de paciente, eu não estranhei muito tudo aquilo até porque eu era um mal elemento a não ser pelo fato de estar recebendo uma espécie de soro diretamente na veia.

– Que estranho.. eu sendo medicado? Por que isso? – Afirmei rouco ao dizer as primeiras palavras parecia que em dias.

O clima naquela sala era pesado e maligno, eu me sentia observado e parecia que eu estava sendo cobaia de experiências do governo, logo eu, uma pessoa que permanecia fria e anonima na sociedade, talvez fossem essas as pessoas que eles mais gostam.

Continuei por ali algemado e sem poder mover qualquer parte do meu corpo exceto a cabeça até que um homem alto e vestido com um capuz branco adentrou naquela sala lacrada onde eu me encontrava, não conseguia focar os meus olhos naquela figura porque o efeito da droga e a luz forte só me atrapalhavam ao faze-lo. Por mais que eu me esforçava não conseguia identifica-lo, ele não hesitou em acomodar-se em uma cadeira de ferro próxima a minha pessoa e em um tom rouco, chiado, bastante esquisito como se tivesse falando através de um gravador de voz, ecoava mensagens já gravadas e de péssima qualidade.


– Quero saber o que estão fazendo comigo e quero saber agora! Eu tenho direito a um advogado, não pensem que só pelo fato de ser do governo vão poder fazer isso comigo seus filhos da puta! –

Gritei aos berros exigindo uma resposta rápida e direta daquele ser maldito e encapuzado, o desgraçado se preocupou em ocultar a sua aparência, um perfeito covarde. Aquele soro e as algemas me tornaram um cachorrinho de estimação de qualquer que quisesse se aproveitar daquele estado em que eu me encontrava, fraco e preso, totalmente dominado, domado. O homem permaneceu paciente e sem qualquer expressão em sua voz ou na forma de se mover, apenas iniciou o interrogatório.

O que você tem de único? Qual sua melhor qualidade e seu pior defeito?
Como assim? Vai se foder! Vocês querem saber isso de mim? Ok, vou deixa-los ter suas respostas porém exijo as minhas ao final disso tudo. Pois bem, eu acho que o que a de melhor na minha pessoa é a determinação e a coragem, eu elaboro os meus planos e sigo eles a risca sem me importar com as consequências para completa-lo, não tenho medo de errar e coragem para tentar, planos pelos quais me levaram a estar aqui hoje de uma forma ou de outra. O meu pior defeito eu acho que as vezes é ser inconsequente e um tanto impiedoso, eu facilmente consigo sofrer perdas e danos e isso pode se tornar o meu pior inimigo, meu maior defeito, ainda mais se essas perdas forem meus melhores amigos ou a minha família.

Por quais motivos acha que veio para cá? O que vai fazer se eu te contar que nunca mais vai poder voltar para casa?
Eu sei que nunca fui um modelo de jovem a ser seguido, aplaudido e venerado pela sociedade. Passei a maioria da minha vida furtando e vendendo coisas roubadas mas não nasci com o luxo que esses jovens mimados de hoje em dia tem, cresci pobre e mesmo depois de ter um padrasto rico eu continuei pobre então se fiz o que fiz foi porque eu tinha uma meta, cometi crimes e infringi diversas leis com isso e inclusive acabei matando um desgraçado mas eu não me arrependo de nada disso e se tem uma coisa que eu tentaria mudar nessa história toda eu teria tomado um trajeto diferente quando me capturaram ou então teria levado uma arma e assim matado a maioria de vocês quando tive a chance. Nunca voltar para casa? Amigo isso aqui é uma colonia de férias para mim, eu nasci no inferno, aqui só pode ser o céu.

Qual era a coisa mais importante na sua antiga vida e por que era isso?
Eu nunca fui muito bom em ter amigos, sempre gostei de ficar no meu canto observando e seguir com o meu plano de subir na vida, mesmo assim eu tinha alguns amigos e tinha a minha família, ou parte dela. Tome isso de mim e tomará a única parte do meu coração que ainda sobrevive, que ainda não se decompôs com a sujeira desse mundo.

Se defina em três palavras:
Destemido, calculista e inconsequente.

Qual seu maior medo e o que você faz para combate-lo?
Meu maior medo é perder meus familiares e perder meus únicos amigos, são as únicas coisas pela qual eu me importo nessa vida, perdendo-os eu me torno vulnerável e isso será o meu fim.


A entrevista finalmente havia se concluído, segundo ele mesmo: "as perguntas foram devidamente respondidas", eu havia me mantido paciente e respondi sinceramente toda indagação suja e asquerosa que saía da "boca" daquele médico ou cientista. Momentos antes eu havia dito que exigiria respostas logo após esse interrogatório ou pesquisa do IBGE, o desgraçado não se deu o trabalho de responder e isso estava me deixando impaciente e descontrolado pois no fim eu não sabia o que de fato estava fazendo ali e por que e qual tipo de droga era aquela que estavam usando no meu corpo.

– Ei, seu desgraçado, cadê minhas respostas? Quero saber o que eu faço aqui! – Indaguei-o novamente, desta vez com um tom de voz vociferante. O Doutor Freud com voz de membro da Anonymous largou a ficha em cima de uma mesa que estava próxima e se aproximou da maca onde eu estava imobilizado, estava com um par de luvas da látex e parecia estar se preparando para fazer algo comigo.

– Não ouse, desgraçado! Seu merda, eu vou matar você e a sua família seja lá quem for! – A figura encapuzada não hesitou ou demonstrou qualquer tipo de sentimentos em suas ações, tomou uma seringa com uma fiada e grande agulha em suas mãos e ela estava cheia de um liquido de cor cinza, aquilo me assustou pois parecia um tipo de "elemento x" das meninas super poderosas. Ele se aproximou o bastante, seus passos eram lentos e tortuosos, pareciam uma sentença a marteladas de um juiz do tribunal, me furou e depositou em seguida aquela substância em uma veia do meu braço esquerdo.

Me debati e tentei ao máximo conseguir me soltar daquele cárcere porém era inviável naquelas condições atuais, meu corpo estava frágil e forçaram-me apenas a depreciar aquela droga entrando em contado com a minha rede sanguínea e afetando diretamente o meu sistema nervoso, era uma sensação fria e tudo foi ficando escuro até o total breu e perda da minha consciência. Depois que desmaiei tive alguns mínimos momentos de lucidez onde me deparei com uma dupla de homens com ternos pretos locomovendo minha maca até um outro local.

Finalmente depois de sei lá quantas horas ou dias eu acordei em uma cela de prisão - finalmente - e trajando aquelas roupas listradas e surradas em tons de preto e branco que mais pareciam cinza claro e cinza escuro de tão velhas, me lembrava de alguns filmes sobre os campos de concentração de Hitler, onde os judeus sofriam abusos e trabalho escravo até o óbito, também passavam por experiências "medicinais" com o famoso nazista Doutor Mengele, o que me recordou das cenas do episódio anterior. No final eu estava feliz e realizado de finalmente estar com aquelas roupas e encarcerado em uma cela, não teria que sofrer mais torturas com drogas e perguntas de um ser nefasto como aquele - ou não, quem sabe - o que mais havia me chamado atenção foi o fato de que a porta da cela não estava fechada e sim aberta, me questionava seriamente o por quê?!


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